Dor no Joelho

Dor no Joelho: O Que Fazer para Aliviar os Sintomas

Descubra medidas fáceis de aliviar a dor no joelho e a importância do diagnóstico correto.

Sentir dor no joelho é algo comum, mas não significa que deva ser ignorado.

Às vezes, o incômodo aparece depois de um treino mais pesado, uma torção, uma caminhada longa ou muitas horas em pé.

Em outras situações, a dor surge aos poucos, junto com inchaço, rigidez ou dificuldade para dobrar a perna.

Na prática, o que fazer depende de três pontos: como a dor começou, quais sintomas vieram junto e há quanto tempo isso está acontecendo.

Se houver trauma, incapacidade de apoiar o pé no chão, joelho travando, deformidade, febre ou calor intenso na articulação, a avaliação médica não deve esperar.

O que fazer para aliviar a dor no joelho nos primeiros sinais

Se a dor começou agora, não é muito intensa e não veio acompanhada de deformidade ou perda importante de movimento, o primeiro passo é reduzir a sobrecarga no joelho.

Veja o que fazer:

  • Repouso relativo, sem insistir em corrida, salto, agachamento profundo ou esporte de impacto;
  • Gelo por cerca de 15 minutos de cada vez, várias vezes ao dia, sempre com uma toalha entre a pele e a bolsa;
  • Elevação da perna para ajudar a diminuir o inchaço;
  • Compressão leve com faixa elástica, se ela trouxer conforto e não apertar demais;
  • Evitar movimentos que pioram a dor.

Repouso relativo não é ficar imóvel o dia inteiro. É dar um passo atrás por alguns dias para não irritar ainda mais a articulação.

Quando a dor pode ser algo simples

Nem toda dor no joelho significa lesão grave. Muitas vezes, o problema está ligado à sobrecarga, esforço repetitivo ou irritação passageira de alguma estrutura da articulação.

Isso pode acontecer, por exemplo, em casos de:

  • Aumento brusco da carga de treino;
  • Corrida ou caminhada em excesso;
  • Exercícios feitos com técnica ruim;
  • Longos períodos subindo e descendo escadas;
  • Fraqueza muscular na coxa, quadril e core;
  • Retorno rápido ao esporte depois de um tempo parado.

Nesses casos, é comum a dor melhorar com redução de impacto, gelo, ajustes na rotina e reabilitação adequada.

Principais causas

O joelho é uma articulação complexa. Dor nessa região pode vir de ligamentos, meniscos, tendões, cartilagem, osso ou até de processos inflamatórios.

1. Trauma e entorse

Uma torção, queda, pancada ou movimento brusco pode causar desde uma contusão simples até lesões de ligamentos, menisco ou fraturas.

Geralmente, a história ajuda muito: a dor começa de repente, muitas vezes acompanhada de inchaço, dificuldade para apoiar o peso e sensação de instabilidade.

2. Tendinite e sobrecarga

A dor pode aparecer por uso repetitivo, principalmente em quem corre, salta, pedala ou faz musculação com frequência.

Nesses quadros, a região normalmente dói mais durante ou após o esforço.

3. Dor patelofemoral

É aquela dor mais na frente do joelho, perto da patela.

Costuma incomodar ao subir escadas, agachar, levantar da cadeira ou ficar muito tempo sentado com o joelho dobrado.

4. Lesão de menisco

O menisco funciona como uma espécie de amortecedor da articulação.

Na presença de lesão meniscal, a pessoa pode sentir dor ao girar o corpo, agachar ou dobrar o joelho, além de perceber travamento, estalos dolorosos ou sensação de bloqueio.

5. Lesão ligamentar

Os ligamentos ajudam a estabilizar o joelho. Quando há ruptura parcial ou total, o joelho pode inchar, falhar e passar insegurança ao caminhar.

6. Artrose

A artrose é um desgaste progressivo da articulação, sendo mais comum com o passar dos anos, mas também pode surgir depois de lesões antigas, desalinhamentos, excesso de peso ou sobrecarga repetida.

Nesse caso, a dor pode piorar com uso prolongado, e a rigidez pode ser mais percebida após repouso.

7. Artrites e outras inflamações

Algumas doenças inflamatórias também podem atingir o joelho e causar dor com calor, inchaço e rigidez.

Em situações mais raras, um joelho muito quente, vermelho e doloroso, especialmente com febre, pode indicar infecção e precisa de avaliação urgente.

Quando procurar atendimento com urgência

Algumas situações não combinam com espera em casa. Procure avaliação com ortopedista qualificado e com ampla experiência em joelho rapidamente se acontecer uma ou mais destas situações:

  • Você não consegue apoiar o peso na perna;
  • A dor é forte mesmo sem colocar peso;
  • O joelho está muito inchado ou mudou de forma;
  • O joelho trava, falha ou não estica direito;
  • Existe deformidade visível;
  • Há febre, vermelhidão ou calor importante na articulação;
  • A panturrilha está inchada, dolorida, arroxeada ou com formigamento;
  • A dor começou depois de trauma importante;
  • O desconforto não melhora após alguns dias de cuidados iniciais.

Esses sinais podem apontar desde uma lesão estrutural até um quadro inflamatório mais sério.

Como o ortopedista descobre a causa

O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico.

O médico vai querer saber quando a dor começou, se houve torção, onde dói mais, o que piora, se existe travamento, estalo, inchaço ou sensação de joelho frouxo.

Dependendo do caso, podem ser pedidos exames como:

  • Raio X, quando há suspeita de fratura, desgaste ou alterações ósseas;
  • Ressonância magnética, quando há suspeita de lesão ligamentar, meniscal ou de cartilagem;
  • Exames laboratoriais ou avaliação do líquido articular, quando existe suspeita de inflamação importante ou infecção.

Nem toda dor no joelho precisa de uma bateria de exames logo no primeiro dia. O tipo de investigação muda conforme a história e os sinais do paciente.

Tratamentos mais usados

O tratamento depende da causa. Não existe um único remédio ou exercício que resolva toda dor no joelho.

Cuidados conservadores

Em muitos casos, o tratamento começa sem cirurgia, com medidas como:

  • Controle da carga e do impacto;
  • Gelo e elevação nos períodos de maior inflamação;
  • Fisioterapia;
  • Fortalecimento muscular;
  • Exercícios para mobilidade;
  • Ajuste do treino e dos movimentos do dia a dia;
  • Controle do peso, quando isso faz parte do problema.

Medicamentos

Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados em alguns casos, mas devem ser escolhidos com critério.

Nem todo paciente pode tomar esse tipo de medicação, e o uso prolongado sem orientação não é uma boa ideia.

Infiltrações

Em quadros específicos, o médico pode indicar infiltrações para reduzir a dor e inflamação ou ajudar no manejo da artrose.

Cirurgia

A cirurgia é reservada para situações bem definidas, como algumas lesões ligamentares, meniscais, fraturas, instabilidades recorrentes ou casos avançados de desgaste articular.

Ela não é a regra para toda dor no joelho.

Fisioterapia: por que ela faz tanta diferença

A fisioterapia entra em muitos casos porque não trata só a dor, ela ajuda a corrigir o que favoreceu o problema.

Durante a reabilitação, é comum trabalhar:

  • Mobilidade do joelho;
  • Fortalecimento da coxa e do quadril;
  • Equilíbrio;
  • Controle do movimento;
  • Retorno gradual às atividades;
  • Prevenção de recaídas.

Esse ponto faz diferença porque, às vezes, o joelho dói, mas a origem da sobrecarga está em fraqueza muscular, padrão ruim de movimento ou progressão errada de treino.

Como prevenir novas crises

Mesmo quando a dor passa, vale olhar para o que fez o problema aparecer.

Alguns cuidados ajudam bastante, como:

  1. Aumentar treino de forma gradual;
  2. Fortalecer coxa, glúteos e quadril;
  3. Aquecer antes do exercício;
  4. Respeitar dias de recuperação;
  5. Usar calçado adequado;
  6. Manter o peso dentro de uma faixa saudável para você;
  7. Corrigir técnica de corrida, salto ou agachamento quando necessário;
  8. Procurar ajuda cedo se a dor começa a se repetir.

Prevenção, no joelho, quase sempre tem mais a ver com constância do que com soluções rápidas.

Perguntas frequentes

1. Dor no joelho sempre indica lesão grave?

Não. A dor no joelho pode surgir por sobrecarga, treino mais pesado, caminhada longa ou esforço repetitivo. O alerta aumenta quando existe inchaço forte, travamento, deformidade, febre, dificuldade para apoiar o pé ou dor persistente.

2. O que fazer quando o joelho começa a doer?

Nos primeiros sinais, o ideal é reduzir a carga, evitar impacto, aplicar gelo por alguns minutos, elevar a perna e observar a evolução. Se a dor piorar ou vier com sinais de alerta, a avaliação médica deve ser feita.

3. Posso continuar treinando com dor no joelho?

Depende da intensidade e da causa. Treinar com dor, principalmente em corrida, salto ou agachamento, pode piorar o quadro. Em muitos casos, é preciso trocar temporariamente por atividades de menor impacto.

4. Quando devo procurar um médico por dor no joelho?

Procure atendimento se não conseguir apoiar o peso na perna, se o joelho travar, inchar muito, ficar quente, apresentar deformidade ou se a dor não melhorar após alguns dias de cuidados iniciais.

5. Fisioterapia ajuda na dor no joelho?

Sim. A fisioterapia pode ajudar no controle da dor, na recuperação da mobilidade, no fortalecimento muscular e na correção de movimentos que sobrecarregam o joelho. Ela também reduz o risco de novas crises.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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