Lesões e Doenças do Joelho

Dor no Joelho Pode Ser Trombose? Conheça os Sintomas

Saiba se a dor no joelho pode ser trombose, aprenda a identificar os sinais de alerta e quando buscar atendimento urgente.

Sim, dor no joelho pode ser trombose, mas geralmente acontece quando a dor está mais relacionada à parte de trás do joelho e à perna do que à articulação em si.

Quando surgem inchaço unilateral, calor, vermelhidão e dor na panturrilha, a suspeita aumenta bastante.

A melhor conduta é simples: não tentar adivinhar. Se houver sinais compatíveis com trombose, procure avaliação médica rápida, e se aparecer falta de ar ou dor no peito, trate como emergência.

Quando a dor no joelho pode ser trombose

A trombose venosa profunda surge quando há formação de um coágulo em uma veia localizada nas camadas mais profundas da perna. Se a veia poplítea, situada na parte posterior do joelho, for atingida, a dor pode se concentrar nessa região.

Isso explica por que algumas pessoas associam a trombose ao joelho. O problema é que o quadro costuma começar mais na perna, sobretudo na panturrilha, do que na articulação em si.

O que chama mais atenção

Os sinais que mais aumentam a suspeita são:

  • Inchaço em uma perna só;
  • Dor ou sensibilidade na panturrilha;
  • Calor local;
  • Vermelhidão ou mudança de cor da pele;
  • Desconforto atrás do joelho junto com sensação de peso na perna.

Em alguns pacientes, os sintomas são discretos. Em outros, a trombose pode até passar despercebida no começo, o que reforça a importância de não ignorar um inchaço novo e unilateral.

Quais sintomas merecem mais atenção

Nem toda dor atrás do joelho sugere algo grave. O sinal de alerta aparece quando a dor não vem sozinha e se junta a mudanças visíveis na perna.

Um jeito simples de pensar é: quanto mais a dor se parece com um problema circulatório, e menos com uma dor mecânica do joelho, maior a necessidade de investigação.

Sinais que aumentam a suspeita de TVP

Procure avaliação médica o quanto antes se houver:

  • Dor atrás do joelho ou na panturrilha que piorou sem motivo claro;
  • Inchaço repentino em uma perna;
  • Sensação de calor na área dolorida;
  • Vermelhidão, escurecimento ou outra alteração de cor;
  • Veias mais aparentes do que o normal;
  • Dor ao caminhar ou ao ficar parado por muito tempo.

Quando a dor é causada por trombose, ela vem acompanhada de inchaço unilateral. Já as dores articulares comuns pioram com movimento específico, treino, trauma ou esforço.

O que mais pode causar dor atrás do joelho

Essa é uma dúvida comum, porque várias condições imitam a trombose. E muitas delas são bem mais frequentes do que um coágulo na veia poplítea.

Por isso, olhar apenas para a localização da dor não basta. O contexto clínico é o que faz diferença.

Causas comuns que podem confundir

Entre os diagnósticos que mais entram nessa comparação estão:

  • Cisto de Baker, que pode causar volume e pressão atrás do joelho;
  • Lesão muscular na panturrilha ou na parte posterior da coxa;
  • Tendinite ou distensão;
  • Lesão de menisco, sobretudo na região posterior;
  • Artrose com dor irradiada para trás do joelho;
  • Dor irradiada da coluna ou do nervo ciático.

Um cisto de Baker rompido, por exemplo, pode provocar dor, inchaço e vermelhidão na perna, parecendo trombose.

Nesses casos, consultar um ortopedista especialista em joelho traz mais precisão ao diagnóstico, pois o exame médico e o ultrassom ajudam a separar uma situação da outra.

Quem tem mais risco de trombose

A trombose não surge do nada na maioria dos casos. Em geral, existe um conjunto de fatores que favorece a formação do coágulo.

O risco sobe ainda mais quando mais de um fator está presente ao mesmo tempo, que é comum depois de cirurgia, durante períodos longos de imobilidade ou em pessoas com doenças associadas.

Principais fatores de risco

Os fatores mais importantes são:

  • Cirurgia recente, especialmente em abdômen, pelve, quadril ou pernas;
  • Repouso prolongado ou pouca mobilidade;
  • Viagem longa sentado, sem pausas;
  • Idade mais avançada;
  • Obesidade;
  • Gravidez e pós-parto;
  • Uso de estrogênio, como anticoncepcionais hormonais;
  • Câncer e alguns tratamentos oncológicos;
  • Trombose anterior;
  • Histórico familiar de trombose;
  • Trauma importante na perna.

Em quem fez cirurgia no joelho ou ficou muitos dias com a perna parada, a atenção deve ser maior. Nessa fase, dor e inchaço podem até parecer parte da recuperação, mas às vezes escondem um problema vascular.

Quando é urgência

O maior medo em uma trombose venosa profunda é a embolia pulmonar, que acontece quando parte do coágulo se desprende e vai para o pulmão.

Essa complicação pode colocar a vida em risco. Por isso, alguns sintomas não devem esperar consulta marcada.

Vá ao pronto-socorro imediatamente se houver

  • Falta de ar súbita;
  • Dor no peito, principalmente ao respirar fundo;
  • Tosse com sangue;
  • Desmaio ou sensação de desmaio;
  • Batimento muito acelerado ou irregular.

Esses sinais podem aparecer mesmo quando a pessoa não percebeu sintomas claros na perna. Se isso acontecer, a prioridade é atendimento de urgência.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico não deve ser feito só pela dor ou pelo exame físico. Sinais antigos, como apertar a panturrilha ou forçar o pé, não são confiáveis para confirmar ou excluir trombose.

Hoje, a avaliação segue uma sequência mais segura. Primeiro, o médico analisa os sintomas, os fatores de risco e a probabilidade clínica. Depois, decide quais exames realmente fazem sentido.

Exames mais usados

Os exames mais comuns são:

  • Avaliação clínica com escore de probabilidade;
  • Exame de sangue chamado D-dímero;
  • Ultrassom Doppler das veias da perna.

Quando a suspeita é maior, o ultrassom é o principal exame para confirmar se o sangue está fluindo normalmente e onde está o coágulo.

Em alguns casos, se o primeiro ultrassom vier negativo e o D-dímero vier positivo, pode ser preciso repetir o exame alguns dias depois.

Como é o tratamento

O tratamento depende da localização do coágulo, da intensidade dos sintomas e do risco de sangramento. Na maioria das vezes, a base do tratamento é o uso de anticoagulantes.

Esses remédios não desfazem o coágulo na hora, mas impedem que ele aumente e reduzem o risco de novos eventos. Em muitos pacientes, o tratamento dura pelo menos 3 meses, podendo ser estendido conforme a causa e o risco de recorrência.

O que pode fazer parte do tratamento

Dependendo do caso, o plano pode incluir:

  • Anticoagulantes por comprimido ou injeção;
  • Acompanhamento clínico regular;
  • Orientação para voltar a andar de forma gradual, quando liberado;
  • Elevação da perna para aliviar o edema;
  • Medidas de compressão em casos selecionados, conforme orientação médica.

Procedimentos mais invasivos, como trombólise por cateter ou filtro de veia cava, ficam reservados para situações específicas. Eles não são a regra e precisam de avaliação individualizada.

O que esperar da recuperação

A recuperação varia de pessoa para pessoa. Alguns pacientes melhoram rápido nas primeiras semanas, enquanto outros mantêm inchaço ou sensação de peso por mais tempo.

O acompanhamento é importante porque o tratamento não termina no dia em que a dor melhora. É preciso revisar risco de sangramento, tempo de anticoagulação, retorno às atividades e sinais de recorrência.

Durante a recuperação, vale observar se:

  1. O inchaço está diminuindo ou piorando.
  2. A dor está ficando mais localizada ou mais difusa.
  3. Houve falta de ar, dor no peito ou tosse inesperada.
  4. Surgiram hematomas ou sangramentos durante o uso do remédio.

Também é essencial seguir a prescrição exatamente como foi passada. Em trombose, interromper ou ajustar a medicação por conta própria pode ser perigoso.

Perguntas frequentes

Uma trombose pode provocar incômodo na parte de trás do joelho?

Sim. Quando o coágulo atinge vasos profundos próximos à região poplítea, o desconforto pode aparecer atrás do joelho e se estender pela perna.

Como diferenciar trombose de uma lesão comum no joelho?

Lesões articulares costumam piorar com certos movimentos. Na trombose, é mais comum haver aumento do volume de apenas um membro, mudança na temperatura da pele e dor na panturrilha.

Qual exame confirma a presença de um coágulo na perna?

O ultrassom Doppler venoso é o método mais usado. Conforme a avaliação médica, também pode ser solicitado o exame de D-dímero.

Quem teve trombose precisa tomar anticoagulante para sempre?

Nem sempre. A duração do uso varia conforme a causa, a localização do coágulo, o risco de novos episódios e a possibilidade de sangramento. A decisão deve ser individualizada.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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