Recuperação e Pós-Operatório

Dor atrás do joelho após cirurgia de LCA: o que pode ser

Saiba por que surge dor atrás do joelho após cirurgia de LCA, o que fazer no pós-operatório e quando buscar avaliação médica.

Sentir dor atrás do joelho após cirurgia de LCA é uma queixa relativamente comum nas primeiras semanas e, em muitos casos, faz parte do processo de recuperação.

Mesmo assim, a região posterior do joelho merece atenção, porque existem causas simples e outras que exigem avaliação mais rápida, como trombose ou problemas associados ao menisco e ao enxerto.

A boa leitura do sintoma depende do momento do pós-operatório, da intensidade da dor e do que vem junto: inchaço, calor local, limitação de movimento, falta de ar, dor na panturrilha, febre ou sensação de instabilidade.

Por que pode surgir dor na parte de trás do joelho no pós-operatório

O joelho operado passa por um período de inflamação controlada, cicatrização e readaptação mecânica.

A parte de trás do joelho concentra estruturas sensíveis, como cápsula posterior, tendões, nervos e vasos, e a dor nessa região pode aparecer por:

  • Edema e acúmulo de líquido articular: o líquido pode “migrar” e gerar pressão posterior, piorando ao ficar muito tempo em pé.
  • Rigidez e encurtamento muscular: isquiotibiais e gastrocnêmio podem ficar tensos, principalmente quando há proteção excessiva do membro e redução da marcha.
  • Sobrecarga na reabilitação: mudanças de exercício, aumento rápido de carga, erros de execução ou retorno precoce a atividades intensas podem irritar a região.
  • Cicatrização do túnel tibial e do enxerto: dependendo da técnica e do tipo de enxerto, pode existir desconforto difuso, com variação ao longo das semanas.
  • Lesões associadas: menisco, cartilagem e cápsula podem ter sido tratados na mesma cirurgia, alterando a origem da dor.

Dor atrás do joelho após cirurgia de LCA: sinais que mudam a conduta

Nem toda dor tem o mesmo peso. Alguns sinais pedem avaliação mais rápida:

Procure atendimento com urgência se houver

  • Dor forte na panturrilha, com endurecimento, inchaço importante ou diferença clara de tamanho entre as pernas.
  • Falta de ar, dor no peito, tontura.
  • Febre, calafrios, vermelhidão progressiva ou secreção na ferida.
  • Inchaço que cresce rápido, sensação de calor intenso e dor que não melhora com medidas básicas.

Esses quadros podem apontar para complicações que não devem ser “observadas em casa”.

Causas comuns na prática clínica

Cisto poplíteo e distensão posterior

Em alguns pacientes, o aumento de líquido articular facilita a formação ou o aumento de um cisto na região posterior, que pode causar pressão, sensação de “bola” atrás do joelho e dor ao esticar totalmente a perna.

Nem sempre o cisto é o protagonista, às vezes, ele é só um marcador de que o joelho ainda está inflamado.

Tendões e musculatura posterior irritados

Isquiotibiais, gastrocnêmio e estruturas da cápsula posterior podem sofrer com marcha alterada, falta de extensão completa e excesso de contração defensiva.

A dor costuma piorar ao caminhar mais, ao descer escadas ou ao tentar alongar de forma agressiva.

Falta de extensão (joelho não “estica” totalmente)

Quando a extensão não é recuperada, o joelho muda o padrão de funcionamento, sobrecarregando a região posterior.

A reabilitação normalmente prioriza extensão segura desde cedo, dentro do que foi orientado pela equipe.

O que fazer para aliviar sem atrapalhar a recuperação

Medidas simples podem ajudar, desde que respeitem o protocolo pós-operatório:

  • Gelo por períodos curtos, com proteção da pele, nos horários recomendados pela equipe.
  • Elevação do membro e controle do edema ao longo do dia.
  • Mobilidade orientada: exercícios prescritos para extensão e flexão, sem “forçar no susto”.
  • Ajuste de carga: se a dor apareceu após evoluir treino, vale reduzir intensidade por alguns dias e reavaliar.
  • Marcha e apoio: usar muletas e órtese pelo tempo indicado evita compensações que perpetuam dor posterior.
  • Atenção à panturrilha: dor que “desce” para a perna, associada a inchaço, pede avaliação médica.

Quando a dor atrás do joelho após cirurgia de LCA persiste, muda de padrão ou limita a reabilitação, é prudente discutir o quadro com um ortopedista referência em cirurgia de LCA, que pode correlacionar exame físico, evolução funcional e, se necessário, solicitar exames.

Como o médico investiga

A avaliação considera:

  • Fase do pós-operatório e protocolo usado.
  • Localização exata da dor (posterior central, mais lateral, mais medial).
  • Presença de derrame, limitação de extensão/flexão e estabilidade.
  • Palpação da panturrilha e sinais vasculares.
  • Necessidade de ultrassom Doppler, exames de imagem do joelho ou revisão do planejamento da fisioterapia.

Quando a dor tende a melhorar

Em grande parte dos casos, a dor posterior melhora com a redução do edema, recuperação da extensão, fortalecimento progressivo e normalização da marcha.

A evolução não costuma ser linear: alguns dias são melhores, outros piores, principalmente quando há avanço de exercícios. O ponto-chave é observar a tendência de melhora e ausência de sinais de alerta.

FAQs

1) Dor atrás do joelho após cirurgia de LCA é normal?

Pode acontecer, especialmente nas primeiras semanas, por edema, rigidez e adaptação da musculatura posterior. Sinais associados definem o risco.

2) Quando a dor atrás do joelho preocupa no pós-operatório?

Quando vem com dor na panturrilha, inchaço importante, calor, falta de ar, febre, piora rápida ou limitação intensa e progressiva.

3) Cisto de Baker pode aparecer depois da reconstrução do LCA?

Pode surgir ou aumentar quando há excesso de líquido na articulação. Nem sempre exige tratamento específico; o foco costuma ser controlar inflamação e reabilitar.

4) Exercícios podem causar dor no joelho após cirurgia de LCA?

Sim. Aumento rápido de carga, técnica inadequada ou falta de extensão completa podem irritar estruturas posteriores. Ajuste de treino costuma resolver.

5) O que ajuda a melhorar a dor atrás do joelho sem atrasar a recuperação?

Controle de edema, gelo conforme orientação, progressão gradual da fisioterapia, recuperação da extensão e correção da marcha, sempre seguindo o protocolo.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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