Lesões e Doenças do Joelho

Artrofibrose no joelho: o que é, causas e tratamento

A artrofibrose no joelho é um quadro em que o organismo produz tecido cicatricial em excesso dentro da articulação.

Esse tecido “endurece” o ambiente interno do joelho. O resultado costuma ser rigidez que piora com o tempo, dor e redução da mobilidade, com dificuldade para dobrar ou esticar a perna em tarefas do dia a dia.

Na prática, aparece como uma reação a cirurgia, trauma ou inflamação que se prolonga.

Quando o corpo segue “cicatrizando” mesmo depois do período esperado, a fibrose vai se acumulando. Esse acúmulo trava o movimento e atrapalha o funcionamento normal do joelho.

Sintomas de artrofibrose no joelho

O sinal mais marcante da artrofibrose é a perda de mobilidade do joelho. O paciente percebe dificuldade para estender completamente a perna ou para realizar a flexão adequada.

Entre os sintomas mais frequentes, destacam-se:

  • Rigidez articular persistente.
  • Dor ao movimentar ou forçar o joelho.
  • Limitação progressiva da amplitude de movimento.
  • Sensação de travamento articular.
  • Dificuldade para caminhar, subir escadas ou sentar e levantar.

Em casos mais avançados, essa limitação funcional pode ser mais incapacitante do que a lesão ou cirurgia que deu origem ao problema.

O que pode causar artrofibrose?

A artrofibrose está diretamente relacionada ao processo de cicatrização do joelho. Diversos fatores podem desencadear essa resposta exagerada do organismo.

  • Cirurgias no joelho, como reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA).
  • Artroplastia total do joelho.
  • Artroscopias repetidas.
  • Fraturas articulares.
  • Traumas de alta energia.
  • Infecções articulares.
  • Imobilização prolongada.

Pacientes que mantêm inflamação por tempo prolongado após a cirurgia, iniciam a reabilitação de forma tardia ou não conseguem controlar bem a dor tendem a apresentar maior chance de desenvolver o quadro.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria dos casos, o diagnóstico de artrofibrose no joelho vem da avaliação clínica.

O médico leva em conta o contexto do início do problema, o tempo de evolução e como os sintomas se comportam ao longo dos dias. O exame físico direciona a investigação.

Na consulta, são medidos flexão e extensão, comparando com o outro lado quando possível. Também entram na análise a dor, a sensação de travamento e o quanto isso interfere nas atividades diárias.

Exames de imagem podem entrar como apoio.

  • Radiografias ajudam a checar alinhamento, presença de ossificações e outras alterações ósseas.
  • A ressonância magnética pode contribuir quando existe suspeita de lesões associadas e para organizar o plano de tratamento.

Nessa situação, a avaliação feita por um ortopedista especialista em joelho é decisiva para confirmar a artrofibrose e afastar outras origens da rigidez, como lesões do menisco, comprometimento da cartilagem ou problemas ligados à recuperação cirúrgica.

Como é o tratamento da artrofibrose no joelho?

O tratamento depende da gravidade da limitação, da causa inicial e do tempo de evolução do quadro. Casos diagnosticados precocemente costumam responder melhor às abordagens conservadoras.

As principais opções incluem:

  • Fisioterapia focada em ganho de mobilidade.
  • Exercícios controlados de amplitude de movimento.
  • Controle da dor e inflamação com medicamentos.
  • Aplicação de gelo em fases inflamatórias.

Quando o tratamento conservador não traz ganho funcional ou quando o quadro já está avançado, o médico pode indicar manipulação do joelho sob anestesia ou um procedimento para liberar e remover o tecido cicatricial.

Em muitos casos, essa liberação é feita por artroscopia. A técnica usa pequenas incisões e uma câmera para acessar a articulação, permitindo retirar a fibrose com menor agressão aos tecidos e favorecer a recuperação da mobilidade.

Como prevenir a artrofibrose?

A prevenção da artrofibrose está diretamente ligada a uma reabilitação bem conduzida após cirurgias ou lesões no joelho.

  • Início precoce da mobilização articular quando liberado.
  • Fisioterapia orientada e progressiva.
  • Evitar períodos longos de imobilização.
  • Controle adequado da dor no pós-operatório.
  • Acompanhamento médico regular durante a recuperação.

O seguimento próximo com ortopedista especializado reduz o risco de complicações e favorece a recuperação funcional do joelho.

FAQs

Artrofibrose no joelho tem cura?

Não existe reversão completa da fibrose já formada, mas o tratamento adequado permite recuperar mobilidade e reduzir sintomas.

A artrofibrose sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitos casos melhoram com fisioterapia e tratamento conservador quando diagnosticados precocemente.

Quanto tempo após a cirurgia pode surgir artrofibrose?

Ela costuma se manifestar nas primeiras semanas ou meses após o procedimento, principalmente quando há rigidez progressiva.

Exames de imagem confirmam a artrofibrose?

Os exames auxiliam no planejamento, mas o diagnóstico é clínico, baseado na avaliação do movimento e da função do joelho.

Fisioterapia ajuda mesmo nos casos graves?

A fisioterapia é essencial em todas as fases, inclusive após procedimentos cirúrgicos, para evitar nova formação de fibrose.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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