Recuperação e Pós-Operatório

Quanto tempo o joelho fica inchado após cirurgia?

Entenda quanto tempo o joelho fica inchado após cirurgia, fatores que prolongam o edema e cuidados para reduzir o inchaço.

Sentir inchaço no joelho depois de uma cirurgia é uma parte comum do processo de recuperação.

A articulação passou por um trauma controlado: houve manipulação de tecidos, possível sangramento microscópico, reação inflamatória e, muitas vezes, uso de soro para distender a articulação durante a artroscopia.

O ponto que mais preocupa é entender o que é esperado e o que foge do padrão.

A resposta para quanto tempo o joelho fica inchado após cirurgia depende do tipo de procedimento, do nível de atividade, do controle da dor, da qualidade da reabilitação e de fatores individuais, como tendência a retenção de líquido e histórico de inflamação articular.

O que é considerado normal no pós-operatório

Nos primeiros dias, o inchaço costuma ser mais evidente. Ele pode aumentar no fim do dia, principalmente se a perna ficar muito tempo para baixo ou se houver caminhada acima do recomendado.

Em cirurgias menos invasivas, a tendência é o volume reduzir de forma gradual com repouso relativo, gelo e fisioterapia.

Também é comum o joelho parecer “pesado”, com sensação de pressão interna. Em muitos pacientes, a pele ao redor fica mais sensível e a flexão pode ficar limitada temporariamente pelo edema.

Quanto tempo o joelho fica inchado após cirurgia na prática

A seguir, uma referência realista por tipo de cirurgia, considerando um pós-operatório sem complicações:

Artroscopia simples (limpeza, plica, pequenas regularizações)

  • Inchaço mais intenso: 3 a 7 dias.
  • Redução progressiva: 2 a 4 semanas.
  • Pequeno edema residual: pode persistir por 6 a 8 semanas, variando com esforço.

Cirurgia de menisco (sutura ou meniscectomia)

  • Inchaço mais intenso: 1 a 2 semanas.
  • Redução progressiva: 4 a 8 semanas.
  • Edema após atividade: pode aparecer por 2 a 3 meses.

Reconstrução do LCA ou LCP

  • Inchaço mais intenso: 2 a 3 semanas.
  • Redução progressiva: 8 a 12 semanas.
  • Oscilações de volume: podem ocorrer por 3 a 6 meses, principalmente após fisioterapia mais exigente.

Prótese total do joelho

  • Inchaço mais intenso: 3 a 6 semanas.
  • Redução progressiva: 3 a 6 meses.
  • Edema residual: pode persistir por 6 a 12 meses em parte dos pacientes.

Esses prazos variam, só que ajudam a calibrar a expectativa. A pergunta central não é apenas “quanto tempo”, e sim se o inchaço está diminuindo ao longo das semanas.

Fatores que fazem o inchaço durar mais

Alguns pontos atrasam a regressão do edema, mesmo quando a cirurgia foi bem-sucedida:

  • Excesso de caminhada ou treino fora do que foi liberado.
  • Falta de elevação da perna ao longo do dia.
  • Uso irregular de gelo no período inicial.
  • Dor mal controlada, que aumenta tensão muscular e inflamação.
  • Rigidez e dificuldade de ativar o quadríceps, levando a marcha compensada.
  • Derrame articular recorrente durante a reabilitação.
  • Retorno precoce ao trabalho com longos períodos em pé.

Quando o paciente alterna dias de melhora com dias de piora, vale revisar a carga e a rotina de fisioterapia. Em muitos casos, um ajuste simples já muda o cenário.

O que ajuda a reduzir o edema com segurança

Medidas úteis, em geral, são aquelas que diminuem a pressão e inflamação sem agredir o joelho:

  • Elevar a perna acima do nível do coração por períodos curtos ao longo do dia.
  • Gelo por 15 a 20 minutos, com proteção na pele, respeitando orientação médica.
  • Compressão elástica quando indicada, sem apertar demais.
  • Exercícios de bombeamento da panturrilha e ativação guiada do quadríceps.
  • Caminhadas curtas, com progressão, sem “pagar o preço” depois.
  • Fisioterapia focada em mobilidade, controle de edema e ganho de força.

Em casos de dúvida sobre limites e progressão, consultar um especialista em joelho ajuda a alinhar expectativa com o tipo de cirurgia e o estágio real de cicatrização.

Sinais de alerta que pedem avaliação

Inchaço pode ser normal, só que alguns sinais não devem ser ignorados:

  1. Febre, calafrios ou mal-estar associado ao joelho quente e muito doloroso.
  2. Vermelhidão que se expande, secreção na ferida ou odor.
  3. Dor na panturrilha, endurecimento, aumento de volume assimétrico, falta de ar.
  4. Inchaço que piora semana após semana, sem tendência de queda.
  5. Limitação importante que não progride com a reabilitação.
  6. Dor intensa fora do padrão esperado para o procedimento.

Essas situações precisam de contato com a equipe que operou ou avaliação presencial.

Quando o inchaço “vai e volta” durante a fisioterapia

Oscilar é comum quando a reabilitação entra em fases mais ativas. Um padrão típico é: melhora do edema com repouso e elevação, e retorno do volume após sessões mais fortes ou aumento de passos.

O objetivo é manter esse retorno dentro de um limite tolerável, sem derrame persistente por dias.

Se o joelho passa a inchar com facilidade, pode ser sinal de carga acima do ideal, fraqueza muscular ainda relevante ou inflamação sinovial que precisa de ajuste no plano.

FAQ

1) Quanto tempo o joelho fica inchado após cirurgia de artroscopia?

Em geral, o inchaço maior ocorre na primeira semana e vai reduzindo em 2 a 4 semanas, com possível edema leve por mais tempo.

2) É normal o joelho inchar mais no fim do dia no pós-operatório?

Sim. Ficar muito tempo com a perna para baixo e caminhar além do recomendado costuma aumentar o edema ao final do dia.

3) O joelho pode ficar inchado por 3 meses após cirurgia?

Pode, especialmente após reconstrução ligamentar ou cirurgias com maior agressão tecidual. O importante é notar tendência de melhora.

4) Gelo e elevação realmente ajudam a diminuir o inchaço?

Ajudam bastante quando feitos de forma correta e regular, principalmente nas primeiras semanas, junto com reabilitação bem ajustada.

5) Quando o inchaço no joelho após cirurgia deixa de ser normal?

Quando piora progressivamente, vem com febre, vermelhidão intensa, secreção, dor fora do padrão ou sinais na panturrilha, exige avaliação.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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