Lesões e Doenças do Joelho

Síndrome Patelofemoral: Causas, Sintomas e Tratamentos

Saiba o que é a síndrome patelofemoral, sinais que merecem atenção e como tratar.

Dor na frente do joelho ao agachar, descer escadas ou ficar muito tempo sentado costuma acender um alerta.

Esse padrão é bem comum na síndrome patelofemoral, um problema que também recebe o nome de dor femoropatelar ou, em alguns casos, joelho de corredor.

Apesar do apelido, ela não aparece só em quem corre.

Também pode surgir em adolescentes, adultos sedentários que voltam a treinar sem preparo e pessoas que passam o dia alternando entre subir escadas, ajoelhar ou permanecer sentadas por muito tempo.

O que é síndrome patelofemoral

A síndrome patelofemoral é uma dor que aparece ao redor ou atrás da patela, que acontece quando a articulação entre a patela e o fêmur começa a receber mais carga do que é capaz de tolerar.

Não existe uma causa única.

Na maioria dos casos, o quadro envolve uma combinação de sobrecarga, fraqueza muscular, rigidez, mudanças bruscas na rotina e alterações na forma como o joelho se move durante a atividade.

Ela pode afetar apenas um joelho ou os dois. Quando não recebe atenção, tende a persistir e atrapalhar tarefas simples do dia a dia.

Principais sintomas

O sintoma mais comum é uma dor vaga ou em peso na parte da frente do joelho.

Algumas pessoas apontam a dor com a mão espalmada, e não com um dedo só, porque o incômodo é mais difuso.

Os sinais mais frequentes são

Nem sempre há inchaço importante. Quando existe edema marcante, travamento ou dor intensa após trauma, vale pensar em outras lesões e buscar avaliação.

Causas e fatores de risco

A dor patelofemoral geralmente aparece quando a carga no joelho sobe mais rápido do que a capacidade de adaptação do corpo.

É comum depois de aumentar treino, trocar de calçado, mudar a superfície da corrida ou voltar a se exercitar após um período parado.

Fraqueza no quadríceps e nos músculos do quadril, especialmente glúteos, também entra nessa conta.

Quando esses músculos não controlam bem o movimento, a patela pode sofrer mais estresse durante escadas, corrida, agachamento e salto.

Outros fatores que podem contribuir são rigidez em panturrilha e parte de trás da coxa, excesso de peso, pés mais pronados, desalinhamentos dos membros inferiores e técnica inadequada de corrida ou salto.

Em mulheres, o problema é mais frequente, porém, pode acontecer em qualquer pessoa.

Como é diagnosticada

O diagnóstico é principalmente clínico, ou seja, a história dos sintomas e o exame físico dizem mais do que um exame de imagem isolado.

Na consulta, o médico avalia onde dói, quais movimentos pioram o quadro, há quanto tempo o problema começou e se existe relação com treino, trabalho ou trauma.

Também observa força muscular, flexibilidade, alinhamento do membro inferior e padrão de movimento.

Radiografia ou ressonância podem ser úteis em situações específicas, e podem ser pedidas quando há dúvida diagnóstica, trauma, piora progressiva, suspeita de lesão associada ou falta de melhora após tratamento conservador.

Como tratar

Na maioria dos casos, o tratamento da instabilidade patelofemoral não envolve cirurgia. O foco é reduzir a dor, controlar a sobrecarga e recuperar a função do joelho.

Quase sempre começa com ajuste temporário das atividades que pioram o quadro.

Em vez de insistir na corrida, no agachamento profundo ou nos saltos, o ideal é adaptar a carga por alguns dias ou semanas, sem parar tudo de forma desnecessária.

O que funciona melhor

Exercícios terapêuticos são a base do tratamento. O trabalho consiste em fortalecimento de quadríceps, glúteos e musculatura do tronco, além de ganho de mobilidade e reeducação do movimento.

Gelo pode ajudar nas fases mais dolorosas, principalmente depois da atividade.

Medicamentos para dor e inflamação podem ser usados em alguns casos, mas sempre com orientação médica.

Taping, joelheira e palmilha podem ajudar em pacientes selecionados. Eles não substituem a fisioterapia, mas podem aliviar os sintomas e facilitar o retorno gradual às atividades.

Cirurgia é comum?

Não. Cirurgia é exceção, não regra.

Ela só é considerada quando existe alteração estrutural importante, instabilidade da patela, lesão associada ou falha persistente do tratamento conservador bem conduzido.

Antes disso, a maior parte dos pacientes melhora com reabilitação e correção de carga.

Exercícios e cuidados

O melhor programa é sempre individualizado, porque o joelho pode doer pelo mesmo nome, mas por motivos diferentes.

Os exercícios mais usados envolvem fortalecimento do quadríceps, glúteo médio e glúteo máximo, além de mobilidade de panturrilha, posterior da coxa e quadril.

Em muitos casos, o fisioterapeuta também trabalha controle do joelho em movimentos como sentar, subir degrau e agachar.

No começo, vale evitar movimentos que provoquem dor forte ou mantenham o joelho muito dobrado sob carga.

A ideia não é ficar parado, e sim escolher um nível de esforço que ajude o joelho a se recuperar sem irritar ainda mais a articulação.

Quando procurar avaliação médica

Nem toda dor no joelho é emergência, mas alguns sinais merecem atenção.

Procure um ortopedista especialista de joelho com abordagem individualizada se a dor durar mais do que alguns dias e não melhorar, ou se estiver ficando mais frequente.

Também vale consultar um especialista se houver:

  • Inchaço importante;
  • Travamento do joelho;
  • Sensação repetida de instabilidade;
  • Dificuldade para apoiar o peso;
  • Dor forte após queda, torção ou impacto;
  • Vermelhidão, febre ou calor local.

Esses sinais podem indicar outro problema além da síndrome patelofemoral.

Em quanto tempo melhora?

O tempo de melhora varia bastante.

Casos mais leves podem responder em poucas semanas, enquanto quadros mais persistentes levam alguns meses, principalmente quando a dor já vinha sendo ignorada há muito tempo.

O que mais pesa no resultado não é pressa. É consistência no tratamento, ajuste de carga e retorno progressivo ao exercício.

Como prevenir novas crises

A prevenção passa menos por um truque isolado e mais por rotina bem feita.

O joelho responde melhor quando a carga sobe de forma gradual e a musculatura está preparada para o que a pessoa faz no dia a dia ou no esporte.

Algumas medidas simples ajudam bastante:

  1. Aumentar treino e impacto aos poucos.
  2. Fortalecer quadril, coxa e core com regularidade.
  3. Manter boa mobilidade de panturrilha e posterior da coxa.
  4. Revisar calçado, técnica e superfície de treino quando necessário.
  5. Respeitar dor persistente em vez de treinar por cima dela.

Quem já teve esse problema precisa ter atenção extra no retorno à corrida, ao funcional e aos exercícios com flexão profunda do joelho. Voltar rápido demais é um dos erros mais comuns.

Perguntas frequentes

Síndrome patelofemoral tem cura?

Na maior parte dos casos, melhora bem com tratamento conservador. O ponto central é reduzir a sobrecarga, fortalecer a musculatura e ajustar o retorno às atividades.

Por que o joelho dói ao descer escadas?

Descer escadas aumenta a carga entre a patela e o fêmur. Quando existe fraqueza muscular, excesso de treino ou alteração no movimento, essa região pode ficar mais irritada.

Posso treinar com síndrome patelofemoral?

Depende da intensidade da dor e do tipo de exercício. Em geral, não é preciso parar tudo, mas a carga deve ser ajustada para evitar piora do quadro.

Todo caso precisa de ressonância?

Não. O diagnóstico costuma ser clínico, feito pela história do paciente e exame físico. A ressonância pode ser pedida quando há dúvida, trauma, piora progressiva ou falta de melhora.

Quando devo procurar um ortopedista?

Procure avaliação se a dor persistir, piorar com frequência, causar instabilidade, dificultar apoio do peso ou vier acompanhada de inchaço, travamento, febre ou dor forte após trauma.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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