Lesões e Doenças do Joelho

Lesão osteocondral da patela: o que é e como tratar

Dor na frente do joelho, estalos e inchaço podem indicar lesão osteocondral da patela. Veja opções conservadoras e cirúrgicas.

A lesão osteocondral da patela ocorre quando a cartilagem é danificada e, em muitos casos, o osso logo abaixo também é afetado, na própria patela.

Esse quadro pode aparecer depois de um impacto direto no joelho, torções ou episódios de instabilidade patelar, quando a patela perde o alinhamento e desliza para fora do lugar.

A sobrecarga repetitiva também entra na conta, principalmente em esportes e rotinas com saltos, agachamentos frequentes e mudanças rápidas de direção.

Com a cartilagem comprometida nessa região, a dor costuma se concentrar na parte anterior do joelho.

Também é comum perceber perda de rendimento em tarefas do dia a dia, como subir escadas, levantar após ficar sentado e manter a mesma posição por períodos mais longos.

O que caracteriza uma lesão osteocondral na patela

A cartilagem articular funciona como uma superfície lisa que reduz o atrito e ajuda a distribuir cargas. Na lesão osteocondral, essa superfície perde integridade.

A gravidade pode variar bastante:

  • Pequenas fissuras e amolecimento da cartilagem.
  • Áreas de desgaste com exposição parcial do osso.
  • Fragmentos soltos (corpos livres) quando parte da cartilagem e do osso se desprende.

Quando existe fragmento intra-articular, podem ocorrer travamentos, estalos e sensação de bloqueio do movimento.

Principais causas e fatores associados

Em grande parte dos casos, a lesão está ligada a um mecanismo específico, mas fatores anatômicos e biomecânicos também pesam. Entre os mais comuns, destacam-se:

Trauma e entorse

Queda, pancada direta no joelho ou torção podem gerar cisalhamento na cartilagem patelar, com ou sem lesão do osso subcondral.

Instabilidade femoropatelar

Luxação ou subluxação da patela aumenta o risco de lesão osteocondral, já que há impacto e atrito anormal durante o deslocamento.

Sobrecarga e desalinhamentos

Alterações como aumento do ângulo Q, patela alta, displasia troclear e desequilíbrios musculares podem elevar a pressão na articulação femoropatelar.

Sintomas mais frequentes

Os sintomas variam conforme o tamanho e a profundidade da lesão, além da presença de corpos livres. Veja os achados mais relatados:

  • Dor anterior no joelho, pior ao subir e descer escadas.
  • Dor ao agachar, correr ou saltar.
  • Sensação de “areia” ou atrito dentro da articulação.
  • Derrame articular (inchaço) após esforço.
  • Estalos e travamentos, principalmente se houver fragmentos soltos.
  • Redução de força e de confiança no apoio do membro.

Se o quadro for persistente, a avaliação clínica e por imagem ajuda a evitar progressão do dano e limitações funcionais.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico combina história clínica, exame físico e exames de imagem. O médico avalia dor à palpação, crepitação, alinhamento, estabilidade patelar e padrão de movimento do quadríceps e do quadril.

Entre os exames, radiografias podem mostrar alterações ósseas e sinais indiretos, mas a ressonância magnética geralmente é a principal para avaliar cartilagem, osso subcondral, edema ósseo e corpos livres.

Em casos selecionados, a tomografia auxilia no planejamento, principalmente quando se suspeita de fragmentos osteocondrais.

Quando há dor persistente, travamentos ou suspeita de instabilidade, um médico especialista em joelho deve ser consultado para determinar a causa predominante e a estratégia mais adequada.

Tratamento: quando é conservador e quando é cirúrgico

A conduta depende de idade, nível de atividade, sintomas, estabilidade patelar, tamanho e presença de fragmentos.

Tratamento conservador

Em lesões pequenas, sem corpos livres e sem instabilidade importante, pode ser indicado um plano não cirúrgico com foco em controle de dor e função:

  • Modulação de carga e ajuste de treino.
  • Fisioterapia para fortalecimento de quadríceps, glúteos e controle do valgo dinâmico.
  • Trabalho de mobilidade e alongamentos direcionados.
  • Medidas analgésicas e anti-inflamatórias quando indicadas.
  • Retorno ao esporte guiado por critérios funcionais, não só por tempo.

O objetivo é reduzir a pressão femoropatelar, melhorar o alinhamento dinâmico e limitar episódios de irritação articular.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia pode ser considerada quando há corpo livre, travamentos, falha do tratamento conservador, lesões maiores ou instabilidade patelar associada.

As técnicas variam conforme o caso, podendo incluir:

  • Artroscopia para remoção ou fixação de fragmento osteocondral.
  • Procedimentos de reparo ou restauração da cartilagem (selecionados).
  • Correções de fatores mecânicos (quando a instabilidade é o motor do problema).

O pós-operatório costuma envolver reabilitação progressiva, com foco em controle de dor, ganho de mobilidade, fortalecimento e retorno gradual às atividades.

O que influencia a recuperação e o prognóstico

A evolução depende do tamanho da lesão, do estado do osso subcondral, da estabilidade patelar e da qualidade da reabilitação.

Persistir em cargas altas com dor e inchaço recorrentes tende a piorar o quadro.

É comum o plano de tratamento incluir metas objetivas, como redução de derrame articular, melhora de força do quadríceps e estabilidade de quadril antes de avançar para corrida e saltos.

Quando procurar avaliação com mais urgência

Procure avaliação se houver:

  • Travamento do joelho, com sensação de bloqueio.
  • Inchaço importante após trauma.
  • Episódios de luxação/subluxação da patela.
  • Dor que limita atividades diárias por semanas.
  • Perda progressiva de desempenho e confiança no joelho.

FAQs

1) Lesão osteocondral da patela é a mesma coisa que condromalácia?

Não necessariamente. Condromalácia descreve amolecimento e degeneração da cartilagem. A lesão osteocondral envolve cartilagem e pode incluir o osso abaixo dela.

2) Quais exames confirmam a lesão osteocondral?

A ressonância magnética é o exame mais usado para avaliar cartilagem, osso subcondral e possíveis fragmentos. Radiografias ajudam a analisar alinhamento e alterações ósseas.

3) A lesão pode causar travamento no joelho?

Sim. Travamentos e bloqueios podem ocorrer quando há fragmentos soltos dentro da articulação, chamados corpos livres.

4) Sempre precisa de cirurgia?

Não. Lesões pequenas e estáveis podem melhorar com tratamento conservador bem conduzido. Cirurgia entra com mais frequência quando existe corpo livre, instabilidade ou falha do plano não cirúrgico.

5) Dá para voltar ao esporte após a lesão osteocondral da patela?

Em muitos casos, sim. O retorno depende de controle de dor e inchaço, recuperação de força e estabilidade, correção de fatores mecânicos e progressão cuidadosa de carga.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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