Lesões e Doenças do Joelho

Como saber se rompi o ligamento do joelho?

Entenda os sinais de que você rompeu um ligamento do joelho: estalo no momento da lesão, dor intensa, inchaço rápido e sensação de falseio.

Como saber se rompi o ligamento do joelho nem sempre é simples no primeiro momento.

Muitas pessoas relatam um estalo no momento da lesão, seguido de dor intensa, inchaço que aparece cedo e a sensação de que o joelho cedeu.

Esse conjunto de sinais chama atenção para a possibilidade de uma lesão, só que o diagnóstico depende de avaliação médica.

A dúvida geralmente surge logo após uma torção no futebol, corrida, academia ou até em uma queda comum.

O ponto mais importante é entender que o joelho pode lesionar diferentes ligamentos, em graus diferentes, e cada quadro muda o tratamento.

Como saber se rompi o ligamento do joelho? Principais sinais

Alguns sintomas aparecem logo após o trauma e ajudam a levantar a suspeita.

O problema é que eles também podem acontecer em outras lesões do joelho, como menisco, entorse importante e até fratura associada.

Os sinais que mais chamam atenção são:

Mesmo quando existe estalo, isso não quer dizer automaticamente que o ligamento rompeu por completo.

O estalo pode sugerir lesão ligamentar, mas o diagnóstico depende de exame físico e, em muitos casos, de exames de imagem.

Quais ligamentos do joelho podem ser lesionados?

O joelho tem quatro ligamentos principais, e cada um ajuda a manter a articulação estável em um tipo de movimento.

Por isso, o local da dor, o mecanismo da torção e o grau de instabilidade ajudam a orientar a investigação.

Ligamento cruzado anterior, o mais lembrado

O ligamento cruzado anterior, conhecido como LCA, é o mais associado àquela torção com o pé preso no chão, muito comum em esportes com giro, mudança brusca de direção, salto e aterrissagem.

Quando o LCA se rompe, a pessoa pode ouvir um estalo, perceber inchaço em até 24 horas e sentir que o joelho perdeu firmeza. Depois da fase aguda, o falseio é uma das queixas mais marcantes.

Ligamento cruzado posterior

O ligamento cruzado posterior, ou LCP, costuma ser lesionado em traumas mais diretos, como uma pancada na parte da frente da perna com o joelho dobrado, por exemplo, em acidente de carro ou queda mais forte.

Nesses casos, a dor pode ser diferente do padrão do LCA, e a sensação de instabilidade nem sempre aparece do mesmo jeito.

Ainda assim, inchaço, limitação de movimento e dificuldade para apoiar o peso merecem avaliação.

Ligamentos colaterais medial e lateral

Os ligamentos colaterais ficam nas laterais do joelho. O colateral medial, ou LCM, fica na parte de dentro, já o colateral lateral, ou LCL, fica na parte de fora.

Quando eles sofrem lesão, a dor aparece mais nas laterais da articulação. Também pode haver inchaço local e sensação de que o joelho cede, principalmente nos quadros mais graves.

Como o médico confirma se o ligamento rompeu?

A confirmação começa pela história da lesão. O médico vai querer saber como foi a torção, se houve estalo, se o joelho inchou rápido, se você conseguiu continuar andando e se sente falseio desde então.

Depois vem o exame físico, que continua sendo uma parte central do diagnóstico. Em muitos casos, um exame bem feito já aponta qual ligamento provavelmente foi atingido e qual o grau de instabilidade.

Quais exames podem ser pedidos?

Os exames de imagem entram para complementar a avaliação e afastar lesões associadas. Nem sempre todos serão necessários, porque isso depende do quadro clínico.

Os mais usados são:

  • Radiografia, para afastar fratura e avaliar lesões ósseas associadas;
  • Ressonância magnética, para estudar ligamentos, menisco e cartilagem;
  • Exames complementares, quando o mecanismo do trauma ou o exame físico levantam outras suspeitas.

A ressonância é muito útil, mas isso não quer dizer que ela seja obrigatória em todo caso logo de início.

Em algumas lesões, o exame clínico já é bastante informativo, e a imagem serve mais para confirmar o dano e procurar lesões associadas.

O que fazer logo após a torção no joelho?

Nos primeiros momentos, o ideal é proteger o joelho e evitar forçar a articulação. Tentar “testar” se dá para correr, agachar ou voltar ao treino no mesmo dia pode piorar a lesão.

As medidas mais úteis nessa fase costumam são repouso relativo, gelo, compressão, elevação do membro e avaliação médica.

Muletas, órtese ou imobilizador podem ser necessários em alguns casos, mas isso deve ser definido conforme o exame.

Quando procurar atendimento com mais urgência?

Alguns sinais pedem avaliação rápida porque podem indicar lesão mais séria ou quadro associado, que vale ainda mais quando houve trauma forte, deformidade ou dificuldade grande para apoiar o pé no chão.

Procure atendimento sem demora se houver:

  • Incapacidade de apoiar o peso;
  • Joelho muito inchado em pouco tempo;
  • Deformidade visível;
  • Travamento importante;
  • Dormência no pé ou na perna;
  • Trauma de alta energia, como acidente ou queda forte.

Rompeu o ligamento, precisa operar sempre?

Não necessariamente. Quem sofre uma lesão no joelho quase sempre quer saber se vai precisar de cirurgia.

Essa decisão passa pelo ligamento atingido, pela extensão da ruptura, pela idade, pela rotina de atividades e pelo quanto o joelho realmente perde firmeza no dia a dia.

Lesões do LCM, por exemplo, muitas vezes podem ser tratadas sem cirurgia. Já no LCA, a decisão depende mais do perfil do paciente, da exigência esportiva e da instabilidade do joelho.

O melhor caminho é buscar um ortopedista com atuação em lesões no joelho para avaliar seu quadro, pois quanto antes o joelho for examinado, maiores são as chances de definir o tratamento certo e evitar novas lesões na articulação.

Quando a cirurgia é mais considerada?

A cirurgia de ligamento do joelho ganha força quando o joelho segue instável, quando o paciente quer voltar a esportes com giro e contato, ou quando existem lesões associadas que mudam o plano terapêutico.

Atletas jovens e pessoas com demanda física alta entram mais nesse grupo.

Por outro lado, pacientes menos ativos, com menor exigência esportiva e boa estabilidade funcional podem ter bom resultado com fisioterapia e tratamento conservador.

O ponto central não é apenas a ruptura no exame, mas o impacto dela na função do joelho.

Como é o tratamento sem cirurgia?

O tratamento conservador não significa abandono. Na verdade, exige organização, reabilitação bem feita e acompanhamento.

O foco é controlar dor e inchaço, recuperar a mobilidade e fortalecer a musculatura que ajuda a estabilizar o joelho.

A fisioterapia tem papel decisivo nesse processo. Em muitos casos, ela melhora força, confiança para caminhar e controle do movimento, além de ajudar a reduzir o risco de novas torções.

E a recuperação, demora?

O tempo de recuperação varia bastante. Lesões leves melhoram mais rápido, enquanto rupturas completas, cirurgias e lesões associadas no menisco ou cartilagem tornam o processo mais longo.

Por isso, não existe um prazo único que sirva para todo mundo.

O que realmente importa é recuperar a estabilidade, amplitude de movimento, força e segurança para voltar às atividades sem antecipar etapas.

Perguntas frequentes

Dá para andar mesmo com o ligamento rompido?

Sim, em alguns casos dá. Isso acontece principalmente depois que a dor inicial diminui. O problema é que conseguir andar não exclui ruptura. Muitas pessoas continuam apoiando o pé, mas relatam falseio, insegurança e dificuldade para mudar de direção. Por isso, caminhar não é um teste confiável para descartar lesão ligamentar.

Estalo no joelho significa que o ligamento rompeu?

Não obrigatoriamente. O estalo aumenta a suspeita, mas isoladamente não fecha diagnóstico. Algumas pessoas com ruptura ligamentar não percebem estalo, e outras podem senti-lo em lesões diferentes. O valor real desse sintoma aparece quando ele vem junto com inchaço rápido, dor, instabilidade e história típica de torção.

A ressonância magnética é sempre necessária?

Nem sempre. O exame físico continua sendo muito importante e, em vários casos, já orienta bem o diagnóstico. A ressonância é pedida para confirmar a lesão, medir sua extensão e procurar problemas associados, como menisco, cartilagem e lesões em outros ligamentos do joelho.

Quem rompeu o ligamento do joelho sempre precisa de cirurgia?

Não. O tratamento depende do tipo de ligamento, do grau da lesão e do perfil do paciente. Lesões do colateral medial frequentemente melhoram sem cirurgia. No LCA, a decisão costuma considerar instabilidade, esporte praticado, idade, rotina e metas de retorno à atividade física.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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