Recuperação e Pós-Operatório

Não consigo dobrar o joelho após a cirurgia

Entenda aqui porque não consigo dobrar o joelho após a cirurgia e como melhorar a mobilidade.

Alguns pacientes chegam ao consultório bastante preocupados e com a seguinte pergunta: Dr. Ulbiramar, não consigo dobrar o joelho após a cirurgia, o que pode ser?

A limitação de flexão pode ter causas esperadas do pós-operatório, como inchaço e dor, mas também pode sinalizar rigidez articular em instalação.

O ponto-chave é identificar o padrão: quanto o joelho dobra hoje, se está melhorando semana a semana e se existe bloqueio mecânico real.

Não consigo dobrar o joelho após a cirurgia: o que é “normal” nas primeiras semanas

Em qualquer cirurgia de joelho, existe uma fase inicial de inflamação. O corpo responde com edema, aumento de temperatura local e sensibilidade.

Isso reduz a flexão porque o joelho fica “cheio” por dentro, com derrame articular, e os tecidos ao redor ficam mais rígidos.

É comum haver ganho gradual de movimento, dia após dia, quando há fisioterapia bem conduzida, controle de dor e redução do inchaço.

Quando a flexão estaciona por vários dias seguidos, ou regride, vale ligar o alerta e revisar o plano de reabilitação.

O que mais limita a flexão no pós-operatório

  • Edema e derrame articular.
  • Dor ao dobrar, com proteção muscular involuntária.
  • Fraqueza do quadríceps e perda de controle do movimento.
  • Hematoma e sensibilidade da pele, dificultando exercícios.
  • Medo de forçar e acabar fazendo menos do que precisa.

Causas que merecem atenção quando a flexão não evolui

Quando o joelho não dobra como esperado, a causa pode ser funcional (dor e inchaço) ou estrutural (aderências e rigidez). As situações abaixo aparecem com frequência na prática clínica.

Artrofibrose e rigidez articular

Artrofibrose é uma cicatrização interna mais intensa, com formação de tecido fibroso que “segura” o joelho.

Ela pode surgir após diferentes cirurgias (reconstruções ligamentares, artroscopia, prótese, correções ósseas).

O risco aumenta quando há inflamação persistente, dificuldade de ativar o quadríceps, atraso na mobilização e episódios de derrame recorrente.

Sinais comuns:

  • Flexão que para num mesmo ângulo por semanas.
  • Sensação de joelho duro, com fim de movimento “seco”.
  • Piora após ficar muito tempo parado.

Bloqueio mecânico

Em alguns casos, parece existir um “tranco”, como se algo impedisse o movimento, que pode ocorrer por:

  • Lesões meniscais remanescentes.
  • Corpos livres intra-articulares.
  • Conflito por edema importante.
  • Alterações específicas do procedimento realizado.

Bloqueio mecânico tende a ser bem localizado e reprodutível, sempre no mesmo ponto do arco de movimento.

Dor mal controlada e proteção muscular

Dor não controlada reduz a flexão porque o corpo evita o movimento. O quadríceps e os isquiotibiais entram em contração de defesa e travam a articulação.

Muitas vezes, ao ajustar analgesia, gelo, elevação e ritmo de exercícios, a flexão começa a destravar.

Derrame persistente

Joelho com derrame costuma limitar a flexão. O líquido dentro da articulação “preenche” o espaço e aumenta a pressão, gerando sensação de tensão e desconforto ao dobrar.

Derrame persistente pede revisão de carga, exercícios e controle inflamatório.

Como melhorar a flexão sem colocar a cirurgia em risco

A recuperação do movimento exige regularidade e estratégia. O objetivo é somar estímulos pequenos, bem feitos, todos os dias, sem provocar efeito rebote de inchaço.

Medidas práticas que ajudam

  • Controle de edema: gelo por períodos curtos, várias vezes ao dia, associado a elevação do membro.
  • Compressão e cuidados com a pele: quando liberado pela equipe, compressão elástica auxilia no edema.
  • Mobilidade progressiva: exercícios de deslizamento do calcanhar (heel slide) e mobilizações orientadas pela fisioterapia.
  • Ativação do quadríceps: retomada do controle muscular reduz travas por proteção.
  • Higiene do sono e pausas: dor e fadiga pioram a resposta inflamatória e travam ganho de movimento.

Se você sente que o joelho está travado e não sai do lugar, faz sentido consultar um especialista em cirurgia de joelho para orientar a recuperação e ajustar metas de movimento, carga, medicação e fisioterapia com base no tipo de cirurgia e no seu exame.

O que costuma atrapalhar

  • “Testar” o joelho com movimentos bruscos.
  • Aumentar muito a carga de caminhada quando ainda há derrame.
  • Treinar flexão intensa e no mesmo dia ficar longos períodos sentado com o joelho dobrado.
  • Parar completamente por medo de dor, deixando a articulação mais rígida.

Quando procurar reavaliação sem adiar

Procure revisão com seu cirurgião ou equipe assistente se houver:

  • Febre, secreção, vermelhidão progressiva ou dor que piora rápido.
  • Aumento importante de inchaço, calor local e limitação crescente.
  • Bloqueio repetitivo, sempre no mesmo ponto, impedindo dobrar.
  • Panturrilha dolorosa e inchada, falta de ar ou dor no peito (situações de urgência).

O que esperar do acompanhamento e dos exames

A conduta depende do procedimento realizado e do tempo de pós-operatório. A avaliação clínica mede flexão, extensão, derrame, dor, força e padrão de marcha.

Quando necessário, exames de imagem ajudam a excluir complicações e a entender se existe uma causa mecânica.

Em alguns cenários, o médico pode indicar mudanças intensivas na fisioterapia, ajustes no controle inflamatório e, mais raramente, procedimentos para recuperar a amplitude quando a rigidez se instala.

Perguntas frequentes (FAQ)

1) É normal não conseguir dobrar o joelho após a cirurgia?

Nas primeiras semanas, sim. Inchaço, dor e fraqueza limitam a flexão. O esperado é evolução gradual com o plano de reabilitação.

2) Com quantos dias eu deveria ver melhora na flexão?

Muitos pacientes percebem ganhos frequentes na primeira fase, desde que o edema esteja controlado e os exercícios estejam regulares. Se ficar estagnado por tempo prolongado, precisa reavaliar

3) O inchaço pode impedir o joelho de dobrar?

Pode. Derrame articular aumenta pressão interna e reduz a flexão, com sensação de tensão e desconforto ao movimento.

4) Como diferenciar rigidez de “medo de dobrar”?

Rigidez costuma ter fim de movimento firme e constante. Proteção por dor varia mais, melhora quando a dor é controlada e quando o músculo volta a ativar melhor.

5) O que é artrofibrose?

É uma cicatrização interna exagerada, com tecido fibroso que reduz amplitude de movimento. Requer intervenção precoce com reabilitação bem direcionada.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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