Microfratura no Joelho: Como Funciona o Tratamento
Descubra o que é microfratura no joelho e para quais lesões a técnica pode ser indicada.
Dor, inchaço e dificuldade para movimentar o joelho podem surgir quando uma parte da cartilagem é danificada.
Como esse tecido tem pouca capacidade de se reparar sozinho, a lesão pode permanecer sintomática mesmo após um período de repouso.
A microfratura no joelho é uma cirurgia usada em alguns desses casos. Por meio da artroscopia, o ortopedista faz pequenas perfurações no osso abaixo da área lesionada para estimular a formação de um tecido que recobre o defeito.
A técnica não serve para qualquer desgaste do joelho. A indicação depende do tamanho da lesão, da região atingida, da idade do paciente e das condições gerais do joelho.
O que é microfratura no joelho?
A microfratura no joelho faz parte das técnicas de estimulação da medula óssea. Durante a cirurgia, o ortopedista remove fragmentos instáveis, prepara as bordas do defeito e realiza pequenas perfurações no osso subcondral.
O sangramento gerado nessas perfurações forma um coágulo sobre a área sem cartilagem. Com o passar das semanas, esse coágulo amadurece e origina um tecido de reparo chamado fibrocartilagem.
A fibrocartilagem pode reduzir o contato direto com o osso exposto e melhorar os sintomas, mas apresenta composição e resistência diferentes da cartilagem hialina que reveste naturalmente o joelho.
Para quais lesões a técnica pode ser indicada?
A cirurgia pode ser considerada quando existe uma lesão condral focal, profunda e associada a sintomas que persistem mesmo após o tratamento não cirúrgico.
Os resultados tendem a ser melhores quando o defeito é pequeno e está cercado por cartilagem saudável.
A avaliação também observa:
- Localização e profundidade da lesão;
- Condição do osso subcondral;
- Presença e grau de artrose;
- Alinhamento da perna;
- Estabilidade dos ligamentos;
- Estado dos meniscos;
- Idade e demanda física;
- Tratamentos já realizados.
A presença de uma alteração na ressonância magnética, isoladamente, não define a necessidade de cirurgia. O achado precisa ser relacionado à dor, ao exame físico e às limitações apresentadas pelo paciente.
Quando a microfratura pode não ser a melhor opção?
A microfratura no joelho geralmente não é a primeira escolha para desgaste difuso da articulação ou lesões muito extensas.
O resultado também pode ser prejudicado quando existem desalinhamento importante, instabilidade ligamentar, perda meniscal relevante ou dano profundo no osso subcondral.
Nessas situações, tratar somente a cartilagem pode não resolver a sobrecarga que provocou ou mantém o problema.
O planejamento pode exigir correção do alinhamento, reparo de ligamentos, tratamento de lesão do menisco ou escolha de outra técnica de restauração osteocondral.
Pacientes com artrose avançada também precisam de uma análise diferente, pois a microfratura foi desenvolvida principalmente para defeitos localizados, e não para o desgaste de várias regiões do joelho.
Como a cirurgia é realizada?
O procedimento costuma ser feito por artroscopia, com uma câmera e instrumentos introduzidos por pequenas incisões. O cirurgião examina toda a articulação antes de tratar a área lesionada.
As etapas podem incluir:
- Retirada de fragmentos soltos ou instáveis.
- Regularização das bordas da lesão.
- Preparação da base do defeito.
- Criação de pequenos orifícios no osso subcondral.
- Confirmação do sangramento vindo da medula óssea.
Os orifícios precisam ser distribuídos sem destruir a estrutura óssea que existe entre eles. O objetivo é permitir a formação do coágulo que servirá de base para o novo tecido de reparo.
A microfratura no joelho pode ser realizada sozinha ou acompanhada de outros procedimentos. Essa decisão depende das alterações encontradas e do objetivo da cirurgia.
A microfratura regenera a cartilagem original?
Não. O principal resultado biológico da técnica é a formação de fibrocartilagem, um tecido capaz de preencher o defeito, mas que não reproduz todas as propriedades da cartilagem hialina.
A cartilagem original possui uma organização preparada para suportar pressão, atrito e movimentos repetitivos.
Já a fibrocartilagem tem menor quantidade de colágeno tipo II e pode apresentar resistência inferior quando submetida a cargas elevadas durante muitos anos.
Essa diferença ajuda a explicar por que alguns pacientes melhoram durante os primeiros anos e podem apresentar perda parcial do benefício com o tempo.
A durabilidade varia conforme a qualidade do reparo, o tamanho do defeito, a carga aplicada e o estado geral da articulação.
Como é a recuperação?
A reabilitação precisa proteger o coágulo inicial sem deixar que o joelho permaneça parado por tempo excessivo.
O protocolo muda conforme a região tratada, por exemplo, lesões nos côndilos femorais recebem carga diferente das lesões localizadas na patela ou na tróclea.
Nas primeiras semanas, o paciente pode precisar de muletas e restrição parcial ou total do apoio. O movimento deve ser iniciado de modo controlado para reduzir a rigidez e favorecer a circulação do líquido sinovial.
O apoio completo, a bicicleta, a corrida e os exercícios com impacto são liberados em momentos diferentes. Não existe um prazo único. A evolução clínica, o local da lesão, o tamanho do defeito e os procedimentos associados orientam cada etapa.
Tentar acelerar a carga sem liberação pode prejudicar o tecido que ainda está amadurecendo. Manter o joelho imóvel por muito tempo também pode favorecer perda muscular e limitação de movimento.
Quanto tempo leva para voltar ao esporte?
O retorno esportivo após microfratura no joelho leva vários meses. Atividades leves podem ser retomadas antes, enquanto corrida, saltos e mudanças rápidas de direção exigem força, mobilidade e controle adequados.
Em muitos protocolos, o retorno a esportes de impacto ocorre a partir de seis meses, podendo avançar para nove meses ou mais.
O calendário não deve ser o único critério. Dor, inchaço, perda de força ou resposta ruim ao aumento da carga indicam que a progressão precisa ser revista.
Quais resultados podem ser esperados?
O procedimento pode diminuir a dor e melhorar a função em lesões focais bem indicadas. Pacientes mais jovens, defeitos menores e áreas com boa contenção tendem a apresentar resposta mais favorável.
A técnica não garante que o joelho volte ao estado anterior à lesão. Alguns casos mantêm desconforto, apresentam preenchimento incompleto do defeito ou perdem parte da melhora ao longo dos anos.
A localização também influencia o resultado. Defeitos nos côndilos femorais podem responder de forma diferente das lesões encontradas na articulação entre a patela e a tróclea.
O acompanhamento permite ajustar a reabilitação e identificar sinais de sobrecarga. Manter força muscular, controlar o peso corporal e respeitar a progressão das atividades ajuda a preservar o resultado.
Existem alternativas à microfratura?
A escolha depende das características da lesão e do paciente. Algumas possibilidades:
- Condroplastia;
- Transplante osteocondral;
- Enxerto osteocondral de doador;
- Implante de condrócitos;
- Técnicas associadas a membranas ou matrizes;
- Osteotomias para correção do alinhamento.
Nenhum método serve para todos os defeitos. Lesões grandes, falhas de cirurgias anteriores e comprometimento do osso subcondral podem exigir uma estratégia diferente.
O tratamento também pode incluir fisioterapia, ajuste das atividades, fortalecimento muscular, controle do peso e medicamentos para aliviar os sintomas.
Essas medidas não reconstroem uma lesão profunda, mas podem reduzir a sobrecarga e melhorar a função em determinados casos.
Quais são os riscos do procedimento?
Como qualquer cirurgia, a microfratura pode apresentar complicações. Os riscos incluem infecção, sangramento, rigidez, trombose, dor persistente e resposta inadequada do tecido de reparo.
Também pode ocorrer falha no preenchimento da lesão ou desgaste progressivo da fibrocartilagem. Alguns pacientes precisam de uma nova cirurgia quando os sintomas permanecem ou retornam.
A análise cuidadosa da indicação e o cumprimento da reabilitação reduzem riscos evitáveis, mas não eliminam todas as possibilidades.
Quando procurar um especialista?
Dor recorrente, inchaço após esforço, travamento, perda de movimento ou limitação esportiva merecem investigação.
O ortopedista especialista em joelho com atuação em lesões e reabilitação funcional avalia se a origem dos sintomas está na cartilagem ou em estruturas como meniscos, ligamentos e osso subcondral.
A decisão pela microfratura no joelho deve ser individual. Antes da cirurgia, é preciso entender o tipo de tecido que será formado, o tempo de proteção da área e as limitações esperadas durante a recuperação.
Perguntas frequentes
Microfratura no joelho é uma fratura comum?
Não. Nesse contexto, o termo descreve pequenas perfurações feitas de maneira controlada durante a cirurgia para estimular o reparo de uma lesão de cartilagem.
É possível andar depois da cirurgia?
Muitos pacientes usam muletas e seguem alguma restrição de apoio nas primeiras semanas. O protocolo depende da localização e do tamanho da área tratada.
A cartilagem volta a ser como antes?
A técnica produz principalmente fibrocartilagem, que não possui a mesma estrutura nem a mesma resistência da cartilagem hialina original.
A microfratura serve para artrose?
Ela não costuma ser indicada para artrose difusa. Pode ser discutida em lesões focais específicas, desde que o restante da articulação apresente condições favoráveis.



