Recuperação e Pós-Operatório

Quanto tempo para andar após cirurgia de LCA?

Saiba quanto tempo para andar após cirurgia de LCA e como funciona a progressão para a marcha independente.

Quando a dúvida é sobre quanto tempo para andar após cirurgia de LCA, na maioria dos casos, o paciente não fica totalmente sem andar após a cirurgia.

O mais comum é começar a caminhar com muletas e apoio parcial logo nos primeiros dias, com progressão gradual conforme a dor, o inchaço e o controle do joelho.

Para muitos pacientes, andar sem muletas acontece entre 2 e 4 semanas. Só que isso não é uma regra fixa.

No caso de reparo de menisco, mais inchaço, menos força na coxa ou um protocolo mais conservador, esse prazo pode ser maior.

Quanto tempo para andar após cirurgia de LCA?

Em geral, a recuperação da caminhada segue esta lógica:

  • Primeiros dias: marcha com muletas e apoio conforme a liberação do cirurgião.
  • Entre 2 e 3 semanas: parte dos pacientes já começa a pôr mais peso na perna e a reduzir o uso das muletas.
  • Entre 2 e 4 semanas: muitos conseguem caminhar sem apoio, desde que não estejam mancando.
  • Após 4 a 8 semanas: a marcha fica mais natural, sobretudo quando houve procedimento associado, como menisco.

O ponto principal é simples: não basta largar a muleta, é preciso andar bem. Se o paciente tira o apoio cedo demais e passa a mancar, o joelho incha mais, a dor aumenta e a reabilitação pode atrasar.

Como é a caminhada nas primeiras semanas

Cada equipe usa um protocolo próprio, mas existe um padrão que aparece com frequência no pós-operatório.

Primeiros dias

Logo depois da alta, a prioridade é controlar a dor e inchaço, recuperar a extensão do joelho e voltar a ativar a musculatura da coxa.

Nessa fase, muitos pacientes já conseguem ficar em pé e dar alguns passos com muletas no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia.

O ritmo ainda é lento. O joelho costuma ficar sensível, a perna parece pesada e existe insegurança para apoiar o peso. Isso é esperado no começo.

Da 1ª à 2ª semana

Aqui o paciente normalmente continua com muletas, mas já começa a apoiar melhor o pé no chão, conforme orientação médica.

A fisioterapia ganha um papel central, porque ajuda a reduzir o inchaço, melhorar o movimento e recuperar o controle muscular.

Se a evolução vai bem, o apoio aumenta aos poucos. Quando o joelho estica bem, a dor está controlada e a marcha fica mais estável, a dependência das muletas começa a cair.

Da 2ª à 4ª semana

Esse é o período em que muitos pacientes deixam as muletas. Em cirurgias isoladas do LCA, sem lesões associadas importantes, esse avanço acontece com mais rapidez.

Mesmo assim, a liberação não deve ser baseada só no calendário.

O ideal é observar se o paciente consegue andar sem mancar, sem aumento importante do inchaço e sem sensação de falseio.

Depois de 1 mês

Com cerca de 30 dias, boa parte dos pacientes já caminha pequenas distâncias sem apoio e com mais confiança.

Ainda pode haver rigidez leve, cansaço no fim do dia e desconforto em escadas ou terrenos irregulares.

Isso não significa recuperação completa. Correr, saltar, girar e voltar ao esporte exigem mais tempo, mais força e testes funcionais antes da liberação.

O que pode atrasar esse prazo

Nem todo paciente segue a mesma linha de recuperação. Alguns fatores podem prolongar o uso de muletas ou retardar a marcha mais natural.

Reparo de menisco ou outras lesões associadas

Quando a cirurgia do LCA vem acompanhada de reparo de menisco ou outra lesão no joelho, o protocolo é mais conservador. Nesses casos, a carga na perna pode ser limitada por mais tempo.

Dor, inchaço e derrame no joelho

Se o joelho incha sempre que o paciente anda mais, é um sinal de que a progressão talvez esteja rápida demais. Inchaço persistente pode atrapalhar a flexão, a extensão e o controle muscular.

Fraqueza do quadríceps

A musculatura da frente da coxa costuma perder força depois da cirurgia. Sem recuperar essa base, o paciente até consegue dar passos, mas tem dificuldade para estabilizar o joelho e evitar a marcha mancando.

Medo de apoiar

Isso também pesa. Alguns pacientes têm boa evolução física, mas continuam travados por insegurança. Nessas horas, o treino guiado da marcha faz diferença.

O que ajuda a voltar a andar melhor

A recuperação anda mais rápido quando o paciente faz o básico bem feito, todos os dias, sem tentar pular etapas.

Fazer fisioterapia cedo e com constância

A fisioterapia ajuda a recuperar extensão, flexão, força e confiança ao caminhar. Sem esse processo, é comum o joelho ficar rígido e a marcha atrasar.

Controlar o inchaço

Gelo, elevação da perna e respeito ao volume de atividade ajudam muito. Joelho muito inchado quase sempre anda pior.

Respeitar a carga liberada

Alguns pacientes podem apoiar o peso mais cedo. Outros precisam de um avanço mais lento. O melhor caminho é seguir o que foi liberado para o seu caso, e não o relato de outra pessoa.

Não normalizar a marcha torta

Andar “de qualquer jeito” para largar logo a muleta não é boa ideia. A meta não é só caminhar, é caminhar sem compensar.

Quando falar com o médico antes da consulta de revisão

Alguns sintomas pedem contato mais rápido com o ortopedista especialista de joelho para avaliar a recuperação da cirurgia:

  • Febre;
  • Dor forte na panturrilha;
  • Saída excessiva de secreção pela ferida;
  • Dor fora do esperado ou difícil de controlar;
  • Vermelhidão, calor local ou mau cheiro na ferida;
  • Aumento repentino do inchaço.

Esses sinais não significam, por si só, uma complicação grave, mas merecem avaliação.

E quando dá para correr ou voltar ao esporte?

Essa é outra dúvida comum. Caminhar sem muletas acontece muito antes do retorno esportivo.

Em muitos protocolos, a corrida só entra depois de alguns meses, quando o joelho já recuperou força, movimento e controle.

Para esporte com giro, mudança de direção e contato, a volta é ainda mais tardia.

Por isso, sentir-se “quase normal” ao andar não quer dizer que o joelho já esteja pronto para futebol, corrida intensa ou treino pesado.

Perguntas frequentes

Posso apoiar o pé no chão logo depois da cirurgia?

Em muitos casos, sim. O apoio costuma ser liberado de forma progressiva, com muletas e conforme a orientação do cirurgião. Isso muda quando existe outro procedimento associado.

Quanto tempo vou usar muletas?

Na cirurgia isolada do LCA, muitos pacientes usam muletas por 2 a 4 semanas. Quando houve reparo de menisco ou protocolo mais conservador, esse tempo pode aumentar.

É normal mancar no começo?

Sim, especialmente nos primeiros dias. O que não é ideal é manter a marcha mancando por muito tempo ou piorar depois de ter melhorado.

Subir escada está liberado cedo?

Depende da fase da reabilitação e do controle do joelho. Em geral, escadas exigem mais cuidado do que caminhar em linha reta, principalmente no início.

Com 30 dias já vou estar andando normal?

Muitos pacientes já andam sem muletas nessa fase, mas nem todos estão com marcha totalmente normal. Ainda pode existir inchaço leve, rigidez e insegurança.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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