Lesão da Raiz do Menisco: Sintomas e Tratamento
Conheça os tipos de lesão da raiz do menisco, sinais de alerta e os tratamentos mais avançados.
Uma dor forte na parte de dentro ou de fora do joelho pode surgir durante um agachamento, uma mudança de direção ou até ao levantar de uma cadeira. Em alguns casos, o problema está na raiz do menisco, região que prende essa estrutura à tíbia.
Com a ruptura da raiz, o menisco deixa de ficar bem preso à tíbia e pode sair parcialmente da posição. Nessa situação, uma parte maior da carga passa a atingir diretamente a cartilagem, favorecendo dor, inchaço e limitação para apoiar a perna.
A lesão da raiz do menisco pode acontecer após uma torção ou surgir em um menisco já enfraquecido pelo desgaste.
A escolha do tratamento depende do padrão da ruptura, do estado da cartilagem e do impacto dos sintomas na rotina.
O que é a raiz do menisco?
Os meniscos ficam entre o fêmur e a tíbia, mas não permanecem soltos dentro do joelho. Suas extremidades se prendem ao osso em pontos chamados raízes meniscais.
O menisco medial e o lateral possuem uma raiz na parte da frente e outra na região posterior. Essas fixações seguram o menisco durante o movimento e permitem que ele acompanhe as cargas recebidas pela articulação sem escapar de sua posição.
Por que essa lesão afeta a cartilagem?
Durante a caminhada, a corrida ou o agachamento, os meniscos transformam parte da pressão vertical em forças distribuídas ao longo de sua circunferência. Esse mecanismo depende da fixação adequada das raízes.
Com a raiz rompida, o menisco deixa de acompanhar corretamente o movimento da articulação. A área que recebe o peso diminui e a pressão sobre a cartilagem aumenta.
Uma ruptura completa da raiz posterior pode produzir alterações mecânicas próximas às observadas após a retirada de grande parte do menisco.
Mas isso não significa que todos os pacientes desenvolverão artrose, mas o risco de progressão do desgaste se torna maior quando a lesão não é reconhecida e tratada de acordo com suas características.
Tipos de lesão da raiz do menisco
As lesões podem ser classificadas pela causa, pela localização e pelo formato da ruptura. A distinção entre lesões degenerativas e traumáticas ajuda a orientar a conduta.
Lesão degenerativa
É mais frequente na raiz posterior do menisco medial e aparece principalmente em pessoas de meia-idade ou mais velhas. O tecido meniscal já pode apresentar desgaste, perdendo resistência aos esforços do cotidiano.
O paciente nem sempre se recorda de um trauma. A dor pode começar durante um agachamento, ao se ajoelhar ou ao levantar com o pé apoiado no chão.
Alguns fatores aumentam a probabilidade desse quadro:
- Excesso de peso;
- Alinhamento do joelho em varo, com maior carga no compartimento interno;
- Desgaste da cartilagem;
- Degeneração do menisco;
- Idade mais avançada;
- Redução da qualidade do osso subcondral.
Lesão traumática
As rupturas traumáticas aparecem principalmente em pacientes jovens, geralmente durante esportes ou movimentos com o pé preso ao chão e rotação do joelho.
Dependendo da força envolvida, também podem ocorrer junto a lesões ligamentares.
A ruptura da raiz posterior do menisco lateral apresenta associação importante com lesões do ligamento cruzado anterior. Nesses casos, a avaliação precisa identificar todas as estruturas envolvidas antes da definição do tratamento.
Raiz medial e raiz lateral
A lesão da raiz do menisco medial costuma ter origem degenerativa. Ela pode estar associada à extrusão meniscal, ao desgaste da cartilagem e às fraturas por insuficiência do osso subcondral.
A raiz do menisco lateral é mais móvel e suas rupturas aparecem com maior frequência após traumas. A presença de uma lesão do ligamento cruzado anterior aumenta a suspeita de comprometimento da raiz lateral.
Essa diferença não determina sozinha a conduta. Idade, atividade física, alinhamento da perna, condição da cartilagem e padrão da ruptura também entram na decisão.
Quais são os sintomas?
A dor na linha articular é uma das queixas mais comuns. Nas rupturas da raiz medial, ela tende a se concentrar na parte interna do joelho.
Alguns pacientes relatam um estalo no início do quadro, seguido de dificuldade para apoiar o peso. Esse episódio pode ocorrer durante uma tarefa simples, sem impacto direto.
Outros sintomas possíveis:
- Dor ao agachar ou dobrar bastante o joelho;
- Dificuldade para caminhar e subir escadas;
- Inchaço;
- Sensibilidade na linha articular;
- Perda de confiança para apoiar a perna;
- Redução da mobilidade;
- Piora da dor após atividades com carga.
Travamentos e falseios podem aparecer, mas não estão presentes em todos os casos. A ausência desses sinais não exclui uma lesão da raiz do menisco.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa pela história dos sintomas e pelo exame físico. O médico avalia o local da dor, o alinhamento dos membros, o movimento do joelho, a presença de inchaço e a resposta a testes meniscais.
Radiografias com apoio ajudam a analisar o espaço articular, o grau de artrose e a distribuição das cargas. Elas não mostram diretamente a ruptura do menisco, mas oferecem informações importantes para planejar o tratamento.
A ressonância magnética é o principal exame para investigar a lesão da raiz do menisco. As imagens são analisadas em diferentes planos, já que a alteração pode passar despercebida quando apenas um corte é observado.
Como tratar
A escolha do tratamento não depende apenas da presença da ruptura.
O ortopedista de joelho com experiência em lesões e reabilitação também considera as condições da cartilagem, o alinhamento do joelho, a origem da lesão, os sintomas e a rotina do paciente.
Esses elementos mostram se o caso pode ser conduzido com medidas conservadoras ou se o reparo cirúrgico oferece uma chance melhor de preservar o menisco.
Tratamento sem cirurgia
A abordagem conservadora pode ser considerada em pacientes com artrose avançada, baixa demanda física, condições clínicas que aumentem o risco cirúrgico ou lesões crônicas sem sintomas relevantes.
O cuidado pode incluir:
- Redução temporária das atividades que aumentam a dor;
- Fisioterapia para melhorar força, mobilidade e controle do membro;
- Controle do peso corporal;
- Analgésicos prescritos conforme o perfil do paciente;
- Órteses para modificar a carga em situações selecionadas;
- Infiltrações quando houver uma indicação específica.
Essas medidas podem reduzir os sintomas, mas não recolocam uma raiz completamente rompida em seu ponto de fixação.
Quando a cirurgia pode ser indicada?
A cirurgia é considerada principalmente em pacientes com cartilagem preservada ou com desgaste limitado, sintomas compatíveis e condições para seguir o período de recuperação.
Lesões traumáticas em pessoas jovens e rupturas associadas ao ligamento cruzado anterior apresentam indicações frequentes de reparo.
Nas lesões degenerativas, a decisão exige uma análise mais cuidadosa, pois artrose avançada, grande desalinhamento e comprometimento extenso da cartilagem podem diminuir a possibilidade de cicatrização e o benefício do procedimento.
Como é feita a cirurgia?
O reparo busca fixar novamente a raiz do menisco em sua posição anatômica. O procedimento costuma ser realizado por artroscopia, com uma câmera e instrumentos introduzidos por pequenas incisões.
Uma técnica utilizada é o reparo transtibial. O cirurgião passa fios de sutura pela raiz lesionada, cria um ou mais túneis na tíbia e conduz esses fios até a parte anterior do osso.
A fixação mantém o menisco próximo ao local original enquanto ocorre a cicatrização.
Outra possibilidade utiliza âncoras posicionadas no ponto de inserção da raiz. A escolha depende do tipo de ruptura, da anatomia do joelho e da experiência da equipe cirúrgica.
O objetivo não é apenas fechar a lesão. A raiz precisa ser reposicionada com precisão para que o menisco recupere a capacidade de distribuir as cargas.
Recuperação após o reparo
A proteção da sutura é uma parte importante do pós-operatório. Nas primeiras semanas, o paciente pode precisar usar muletas e evitar a descarga de peso sobre a perna operada.
A mobilidade geralmente começa cedo, dentro de limites estabelecidos pelo cirurgião. A flexão excessiva aumenta a pressão sobre a região posterior do menisco e pode ser restringida durante a fase inicial.
O protocolo pode incluir:
- Uso de muletas por aproximadamente seis semanas.
- Progressão gradual do apoio.
- Controle da flexão do joelho nas primeiras semanas.
- Exercícios para ativação muscular.
- Fortalecimento progressivo.
- Retorno tardio a agachamentos profundos, corrida e esportes.
O tempo de recuperação não é igual para todos. Lesões associadas, qualidade do tecido, técnica utilizada e resposta à fisioterapia interferem na evolução.
Perguntas frequentes
A lesão da raiz do menisco pode cicatrizar sozinha?
Uma ruptura completa dificilmente recupera a fixação original sem cirurgia. Lesões parciais e estáveis podem ser acompanhadas em situações selecionadas.
Toda lesão da raiz do menisco precisa de cirurgia?
Não. A indicação depende dos sintomas, da cartilagem, do alinhamento do joelho, da idade e das condições clínicas do paciente.
A ressonância sempre identifica a lesão?
A ressonância é o exame mais útil, mas algumas rupturas são discretas. A análise deve considerar diferentes cortes e os achados do exame físico.
Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia?
O apoio é limitado durante cerca de seis semanas. A recuperação funcional completa pode levar vários meses, conforme o procedimento e a evolução na fisioterapia.



