Sintomas e Sinais

Inchaço atrás do joelho: o que pode ser

Veja causas comuns, exames que ajudam no diagnóstico e cuidados iniciais para reduzir dor e risco de complicações de inchaço atrás do joelho.

O inchaço atrás do joelho é um achado comum no consultório e pode ter causas bem diferentes, desde sobrecarga mecânica até inflamações e alterações dentro da articulação.

O ponto central é entender se o volume apareceu de forma súbita, se existe dor, limitação para dobrar ou esticar a perna, sensação de calor local, vermelhidão, febre, histórico de trauma recente ou prática esportiva intensa.

Esses detalhes mudam totalmente a investigação e o risco envolvido.

O que pode ser o inchaço atrás do joelho

O aumento de volume na região posterior do joelho costuma vir de estruturas que ficam ali: bolsa sinovial, tendões, cápsula articular, vasos e tecidos moles.

Entre as causas mais frequentes, algumas se destacam:

Cisto de Baker

É uma das explicações mais lembradas. O cisto de Baker é um acúmulo de líquido sinovial na parte de trás do joelho, geralmente associado a algum problema dentro da articulação, como desgaste da cartilagem, inflamação ou lesão do menisco.

Pode aparecer como uma “bola” palpável, com sensação de pressão e piora ao estender totalmente o joelho.

Derrame articular com distensão posterior

Quando existe excesso de líquido dentro do joelho (derrame), parte desse volume pode se manifestar com maior tensão na região posterior, com desconforto ao agachar, subir escadas ou permanecer muito tempo em pé.

Lesões de menisco e cartilagem

Lesões do menisco, principalmente quando há componente inflamatório, podem gerar produção aumentada de líquido e favorecer o aumento de volume atrás do joelho.

Alterações de cartilagem e artrose também entram nessa lista.

Tendinites e sobrecarga muscular

Tendões que passam atrás do joelho podem inflamar por esforço repetitivo, corrida, mudanças bruscas de treino ou desequilíbrios musculares.

O inchaço pode ser mais difuso, com dor localizada ao toque e piora em certos movimentos.

Problemas vasculares

Dor e inchaço podem, em alguns casos, ter origem vascular.

Um quadro importante é a trombose venosa profunda, que tende a causar dor, aumento de volume na perna, sensação de peso e assimetria em relação ao outro lado.

Outra situação é quando um cisto de Baker rompe e o líquido desce pela panturrilha, gerando dor e inchaço que podem confundir.

Sinais que pedem avaliação rápida

Alguns sintomas merecem mais urgência por aumentarem a chance de condição relevante:

  • Inchaço importante que surgiu de repente.
  • Dor intensa ou progressiva.
  • Pele muito quente, vermelha ou com febre associada.
  • Falta de ar, dor no peito ou mal-estar (procure emergência).
  • Aumento do inchaço na panturrilha ou no pé.
  • Incapacidade de apoiar o peso na perna.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação com ortopedista especialista em doenças do joelho começa pela história clínica e exame físico, buscando identificar onde está o volume, se ele varia com o movimento, se existe derrame articular e quais testes provocam dor.

Em muitos casos, a ultrassonografia ajuda a diferenciar cisto, tendinite e alterações de partes moles.

Quando há suspeita de lesão interna (menisco, cartilagem, ligamentos) ou quando o quadro persiste, a ressonância magnética pode ser indicada.

Mas quando existe suspeita vascular, o exame mais usado é o Doppler venoso. Nessa etapa, consultar um especialista em joelho ajuda a direcionar o exame certo e evitar atrasos no diagnóstico.

O que fazer em casa com segurança

Algumas medidas simples podem reduzir o desconforto enquanto você organiza a avaliação:

  • Reduzir atividades de impacto e agachamentos profundos por alguns dias.
  • Aplicar compressa fria por 15 a 20 minutos, 2 a 3 vezes ao dia.
  • Elevar a perna quando possível.
  • Observar se o volume aumenta rapidamente ou muda de local.
  • Evitar “massagear forte” a região quando houver dor importante ou suspeita vascular.

Medicamentos anti-inflamatórios podem aliviar em alguns quadros, mas não são uma solução universal e não devem ser usados sem critério, principalmente em pessoas com gastrite, hipertensão, doença renal, uso de anticoagulantes ou histórico de alergia.

Tratamentos mais comuns

O tratamento depende da causa e da gravidade:

Quando é cisto de Baker

A abordagem costuma focar no problema que gerou o excesso de líquido dentro do joelho. Fortalecimento, ajustes de carga, fisioterapia e controle de inflamação tendem a reduzir o volume.

Em situações selecionadas, pode ser considerada aspiração guiada por imagem e infiltração, sempre com indicação bem definida.

Quando há lesão meniscal ou artrose

O plano pode incluir fisioterapia, reeducação do movimento, fortalecimento de quadríceps e glúteos, ajuste de atividades, controle de peso e, em casos específicos, procedimentos intra-articulares.

Cirurgia não é regra e só entra quando existe indicação clara.

Quando é tendinite ou sobrecarga

O foco é reduzir o gatilho (carga, gesto esportivo, repetição), corrigir a biomecânica e recuperar a força e o controle do membro inferior. O retorno ao esporte é progressivo.

FAQs

1) Inchaço atrás do joelho é sempre cisto de Baker?

Não. O cisto é comum, porém há outras causas, como derrame articular, tendinites, lesões do menisco e situações vasculares.

2) Quando o inchaço na parte de trás do joelho preocupa mais?

Quando surge de repente, aumenta rápido, vem com dor intensa, calor, vermelhidão, febre, inchaço na panturrilha ou falta de ar.

3) Compressa quente ou fria ajuda no inchaço?

Na maioria dos casos, a compressa fria é a escolha inicial para reduzir dor e inflamação nas primeiras fases.

4) O inchaço localizado atrás do joelho pode descer para a panturrilha?

Pode, especialmente se um cisto de Baker romper. O quadro pode parecer problema na panturrilha e precisa de avaliação.

5) Qual exame costuma identificar a causa do inchaço no joelho?

Ultrassom ajuda a ver cisto e partes moles. Ressonância é útil para menisco e cartilagem. Doppler é usado quando há suspeita vascular.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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