Lesões e Doenças do Joelho

Fibrose no joelho tem cura?

Rigidez após lesão ou cirurgia pode ser artrofibrose. Saiba quando investigar, como tratar e em quais casos a fibrose no joelho tem cura.

Sentir o joelho “preso”, com dor e perda de movimento depois de uma lesão ou cirurgia gera uma dúvida bem comum: fibrose no joelho tem cura?

Em muitos casos, existe melhora importante e recuperação funcional, desde que o diagnóstico seja feito cedo e o tratamento siga um plano consistente.

A fibrose no joelho é a formação exagerada de tecido cicatricial dentro da articulação, o que reduz a mobilidade e pode manter inflamação e desconforto por semanas ou meses.

O que é fibrose no joelho

A articulação do joelho reage a traumas e cirurgias com um processo natural de cicatrização.

O problema surge quando essa resposta fica “forte demais” e cria aderências e espessamento de tecidos, limitando o deslizamento normal das estruturas internas.

O resultado costuma ser uma rigidez progressiva: fica difícil esticar totalmente a perna (extensão) e, em outras pessoas, dobrar (flexão). Em quadros mais avançados, as duas direções ficam comprometidas.

Por que a fibrose aparece

A artrofibrose não tem uma causa única. Geralmente, é um conjunto de fatores que favorece a cicatrização excessiva ou manutenção de inflamação.

Entre os gatilhos mais frequentes:

  • Cirurgias no joelho (reconstrução do LCA, menisco, prótese, reparos de cartilagem).
  • Traumas com derrame articular e inchaço persistente.
  • Imobilização por tempo prolongado.
  • Dor mal controlada que atrasa a reabilitação.
  • Inflamação contínua após o procedimento.
  • Infecção ou complicações pós-operatórias (situações menos comuns, porém, relevantes).

Fibrose no joelho tem cura?

A resposta é sim, fibrose no joelho tem cura, principalmente quando o tratamento começa cedo e o paciente mantém boa adesão à fisioterapia.

O objetivo é recuperar a amplitude de movimento, reduzir dor e inchaço e normalizar a função.

Em casos iniciais, o tratamento conservador costuma resolver, mas em quadros resistentes ou avançados, pode ser necessário um tratamento intervencionista para liberar as aderências.

Um ponto decisivo é não esperar meses com o joelho “travado”. Nessa fase, uma avaliação com ortopedista com especialização em joelho faz toda diferença, pois ajuda a confirmar o diagnóstico, medir a amplitude, identificar a causa e ajustar o plano de reabilitação.

Sinais de alerta que merecem avaliação

Procure avaliação quando houver:

  • Dificuldade para esticar o joelho até o final após lesão ou cirurgia.
  • Perda de flexão que impede agachar, sentar com conforto ou subir escadas.
  • Inchaço que não regrede com o tempo esperado.
  • Dor persistente associada à rigidez.
  • Sensação de bloqueio e limitação que piora com a tentativa de movimentar.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é principalmente clínico. O profissional avalia a história do quadro, o tempo de evolução e mede a amplitude do joelho (extensão e flexão).

O exame físico também verifica força, padrão de marcha e sinais de inflamação.

Exames de imagem podem ser solicitados para investigar causas associadas e descartar outras condições (lesões meniscais, cartilagem, complicações pós-operatórias).

O tipo de exame varia conforme o caso e o momento do pós-operatório.

Tratamento: o que costuma funcionar

Reabilitação bem direcionada

A fisioterapia é o pilar do tratamento. O foco costuma envolver:

  • Ganho gradual de amplitude (extensão e flexão) com metas objetivas.
  • Fortalecimento progressivo de quadríceps, isquiotibiais e quadril.
  • Controle do edema e da dor (medidas físicas e recursos terapêuticos).
  • Treino de marcha e controle neuromuscular.

A extensão completa costuma ser prioridade no início, porque a falta dela altera a marcha e aumenta a sobrecarga.

Medidas complementares

Podem entrar no plano, conforme avaliação:

  • Ajuste de analgésicos e anti-inflamatórios quando indicados.
  • Protocolos para controle de derrame articular.
  • Órteses ou dispositivos para ganho de extensão/flexão em casos selecionados.
  • Infiltração em situações específicas, quando há indicação médica e objetivo claro.

Quando pensar em procedimento

Quando a rigidez não melhora com reabilitação bem conduzida, ou quando a limitação está importante e persistente, podem ser considerados procedimentos como manipulação sob anestesia e/ou artroscopia para liberação de aderências.

A decisão depende do tempo de evolução, do tipo de cirurgia prévia, do grau de rigidez e do risco de recorrência.

Depois do procedimento, a reabilitação precisa ser imediata e estruturada, porque a tendência de “cicatrizar demais” pode voltar se o joelho ficar parado.

O que aumenta as chances de uma boa recuperação

  • Iniciar a reabilitação no tempo correto, com metas semanais.
  • Priorizar a extensão completa desde cedo, quando indicado.
  • Controlar o inchaço e dor para permitir movimento.
  • Evitar longos períodos de imobilização sem orientação.
  • Manter acompanhamento para ajustar carga, exercícios e progressão.

Perguntas frequentes (FAQs)

1) Fibrose no joelho tem cura sem cirurgia?

Muitas vezes, sim. Quadros iniciais costumam melhorar com fisioterapia bem direcionada e controle de inflamação, desde que o tratamento não seja adiado.

2) Quanto tempo leva para melhorar a rigidez?

Varia. Depende do grau de limitação, do motivo inicial (cirurgia ou trauma) e da regularidade da reabilitação. Melhoras costumam ser graduais.

3) Como saber se é fibrose ou lesão no menisco?

O exame clínico e a história do quadro ajudam a diferenciar. Em alguns casos, exames de imagem são pedidos para confirmar e descartar outras causas.

4) A fibrose pode voltar depois de melhorar?

Pode, principalmente se persistirem fatores como inflamação, dor mal controlada e pouca movimentação. A manutenção do fortalecimento e da mobilidade reduz o risco.

5) Quando a artroscopia é indicada?

Geralmente quando há falha do tratamento conservador bem feito e limitação funcional importante. A indicação é individual e depende do tempo de evolução e do exame.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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