Tratamentos e Procedimentos

Como é Feita a Infiltração no Joelho: Passo a Passo

Entenda como é feita a infiltração no joelho, como se preparar e cuidados após o procedimento.

Uma dúvida muito comum entre quem está fazendo o procedimento pela primeira vez é sobre como é feita a infiltração no joelho, em que o médico aplica uma substância dentro da articulação.

Antes da aplicação, é preciso entender a causa da dor e os tratamentos já realizados, pois a indicação correta importa mais do que o produto escolhido.

O que é a infiltração no joelho

Também chamada de injeção intra-articular, a infiltração leva o medicamento diretamente ao espaço da articulação. O objetivo é controlar os sintomas e facilitar a recuperação dos movimentos.

Ela pode ser considerada em casos de artrose, sinovite, derrame articular e algumas crises inflamatórias. Porém, dores causadas por tendões, bursas, meniscos ou coluna podem exigir outra abordagem.

Por isso, o procedimento não deve ser feito apenas porque o joelho dói. O ortopedista de joelho com ampla experiência em procedimentos minimamente invasivos relaciona sintomas, exame físico e, quando necessário, exames de imagem.

Quando a infiltração pode ser indicada

A aplicação costuma entrar no plano quando medidas mais simples não trouxeram alívio suficiente. Também pode ajudar o paciente a participar melhor da fisioterapia.

Entre as situações avaliadas pelo médico estão:

  • Artrose com dor persistente;
  • Inflamação da membrana sinovial;
  • Acúmulo de líquido na articulação;
  • Crise dolorosa que limita o movimento;
  • Necessidade de alívio temporário durante a reabilitação.

A infiltração não cura a artrose nem reconstrói, sozinha, a cartilagem desgastada. Ela funciona melhor junto com fortalecimento, atividade física adequada e controle do peso.

Quais substâncias podem ser aplicadas

Não existe uma única “infiltração para o joelho”. Cada substância tem finalidade, tempo de resposta e limitações próprias.

Corticoide

O corticoide tem ação anti-inflamatória e pode aliviar uma crise com dor e inchaço. O efeito começa rápido, mas geralmente é temporário.

Diretrizes atuais reservam essa opção para alívio de curto prazo. Aplicações repetidas exigem cautela, principalmente em pessoas com diabetes ou cirurgia planejada.

Ácido hialurônico

O ácido hialurônico é usado na viscossuplementação. Ele busca melhorar as propriedades do líquido articular e pode reduzir sintomas em alguns pacientes.

Os resultados variam e não deve ser apresentado como tratamento obrigatório ou solução garantida.

Plasma rico em plaquetas

O plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP, é preparado com o sangue do próprio paciente. Após centrifugação, uma parte concentrada é aplicada na articulação.

Há estudos mostrando melhora em alguns grupos, mas os protocolos ainda variam. O PRP não garante regeneração da cartilagem, e sua indicação deve considerar evidências, custos e alternativas.

Como é feita a infiltração no joelho: passo a passo

O procedimento ocorre em consultório ou sala preparada, sem internação. A sequência muda conforme o diagnóstico, a substância e a necessidade de ultrassom.

  1. Avaliação clínica: o médico confirma o diagnóstico, revisa exames, medicamentos, alergias e condições de saúde.
  2. Posicionamento: o paciente fica sentado ou deitado, com o joelho na posição escolhida para o acesso.
  3. Limpeza da pele: a região recebe antisséptico, e todo o material utilizado deve ser estéril.
  4. Controle do desconforto: pode ser usado anestésico local, conforme a técnica e a sensibilidade do paciente.
  5. Punção: se houver muito líquido, o médico pode aspirar parte dele antes da aplicação.
  6. Aplicação e curativo: a agulha é posicionada, o produto é injetado lentamente e um curativo simples é colocado.

Quando existe suspeita de infecção, gota ou outra artrite, o líquido retirado pode seguir para análise. Nesse caso, a punção também ajuda no diagnóstico.

A infiltração dói e quanto tempo demora?

A maioria das pessoas sente a picada, pressão e um desconforto breve. O anestésico pode reduzir a dor, embora nem sempre seja necessário.

A aplicação geralmente dura poucos minutos. Sedação geralmente não é usada, e o paciente costuma ir para casa logo depois.

Nas primeiras horas, o joelho pode ficar sensível ou mais dolorido. Essa reação melhora com repouso relativo e os cuidados orientados.

Como se preparar

Antes do procedimento:

  • Informe todos os medicamentos usados, inclusive anticoagulantes e suplementos. Não suspenda nenhum remédio por conta própria, pois essa decisão depende do risco de sangramento;
  • Avise também sobre alergias, diabetes, gravidez, amamentação, febre recente ou infecção. Feridas e vermelhidão na pele sobre o joelho podem impedir a aplicação naquele momento;
  • No dia, use roupa que facilite o acesso à articulação;
  • Evite cremes na região e leve os exames solicitados.

Cuidados depois da infiltração

O médico pode orientar repouso relativo por 24 a 48 horas. Caminhadas curtas são possíveis, mas corrida, academia pesada e impacto devem esperar.

Uma bolsa fria envolvida em pano pode ser usada por 10 a 15 minutos. O retorno ao trabalho, à direção e aos exercícios depende da dor e da atividade realizada.

Procure avaliação rápida se aparecerem:

  • Febre ou mal-estar;
  • Dor que aumenta de forma importante;
  • Joelho muito quente, vermelho ou inchado;
  • Secreção no local da punção;
  • Dificuldade crescente para apoiar a perna.

A infecção articular é rara, mas precisa de atendimento urgente. Não espere vários dias quando os sintomas pioram em vez de melhorar.

Riscos e contraindicações

Os efeitos mais comuns são dor passageira, pequeno sangramento, inchaço e sensibilidade. Também podem ocorrer reação ao produto, manchas na pele e aumento temporário da glicemia após corticoide.

A aplicação deve ser adiada ou evitada diante de:

  1. Infecção dentro da articulação.
  2. Infecção ou ferida no ponto da punção.
  3. Alergia conhecida ao produto.
  4. Problema de coagulação sem controle.
  5. Condição clínica que aumente o risco.

Pessoas com prótese, uso de anticoagulantes ou cirurgia planejada exigem avaliação específica. O médico deve comparar benefício, risco de infecção e possível interferência no tratamento futuro.

Perguntas frequentes

A infiltração no joelho dói?

A sensação varia conforme a sensibilidade, o volume aplicado e a presença de inflamação. Em geral, o paciente sente uma picada e pressão por alguns segundos. O anestésico local pode diminuir o desconforto, embora não seja usado em todas as técnicas. Dor intensa ou que piora progressivamente precisa de avaliação.

Quanto tempo dura o efeito?

Não existe um prazo igual para todos. O corticoide oferece alívio de curto prazo, muitas vezes entre duas e dez semanas. O ácido hialurônico e o PRP podem ter resposta mais lenta e variável. Diagnóstico, grau de desgaste, força muscular e nível de atividade influenciam a duração percebida.

Quantas infiltrações podem ser feitas por ano?

Não há um número universal para qualquer produto e paciente. O intervalo depende da substância, do benefício obtido, dos efeitos adversos e do diagnóstico. Repetir corticoide com frequência exige cuidado, enquanto algumas apresentações de ácido hialurônico seguem esquemas próprios. A decisão deve ser revista antes de cada aplicação.

Posso dirigir ou trabalhar depois?

Muitas pessoas retomam tarefas leves no mesmo dia, desde que caminhem e controlem o veículo com segurança. Trabalho físico, longos deslocamentos e atividades com impacto podem exigir uma pausa maior. Se houver dor, limitação do movimento ou uso de medicação que cause sonolência, não dirija e siga a orientação médica.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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