Lesões e Doenças do Joelho

Luxação no joelho: o que é, sintomas, exames e tratamentos

Compreenda a gravidade de uma luxação no joelho, os sinais de alerta, procedimentos de emergência e opções de tratamento.

A luxação no joelho é uma lesão rara, mas grave. Ela acontece quando o fêmur e a tíbia perdem o alinhamento normal da articulação, geralmente junto com ruptura de vários ligamentos.

O ponto mais importante é este: não se trata de uma simples torção. Em alguns casos, a luxação também machuca vasos sanguíneos e nervos da perna, por isso o atendimento precisa ser rápido.

O que é luxação no joelho?

Na verdadeira luxação do joelho, os ossos da articulação saem da posição e o joelho perde a congruência normal.

Na prática, o quadro geralmente vem acompanhado de lesão importante dos ligamentos que dão estabilidade ao membro.

Mesmo quando o joelho parece ter “voltado para o lugar” sozinho, a lesão pode continuar séria, que acontece porque a articulação pode se reduzir espontaneamente antes da avaliação médica, mas o risco de dano vascular, nervoso e ligamentar continua existindo.

Principais causas

Na maioria das vezes, a lesão aparece depois de um trauma forte. Os cenários mais comuns são:

  • Acidentes de carro ou moto;
  • Queda de altura;
  • Trauma esportivo de alta energia;
  • Impacto direto com o joelho dobrado ou hiperestendido;
  • Torções graves, em alguns casos de baixa energia.

Também existem situações em que uma queda mais simples pode causar a luxação, especialmente quando há maior sobrecarga articular ou fatores que favorecem instabilidade.

Por isso, o mecanismo da lesão ajuda, mas não define sozinho a gravidade.

Sintomas

Os sinais normalmente aparecem logo após o trauma. Os mais comuns são:

Além disso, alguns sintomas exigem ainda mais atenção. Dormência, formigamento, fraqueza no pé, pele pálida, pé frio ou mudança de cor podem indicar lesão de nervo ou comprometimento da circulação.

O que fazer imediatamente

Se houver suspeita de luxação no joelho, o mais seguro é tratar como urgência médica.

Até chegar ao atendimento, a orientação geral é:

  • Não tentar colocar o joelho no lugar por conta própria;
  • Evitar apoiar o peso na perna machucada;
  • Manter o membro o mais imóvel possível;
  • Usar gelo envolto em pano para ajudar no inchaço;
  • Procurar pronto-socorro sem demora.

Forçar movimentos ou insistir em “testar” o joelho pode piorar a lesão. Em luxações, o risco não é só a dor: é também o dano às estruturas ao redor.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pelo exame clínico. O médico avalia a deformidade, o inchaço, a estabilidade da articulação e, principalmente, a circulação e a sensibilidade da perna.

Depois disso, os exames ajudam a confirmar a extensão do problema. Os mais usados são:

  • Radiografia, para verificar alinhamento e possíveis fraturas;
  • Ressonância magnética, para estudar ligamentos, meniscos, cartilagem e outras lesões associadas;
  • Tomografia, quando há fratura ou necessidade de detalhar melhor o osso;
  • Angio-TC ou outros exames vasculares, quando existe suspeita de lesão da artéria.

Em alguns casos, o exame vascular é tão importante quanto o exame ortopédico. Isso acontece porque a artéria poplítea pode ser lesionada mesmo quando ainda existe pulso aparente no pé.

Como é o tratamento

O primeiro passo é a redução da luxação, que é a recolocação da articulação na posição correta, que deve ser feito em ambiente médico, com controle de dor e segurança.

Depois da redução, o joelho precisa ser estabilizado. Dependendo do caso, pode envolver tala, imobilizador, órtese ou até fixador externo.

A partir daí, o tratamento é definido conforme as lesões associadas.

Em muitos pacientes, há indicação de cirurgia porque a luxação verdadeira geralmente vem com ruptura de múltiplos ligamentos e, às vezes, lesões em meniscos, cartilagem, nervos ou vasos.

Quando existe comprometimento do fluxo sanguíneo, a abordagem vascular passa a ser imediata.

Nem todo caso segue exatamente o mesmo roteiro. A combinação entre tipo de lesão, estado da circulação, presença de fraturas e perfil do paciente é que define o plano final.

Recuperação e fisioterapia

A recuperação da luxação no joelho é demorada. Não é uma lesão que melhora em poucos dias, e o retorno total às atividades pode levar meses.

A fisioterapia tem papel central nesse processo. Ela ajuda a recuperar movimento, força, equilíbrio, estabilidade e confiança para voltar a caminhar, subir escadas e, mais adiante, praticar atividade física.

O retorno ao esporte ou ao trabalho pesado não deve ser guiado só pelo calendário.

O joelho precisa mostrar estabilidade, boa força muscular, controle do movimento e ausência de sinais de sobrecarga importante.

Possíveis complicações

As complicações variam conforme a energia do trauma e o tempo até o atendimento. As principais são:

  • Lesão da artéria poplítea;
  • Lesão do nervo fibular;
  • Instabilidade crônica;
  • Rigidez articular;
  • Dor persistente;
  • Lesão de menisco e cartilagem;
  • Artrose precoce.

Por isso, um dos maiores erros é tratar a luxação como se fosse apenas uma entorse forte. A demora no diagnóstico pode mudar o desfecho da lesão.

Quando procurar ajuda com urgência

Na suspeita de luxação no joelho, o ideal já é buscar atendimento imediato. Mas alguns sinais tornam a urgência ainda mais clara:

  • Joelho visivelmente fora do lugar;
  • Dor intensa com incapacidade de andar;
  • Pé frio, pálido ou arroxeado;
  • Dormência ou perda de força no pé;
  • Piora rápida do inchaço;
  • Sensação de que a perna está “morta” ou sem circulação.

Mesmo que o joelho tenha voltado ao lugar sozinho, isso não elimina o risco.

Se houve trauma importante, deformidade inicial ou instabilidade marcada, a avaliação com um ortopedista com ampla experiência em lesões no joelho continua sendo necessária.

Perguntas frequentes

Luxação no joelho sempre precisa de cirurgia?

Nem sempre, mas muitos casos precisam. A decisão depende da estabilidade do joelho, das lesões ligamentares associadas e, principalmente, da presença de dano vascular, nervoso ou fraturas.

O joelho pode voltar sozinho para o lugar?

Pode. Isso acontece em parte dos casos e pode enganar o paciente. Mesmo assim, a lesão continua potencialmente grave e precisa de investigação.

Luxação no joelho pode deixar sequelas?

Pode, sobretudo quando há lesão de vasos, nervos, cartilagem ou múltiplos ligamentos. Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento corretos, melhores tendem a ser as chances de recuperação funcional.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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