Anatomia e Saúde Geral

Ligamento Anterolateral do Joelho: Entenda Sua Função

Saiba qual o papel do ligamento anterolateral do joelho, como acontecem as lesões e as opções de tratamento.

Quando o ligamento cruzado anterior é lesionado, a instabilidade pode não depender apenas dele. Parte do excesso de rotação da tíbia também pode estar ligada ao comprometimento do ligamento anterolateral do joelho.

A avaliação não fica restrita a esse ligamento.

O ortopedista de joelho com especialização em tratamentos ortopédicos avançados considera todo o complexo anterolateral, formado por tecidos que trabalham em conjunto para limitar a rotação excessiva da tíbia.

Essa visão evita diagnósticos simplificados e ajuda a escolher o tratamento conforme o risco e as necessidades de cada pessoa.

O que é o ligamento anterolateral do joelho?

Na face anterolateral do joelho, o ligamento anterolateral do joelho faz a ligação entre o fêmur e a tíbia.

Ele parte de uma área próxima ao epicôndilo lateral e se fixa abaixo, no intervalo anatômico que separa o tubérculo de Gerdy da cabeça da fíbula.

Suas fibras também mantêm relação com o menisco lateral. Por isso, ele participa de um conjunto anatômico que trabalha durante movimentos de giro, desaceleração e mudança de direção.

Embora seja menor que o LCA, sua função não deve ser julgada apenas pelo tamanho.

O LAL fica abaixo de camadas do trato iliotibial, o que pode dificultar sua avaliação. Além disso, pequenas diferenças anatômicas entre pessoas são esperadas.

Qual é a função do ligamento anterolateral?

A principal função do ligamento anterolateral é ajudar a limitar a rotação interna excessiva da tíbia. Esse controle se torna importante quando o joelho flexionado recebe forças de giro, como ocorre no futebol ou no basquete.

O LAL trabalha em conjunto com o ligamento cruzado anterior e com estruturas laterais do joelho.

O LCA controla principalmente a translação anterior da tíbia, enquanto o complexo anterolateral contribui para a estabilidade rotacional. Quando mais de uma estrutura está lesionada, a sensação de falseio pode aumentar.

Por esse motivo, a reconstrução do LCA pode não resolver toda instabilidade em determinados casos. No entanto, isso não significa que o ligamento anterolateral deva ser reconstruído em todas as cirurgias.

Como acontece a lesão?

A lesão costuma ocorrer durante o mesmo trauma que rompe o LCA. Em geral, o pé permanece apoiado enquanto o corpo gira, o joelho entra em valgo e a tíbia roda internamente, mas o movimento pode acontecer sem contato direto.

Os sinais variam porque raramente o problema envolve apenas uma estrutura. A pessoa pode perceber estalo, inchaço, dor, dificuldade para apoiar o peso e insegurança ao girar.

Depois da fase aguda, o sintoma mais marcante pode ser o joelho falseando durante mudanças rápidas de direção.

Algumas situações aumentam a suspeita de comprometimento anterolateral:

  • Falseio frequente em movimentos de pivô;
  • Teste de pivot shift de alto grau;
  • Fratura de Segond nos exames;
  • Lesão crônica do LCA com instabilidade;
  • Falha de uma reconstrução anterior do LCA.

Esses achados não devem ser interpretados isoladamente. O diagnóstico depende da combinação entre mecanismo do trauma, exame físico, imagens e nível de atividade.

Como o diagnóstico é feito?

A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre o acidente e os sintomas. Em seguida, o ortopedista examina estabilidade, movimento, inchaço e força muscular, além de realizar testes como Lachman e pivot shift.

O pivot shift é especialmente útil para avaliar a instabilidade rotacional, mas pode ser difícil em pessoas com dor ou contração muscular.

Por isso, seu resultado precisa ser relacionado aos demais achados e, em algumas situações, fica mais confiável sob anestesia.

A ressonância magnética ajuda a confirmar a lesão do LCA, avaliar meniscos, cartilagem e contusões ósseas, além de procurar sinais no complexo anterolateral.

Radiografias também podem ajudar quando mostram a fratura de Segond, uma pequena avulsão na parte externa da tíbia. Mesmo assim, a decisão de tratamento não deve depender apenas desse sinal.

Quando a reconstrução combinada pode ser indicada?

A reconstrução do LAL ou uma tenodese extra-articular lateral pode ser associada à cirurgia do LCA para melhorar o controle de rotação.

As recomendações atuais reforçam que o procedimento adicional deve ser considerado conforme o perfil do paciente. Entre os fatores que podem pesar na decisão estão:

  • Pivot shift grau 3;
  • Cirurgia de revisão do LCA;
  • Retorno planejado a esportes com pivô;
  • Idade jovem e alta demanda esportiva;
  • Hiperextensão ou frouxidão ligamentar;
  • Instabilidade crônica sintomática.

Outras características, como inclinação posterior aumentada da tíbia, lesão prévia do LCA no outro joelho e maturidade esquelética, também podem ser consideradas.

Já sinais isolados de ressonância não indicam automaticamente uma reconstrução extra-articular.

Existem duas abordagens frequentes: a reconstrução anatômica do ligamento anterolateral e a tenodese extra-articular lateral. A escolha depende da técnica do cirurgião, da anatomia e do caso, pois não existe uma opção superior para todos.

Como são o tratamento e a recuperação?

Quando não existe indicação cirúrgica imediata, o tratamento pode começar com controle do inchaço, recuperação do movimento e fisioterapia. O objetivo é restaurar força, equilíbrio e controle neuromuscular, enquanto a estabilidade é reavaliada.

Nos casos operados, a reconstrução do LCA continua sendo o procedimento principal. A técnica anterolateral é adicionada quando o benefício esperado supera os riscos.

Como toda cirurgia, ela pode causar dor, rigidez ou irritação no local de fixação, embora as taxas de complicação sejam geralmente baixas.

A reabilitação é guiada por critérios, e não apenas pelo calendário. O paciente precisa recuperar movimento, controlar o inchaço, fortalecer quadríceps e músculos posteriores, além de evoluir para corrida, saltos e mudanças de direção.

O retorno ao esporte não deve depender somente da ausência de dor. Testes de força, estabilidade, qualidade do movimento e confiança ajudam a reduzir o risco de nova lesão.

Quando procurar avaliação especializada?

Procure atendimento após entorse com estalo, inchaço rápido, dificuldade para apoiar o pé ou sensação de falseio. Também é importante investigar instabilidade persistente depois de uma lesão antiga ou de uma cirurgia do LCA.

O tratamento deve ser individualizado, pois nem toda alteração de imagem exige operação e nem toda instabilidade é explicada por um único ligamento.

Uma avaliação completa permite proteger o joelho, planejar a reabilitação e decidir com mais segurança sobre o retorno ao esporte.

Perguntas frequentes

O ligamento anterolateral aparece na ressonância magnética?

Ele pode ser visualizado, principalmente quando o exame tem boa qualidade e é analisado por profissional experiente. Porém, suas fibras são finas e oblíquas, o que dificulta a leitura. Por isso, a ressonância complementa o diagnóstico, mas não substitui o exame físico nem a avaliação do conjunto de lesões.

Toda lesão do LCA precisa de reconstrução do ligamento anterolateral?

Não. A cirurgia combinada é reservada para pacientes com risco maior de instabilidade ou falha, como atletas jovens, pessoas com pivot shift importante ou casos de revisão. A indicação deve considerar atividade, exame físico, anatomia e objetivos, evitando procedimentos adicionais sem benefício claro.

A fratura de Segond significa que o LCA está rompido?

A fratura de Segond tem forte associação com lesões do LCA e do complexo anterolateral, portanto, exige investigação cuidadosa. Mesmo assim, ela não define sozinha a extensão do dano nem a melhor cirurgia. Ressonância magnética, exame físico e histórico do trauma completam a avaliação.

A cirurgia combinada aumenta o tempo de recuperação?

Nem sempre. Protocolos atuais costumam manter princípios semelhantes aos da reabilitação após reconstrução do LCA, embora cada caso exija ajustes. Lesões de menisco, cartilagem, rigidez, força muscular e resposta individual podem influenciar mais o prazo do que o procedimento anterolateral isoladamente.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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