Lesões e Doenças do Joelho

Gota no Joelho: Sintomas e Tratamentos

Entenda o que é gota no joelho, seus sinais de alerta, fatores de risco e os tratamentos para controlar a dor e a inflamação aguda.

A gota no joelho pode acontecer, sim. Embora o dedão do pé seja o local mais lembrado, o joelho também pode inflamar quando cristais de urato se acumulam dentro da articulação.

Quando isso acontece, o quadro chama atenção. A dor aparece de repente, o joelho incha, fica quente e sensível, e até encostar pode incomodar bastante.

Como esses sinais também podem surgir em infecção, pseudogota e outras artrites agudas, o mais importante é não tentar adivinhar a causa em casa.

O que é gota no joelho

A gota é um tipo de artrite inflamatória ligado ao excesso de urato no organismo. Com o tempo, esse excesso pode formar cristais que se depositam nas articulações e provocam crises de dor e inflamação.

No joelho, a crise pode ser bem intensa porque a articulação pode acumular líquido e perder o movimento rapidamente.

Nem toda pessoa com ácido úrico alto desenvolve gota, mas, quando os cristais se formam, a inflamação pode surgir de forma súbita e forte.

Outra característica importante é que a doença vem em fases. A pessoa pode ter uma crise, melhorar por dias, semanas ou meses, e depois voltar a apresentar sintomas se a causa de base não for controlada.

Principais sintomas

Na prática, os sinais mais comuns são estes:

Em muitos pacientes, a crise melhora em alguns dias ou em até duas semanas, porém, não significa que o problema desapareceu.

Sem tratamento adequado, as crises podem ficar mais frequentes, durar mais e trazer dano articular ao longo do tempo.

Por que a gota aparece

A explicação central é simples: o corpo produz urato demais, elimina urato de menos, ou faz as duas coisas ao mesmo tempo.

Quando esse equilíbrio sai do lugar, os cristais podem se formar e desencadear a crise.

Alguns fatores aumentam esse risco com mais frequência:

  • Excesso de peso;
  • Consumo de álcool, especialmente em excesso;
  • Dieta rica em alimentos com muitas purinas, como vísceras, algumas carnes e certos frutos do mar;
  • Bebidas açucaradas em grande quantidade;
  • Doença renal crônica;
  • Pressão alta, diabetes e síndrome metabólica;
  • Uso de alguns remédios, como certos diuréticos;
  • Histórico familiar de gota.

Trauma, cirurgia, desidratação, infecções e mudanças bruscas no organismo também podem servir de gatilho para uma crise em quem já tem predisposição.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico.

O médico avalia como a dor começou, se houve crises anteriores, se há febre, se o joelho ficou vermelho e quente e quais doenças ou remédios podem estar por trás do quadro.

O ponto mais importante é lembrar que ácido úrico alto ajuda, mas não fecha diagnóstico sozinho.

Quando o joelho está muito inflamado ou há dúvida sobre a causa, a punção articular tem grande valor.

Nesse procedimento, o médico retira um pouco do líquido do joelho para análise. É a forma mais útil de procurar cristais de urato e, ao mesmo tempo, afastar infecção.

Exames que podem ser pedidos

Dependendo do caso, o médico pode solicitar:

  • Exame de sangue para dosagem de ácido úrico;
  • Análise do líquido sinovial;
  • Ultrassonografia;
  • Tomografia específica em casos selecionados;
  • Radiografia quando há suspeita de dano articular ou outras causas de dor.

Nem todo paciente precisa de tudo ao mesmo tempo. O exame certo depende do quadro, da intensidade da crise e das dúvidas que precisam ser respondidas.

Como é o tratamento

O tratamento tem duas metas. A primeira é aliviar a crise atual. A segunda é impedir que novas crises aconteçam e que a articulação sofra desgaste com o passar do tempo.

Durante a crise

Na fase aguda, o foco é controlar a dor e inflamação. Os remédios mais usados são anti-inflamatórios, colchicina e corticoides, sempre conforme avaliação médica, histórico de saúde e outros medicamentos em uso.

Além dos remédios, algumas medidas simples podem ajudar:

  • Repouso relativo;
  • Gelo por curtos períodos;
  • Elevação da perna;
  • Redução da carga no joelho enquanto a dor estiver forte;
  • Boa hidratação.

Em casos selecionados, a retirada do líquido do joelho pode aliviar a pressão e ainda ajudar no diagnóstico.

Alguns pacientes também podem receber corticoide na própria articulação, mas isso depende da avaliação do médico e da necessidade de afastar infecção antes.

Para evitar novas crises

Depois que a crise melhora, entra a parte mais importante do cuidado: controlar o urato ao longo do tempo quando houver indicação. É isso que reduz o risco de repetição.

O remédio mais usado como primeira escolha é o alopurinol. Quando ele não é bem tolerado ou não resolve como esperado, outras opções podem ser avaliadas, como o febuxostate.

Em geral, o objetivo é manter o ácido úrico em alvo, normalmente abaixo de 6 mg/dL, com ajuste gradual e acompanhamento.

Não é um tratamento que funciona só pela dor do dia. Ele serve para mexer na raiz do problema e traz mais resultado quando a pessoa mantém o plano mesmo fora das crises.

O que ajuda a prevenir

Mudança de hábito não substitui remédio quando há indicação médica, mas ajuda bastante no controle da gota. Em muitos casos, é a soma das medidas que faz o quadro entrar nos trilhos.

Veja alguns cuidados úteis costumam:

  1. Perder peso, se houver excesso.
  2. Beber água ao longo do dia.
  3. Reduzir álcool.
  4. Evitar exageros com vísceras, carnes em excesso e certos frutos do mar.
  5. Diminuir refrigerantes e bebidas açucaradas.
  6. Revisar com o médico remédios que possam elevar o ácido úrico.
  7. Tratar pressão alta, diabetes, obesidade e doença renal quando presentes.

Não precisa transformar a rotina em uma lista impossível. O melhor caminho é ajuste gradual, consistente e realista.

Quando procurar atendimento sem demora

Nem todo episódio precisa de pronto-socorro, mas alguns sinais pedem avaliação rápida:

  • Febre junto com joelho muito quente, vermelho e inchado;
  • Incapacidade de apoiar o peso;
  • Dor muito intensa com piora rápida;
  • Primeiro episódio com grande inchaço;
  • Trauma recente antes do quadro;
  • Mal-estar importante;
  • Suspeita de infecção;
  • Repetição frequente das crises.

Esse cuidado é importante porque um joelho inflamado pode ser gota, mas também pode ser artrite infecciosa, que exige abordagem urgente.

O que pode acontecer se não tratar

Quando a gota fica sem controle por muito tempo, a tendência é a doença sair do padrão de crises isoladas e começar a deixar marcas.

A articulação pode sofrer erosões, perder mobilidade e desenvolver deformidades.

Também podem surgir tofos, que são depósitos de cristais em tecidos próximos, além de aumento do risco de cálculos renais.

Por isso, é tão importante buscar um ortopedista especializado em joelho para avaliar o quadro, pois tratar cedo é bem mais simples do que tentar corrigir um problema já avançado.

Perguntas frequentes

Gota no joelho causa dor forte?

Sim. A gota no joelho pode causar dor intensa, geralmente com início repentino. O joelho também pode ficar inchado, quente, vermelho e muito sensível ao toque. Em alguns casos, a pessoa sente dificuldade até para apoiar o peso do corpo na perna.

Ácido úrico alto sempre significa gota?

Não. O ácido úrico alto aumenta o risco, mas não confirma o diagnóstico sozinho. Existem pessoas com ácido úrico elevado que nunca desenvolvem gota. Também pode acontecer de o exame não mostrar grande alteração durante uma crise. Por isso, a avaliação médica é importante.

Como saber se é gota ou infecção no joelho?

Os sintomas podem ser parecidos, principalmente quando há dor forte, inchaço, calor local e vermelhidão. A diferença nem sempre aparece apenas no exame físico. Quando há dúvida, o médico pode pedir exames e, em alguns casos, retirar líquido do joelho para análise.

Gota no joelho tem cura?

A gota pode ser controlada. O tratamento ajuda a aliviar a crise e, quando indicado, reduz o ácido úrico para diminuir o risco de novos episódios. O controle depende de acompanhamento, uso correto dos remédios e ajustes na rotina, principalmente alimentação, hidratação e redução do álcool.

Quando procurar atendimento?

A avaliação deve ser rápida se houver febre, dor muito forte, piora rápida, joelho muito quente e inchado, dificuldade para pisar ou primeiro episódio com grande inchaço. Esses sinais precisam de atenção porque outras doenças, como infecção articular, também podem causar sintomas parecidos.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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