Lesões e Doenças do Joelho

Caroço no Joelho: O Que Pode Ser e Como Tratar

Entenda as possíveis causas de um caroço no joelho e quando buscar um especialista para diagnóstico.

Perceber um caroço no joelho assusta, principalmente quando ele aparece de repente ou começa a doer.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, esse volume está ligado a causas benignas, como cistos, bursites e inflamações locais.

Ainda assim, não vale tentar adivinhar sozinho.

O lugar em que o caroço aparece, o tempo de evolução, a presença de dor e sinais como calor, vermelhidão ou crescimento rápido ajudam muito a entender o que pode estar acontecendo.

O que um caroço no joelho pode indicar

Caroço no joelho é um jeito popular de descrever qualquer nódulo, inchaço localizado ou massa ao redor da articulação.

Ele pode ser formado por líquido, tecido inflamado, gordura, pele espessada ou, mais raramente, por alterações ósseas ou da membrana sinovial.

Nem todo caroço nasce “dentro” do joelho. Alguns ficam atrás da articulação, outros aparecem na frente da patela, ao lado da linha articular ou apenas na pele da região.

Essa diferença de localização é um dos primeiros passos para levantar as hipóteses mais prováveis.

Principais causas

Existem várias possibilidades, mas algumas aparecem com muito mais frequência no consultório.

Em geral, as causas mudam conforme a idade, o histórico de trauma e o ponto exato em que o volume surgiu.

Cisto de Baker, quando o caroço fica atrás do joelho

O cisto de Baker é uma das causas mais comuns de caroço na parte de trás do joelho.

Ele se forma quando há excesso de líquido dentro da articulação, que acaba se acumulando na região posterior e cria uma sensação de bola, pressão ou aperto.

Pode acontecer junto com outros problemas no joelho, como artrose, inflamação articular ou lesão no menisco.

Em alguns casos, o cisto quase não dói. Em outros, incomoda ao dobrar ou esticar totalmente a perna.

Se esse cisto rompe, a dor pode descer para a panturrilha e vir com inchaço. Esse quadro pode se parecer com trombose, portanto, merece avaliação médica mais rápida.

Bursite, quando o volume aparece na frente do joelho

Na frente do joelho, uma causa comum é a bursite pré-patelar ou infrapatelar.

As bursas são pequenas bolsas que reduzem o atrito entre pele, tendões e osso. Quando inflamam, podem formar um inchaço arredondado e doloroso.

É um quadro que pode acontecer após pancadas, quedas, tempo excessivo ajoelhado ou movimentos repetitivos. O joelho fica sensível ao toque e pode incomodar bastante ao apoiar no chão.

Quando a bursite vem com calor local forte, vermelhidão e febre, a possibilidade de infecção precisa ser descartada logo.

Doença de Osgood-Schlatter, mais comum em adolescentes

Em adolescentes em fase de crescimento, um caroço logo abaixo da patela pode estar ligado à doença de Osgood-Schlatter.

Nessa situação, a região onde o tendão patelar se prende à tíbia fica inflamada e mais saliente.

Esse quadro aparece muito em quem corre, salta ou pratica esporte com frequência. O caroço geralmente é duro, doloroso e piora com atividade física, agachamento, corrida ou subida de escadas.

Nem sempre o problema exige algo complexo. Muitas vezes, melhora com ajuste de carga, gelo e reabilitação orientada.

Cisto parameniscal, quando o caroço fica ao lado da articulação

Quando o volume aparece mais para o lado do joelho, perto da linha articular, uma hipótese importante é o cisto parameniscal.

Ele costuma estar relacionado a uma lesão do menisco, que permite o escape de líquido para a periferia da articulação.

Além do caroço, a pessoa pode sentir dor localizada, fisgada, estalos ou desconforto ao girar o joelho. Nesses casos, a ressonância magnética ajuda bastante, porque mostra o cisto e a lesão associada.

Lesões de pele e tecido subcutâneo

Nem todo caroço no joelho vem da articulação. Às vezes, o volume está na pele ou no tecido logo abaixo dela, como acontece com cisto epidermoide, lipoma ou verruga.

Essas alterações são mais superficiais, móveis ou claramente limitadas à pele. Mesmo assim, não é uma boa ideia apertar, furar ou tentar “estourar”, porque pode inflamar o local e dificultar o diagnóstico.

Causas mais raras

Em uma parcela menor dos casos, o caroço pode estar ligado a condromatose sinovial, alterações da sinóvia, tumores benignos ou, mais raramente, tumores malignos.

Mas não significa que todo nódulo seja algo grave, mas mostra por que massas persistentes precisam ser examinadas com cuidado.

O que mais chama atenção nesses quadros não é só o tamanho. Crescimento progressivo, dor fora do padrão, rigidez importante e piora noturna mudam o nível de atenção.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com conversa e exame físico.

O médico avalia onde o caroço está, se ele é duro ou macio, se parece cheio de líquido, se dói à palpação e se o joelho também apresenta derrame, limitação de movimento ou sinais de inflamação.

Quando há necessidade, os exames de imagem entram para confirmar a suspeita e excluir outras causas. Os mais usados são:

  • Ultrassonografia, útil para diferenciar lesões líquidas e superficiais;
  • Radiografia, importante quando há trauma, suspeita óssea ou sinais de artrose;
  • Ressonância magnética, melhor para menisco, cartilagem, ligamentos e massas intra-articulares.

Na prática, o exame mais adequado depende da hipótese clínica. Nem todo caroço no joelho precisa de ressonância logo de início.

Como tratar

O tratamento depende da causa, não apenas do tamanho do caroço.

Em muitos casos, o foco principal é tratar o problema de base, como uma bursite, uma lesão meniscal ou uma inflamação que esteja produzindo líquido em excesso.

Medidas conservadoras

Boa parte dos casos melhora sem cirurgia. As medidas iniciais envolvem ajuste temporário das atividades, gelo, analgesia orientada e fisioterapia para controle de dor, mobilidade e fortalecimento.

Quando o quadro é leve e não há sinal de urgência, esse caminho já resolve muita coisa. Cistos de Baker pequenos, por exemplo, podem diminuir ao controlar a causa articular por trás deles.

Punção, infiltração e cirurgia

Alguns quadros exigem procedimentos. Em situações selecionadas, pode haver punção, drenagem ou infiltração, sempre conforme o diagnóstico e a avaliação do especialista.

A cirurgia é reservada para os casos persistentes, sintomáticos ou ligados a uma lesão que não melhora com tratamento clínico, por exemplo, em alguns cistos paramenisais associados à lesão do menisco ou em massas que precisam ser retiradas para definição diagnóstica.

Quando procurar atendimento mais rápido

Alguns sinais pedem mais atenção e não devem ser ignorados. Vale buscar avaliação sem demora quando houver:

  • Crescimento progressivo do caroço;
  • Massa endurecida ou pouco móvel;
  • Dor que piora à noite ou fica cada vez mais forte;
  • Joelho vermelho, quente e muito sensível;
  • Febre junto com dor e inchaço;
  • Incapacidade de apoiar a perna;
  • Deformidade após trauma;
  • Dor e inchaço repentinos na panturrilha.

Esses sinais não significam, por si só, algo grave. Mas são situações em que errar por excesso de calma pode atrasar um diagnóstico importante.

Se o nódulo está crescendo, dói mais do que deveria, apareceu junto com vermelhidão, febre ou limita seus movimentos, a consulta com ortopedista especialista em joelho traz mais precisão ao diagnóstico.

Quanto antes a causa for entendida, mais fácil é o tratamento.

Perguntas frequentes

Caroço no joelho é sempre sinal de algo grave?

Não. Na maioria dos casos, o caroço no joelho está ligado a causas benignas, como cisto de Baker, bursite, cisto parameniscal ou alterações superficiais da pele. Mesmo assim, todo nódulo que cresce, dói muito, fica duro ou aparece com vermelhidão e febre precisa ser avaliado.

O que pode ser um caroço atrás do joelho?

Um caroço atrás do joelho pode estar ligado ao cisto de Baker, que surge quando há acúmulo de líquido na parte posterior da articulação. Ele pode causar sensação de pressão, aperto, dor ao dobrar a perna ou desconforto ao caminhar.

Quando devo me preocupar com um caroço no joelho?

A preocupação aumenta quando o caroço cresce rápido, fica endurecido, causa dor forte, limita os movimentos ou vem junto com febre, calor local e vermelhidão. Dor e inchaço repentinos na panturrilha também merecem avaliação rápida.

Qual exame detecta a causa do caroço no joelho?

Depende da suspeita clínica. A ultrassonografia ajuda a avaliar cistos e lesões superficiais. A radiografia pode ser indicada em casos de trauma ou suspeita óssea. A ressonância magnética é usada quando há suspeita de lesão no menisco, cartilagem, ligamentos ou massas mais profundas.

Caroço no joelho precisa de cirurgia?

Nem sempre. Muitos casos melhoram com repouso relativo, gelo, medicamentos orientados e fisioterapia. A cirurgia fica reservada para situações persistentes, dolorosas, associadas a lesões internas ou quando existe dúvida sobre a natureza do caroço.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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