Sintomas e Sinais

Ligamento Femoropatelar Medial: Como Acontece a Lesão

Descubra o que é o ligamento femoropatelar medial, sinais de lesão e como tratar.

O ligamento femoropatelar medial ajuda a impedir que a patela escape para o lado externo do joelho, e costuma ser lesionado durante uma subluxação ou luxação lateral da patela.

Na literatura médica, o nome mais usado é ligamento patelofemoral medial, abreviado como LPFM. A expressão ligamento femoropatelar medial se refere à mesma estrutura.

Dor, inchaço e insegurança ao movimentar o joelho são sinais comuns. Porém, o tratamento depende do primeiro episódio, das lesões associadas e da anatomia de cada pessoa.

O que é o ligamento femoropatelar medial?

É uma faixa resistente localizada na parte interna do joelho. Ele conecta a região medial do fêmur à parte superior e interna da patela.

Sua principal função é limitar o deslocamento lateral da patela durante o começo da flexão. Nessa fase, ela ainda não está totalmente encaixada no sulco do fêmur, chamado tróclea.

O ligamento oferece grande parte da resistência contra esse deslocamento nos primeiros 20 a 30 graus de flexão. Depois disso, o formato da tróclea passa a participar mais da estabilidade.

O LPFM não trabalha sozinho. A posição da patela também depende de:

  • Formato da tróclea femoral;
  • Altura da patela;
  • Alinhamento e rotação dos membros;
  • Músculos da coxa e do quadril;
  • Retináculos e outros tecidos ao redor da articulação;
  • Controle do corpo durante saltos, giros e aterrissagens.

Por esse motivo, tratar apenas o ligamento nem sempre resolve todos os casos de instabilidade patelar.

Como acontece a lesão?

A lesão geralmente ocorre quando a patela se desloca para o lado externo. Esse movimento estica o ligamento e pode causar uma ruptura parcial ou completa.

O trauma pode acontecer sem contato direto. Uma situação comum envolve o pé apoiado, o joelho levemente dobrado e uma mudança rápida de direção.

Outros mecanismos possíveis incluem uma queda, uma aterrissagem desequilibrada ou uma pancada sobre a patela. Em algumas pessoas, um movimento simples pode causar a luxação devido às características anatômicas do joelho.

Fatores que aumentam o risco de instabilidade

A chance de uma nova luxação não depende apenas da cicatrização do ligamento. Ela aumenta quando existem fatores que facilitam a saída da patela.

Os principais são:

  • Tróclea rasa ou com formato alterado;
  • Patela posicionada mais alta;
  • Desalinhamento do mecanismo extensor;
  • Joelhos voltados para dentro;
  • Rotação aumentada do fêmur ou da tíbia;
  • Frouxidão ligamentar generalizada;
  • Idade jovem e cartilagens de crescimento abertas;
  • Instabilidade no outro joelho;
  • Episódios anteriores de subluxação ou luxação.

Quanto mais fatores estiverem presentes, menor pode ser a força necessária para a patela escapar novamente.

Quais são os sintomas da lesão?

Os sintomas variam conforme a intensidade do trauma e os danos associados. Algumas pessoas percebem claramente a patela saindo do lugar, enquanto outras sentem apenas um deslocamento rápido.

Os sinais mais frequentes são:

A patela pode voltar ao lugar sozinha antes da avaliação. Mesmo assim, pode existir lesão de cartilagem, fragmento solto ou alteração óssea que precisa ser identificada.

Travamento verdadeiro, estalos dolorosos e grande inchaço merecem atenção especial. Esses sinais podem indicar uma lesão osteocondral ou um fragmento dentro da articulação.

Quando procurar atendimento com urgência?

Uma luxação ainda visível precisa de atendimento imediato. Não é indicado tentar empurrar a patela de volta sem treinamento médico.

Procure um serviço de urgência quando houver:

  • Patela visivelmente fora do lugar;
  • Deformidade importante no joelho;
  • Dor intensa após torção ou queda;
  • Aumento rápido e volumoso do joelho;
  • Incapacidade de apoiar o pé;
  • Joelho travado;
  • Dormência, palidez ou pé frio;
  • Ferimento aberto próximo da articulação.

Quando a patela voltou sozinha, a avaliação também deve ocorrer o quanto antes. O alívio da deformidade não exclui danos ao ligamento, à cartilagem ou ao osso.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a descrição do trauma e dos episódios anteriores. O ortopedista também verifica dor, inchaço, movimento, alinhamento e estabilidade da patela.

O exame deve avaliar os dois joelhos. A presença de frouxidão, alterações no quadril ou instabilidade do outro lado pode modificar o risco de recorrência.

Exames de imagem

  • As radiografias ajudam a procurar fraturas e alterações no formato dos ossos. Incidências específicas também permitem avaliar a altura, o alinhamento e o encaixe da patela;
  • Ressonância magnética mostra o local e a extensão da lesão do LPFM. Ela também permite examinar a cartilagem, os meniscos e possíveis fragmentos osteocondrais;
  • Tomografia pode ser solicitada para medir desalinhamentos e rotações ósseas. Ela também pode ajudar quando existe suspeita de fratura e a ressonância não está disponível rapidamente.

Como tratar a lesão?

Não existe uma única conduta para todas as lesões.

O ortopedista especialista em joelho com plano de tratamento personalizado considera a primeira luxação, o risco de repetição e a presença de danos à cartilagem.

Tratamento sem cirurgia

O tratamento conservador continua sendo uma opção frequente após o primeiro episódio de baixo risco. Ele é mais adequado quando não há fragmento solto, fratura relevante ou instabilidade persistente.

A fase inicial pode incluir proteção temporária, ajuste do apoio e uma órtese indicada pelo profissional. O uso prolongado de imobilização deve ser evitado quando não houver uma razão específica, pois favorece rigidez e perda muscular.

A reabilitação trabalha:

  • Controle da dor e do inchaço;
  • Recuperação gradual da mobilidade;
  • Fortalecimento do quadríceps;
  • Fortalecimento dos músculos do quadril;
  • Equilíbrio e controle neuromuscular;
  • Correção de aterrissagens e mudanças de direção.

Os exercícios precisam ser adaptados à dor e à estabilidade. A progressão rápida demais pode aumentar o desconforto, enquanto a proteção excessiva atrasa a recuperação.

A fisioterapia melhora força, mobilidade e confiança. Porém, ela não modifica uma tróclea rasa, uma patela alta ou outras alterações estruturais importantes.

Quando a cirurgia pode ser considerada?

A cirurgia não é obrigatória após toda lesão do LPFM, mas pode ser discutida mais cedo quando o risco de nova luxação é elevado.

As principais situações são:

  • Luxações ou subluxações recorrentes;
  • Instabilidade que continua após boa reabilitação;
  • Fragmento de cartilagem ou osso dentro da articulação;
  • Lesão osteocondral que precisa ser fixada;
  • Sintomas que limitam tarefas comuns;
  • Vários fatores anatômicos de recorrência;
  • Primeira luxação com risco individual considerado alto.

Estudos recentes indicam que a cirurgia pode reduzir novos deslocamentos em pacientes selecionados. Ainda assim, as evidências não justificam operar automaticamente todas as primeiras luxações.

A decisão deve comparar o risco de recorrência com os riscos do procedimento. Idade, esporte, sintomas, anatomia e expectativas precisam entrar nessa conversa.

Como funciona a reconstrução do LPFM?

A reconstrução procura refazer a função do ligamento lesionado. Para isso, o cirurgião posiciona um enxerto entre o fêmur e a patela.

O enxerto pode vir de um tendão do próprio paciente ou, em situações específicas, de um banco de tecidos. Os tendões grácil e semitendíneo estão entre as opções mais utilizadas.

A posição e a tensão do enxerto precisam ser precisas. Um ligamento frouxo pode não estabilizar a patela, enquanto um enxerto muito apertado pode causar dor, rigidez e aumento da pressão sobre a cartilagem.

Quais são os riscos da cirurgia?

A reconstrução melhora a estabilidade, mas não garante ausência completa de sintomas. Dor anterior, rigidez, limitação de movimento e nova instabilidade ainda podem ocorrer.

Outros riscos incluem infecção, fratura da patela, problemas na fixação e necessidade de nova cirurgia. Técnicas corretas e reabilitação bem conduzida ajudam a reduzir essas complicações.

Quanto tempo dura a recuperação?

O prazo varia conforme a gravidade da lesão e o tratamento escolhido. Por isso, uma data isolada não deve ser usada para liberar corrida ou esporte.

Sem cirurgia, a recuperação pode evoluir ao longo de várias semanas. Casos com grande inchaço, fraqueza ou fatores anatômicos podem exigir um período maior.

Após a reconstrução, a reabilitação acontece em fases. O início busca proteger o enxerto, controlar o inchaço e recuperar progressivamente o movimento.

Depois entram fortalecimento, equilíbrio, corrida e gestos específicos do esporte. Procedimentos ósseos ou de cartilagem podem modificar todo o protocolo.

Critérios para voltar ao esporte

A liberação deve considerar mais do que o tempo desde a lesão ou cirurgia. O joelho precisa demonstrar capacidade para suportar as exigências da atividade.

Muitos protocolos cirúrgicos só consideram esportes com giros após cerca de seis meses. Parte dos pacientes precisa de nove meses ou mais para recuperar força e segurança.

É possível prevenir uma nova luxação?

Nenhum exercício elimina completamente o risco quando existem alterações anatômicas importantes, no entanto, um programa individualizado pode melhorar o controle do membro inferior.

O trabalho preventivo inclui fortalecimento da coxa e do quadril, treinos de equilíbrio, desaceleração, aterrissagem e mudança de direção.

O retorno deve ocorrer de forma progressiva. Aumento brusco de carga, fadiga e técnica ruim podem reduzir o controle do joelho durante o esporte.

Joelheiras podem oferecer proteção e confiança em fases específicas, porém, elas não substituem a avaliação, a fisioterapia ou a correção de fatores estruturais relevantes.

Perguntas frequentes

LPFM e ligamento femoropatelar medial são a mesma coisa?

Sim. A expressão mais comum na literatura brasileira é ligamento patelofemoral medial, abreviada como LPFM. Alguns textos usam ligamento femoropatelar medial ou a sigla inglesa MPFL. Todos esses nomes indicam a estrutura que liga a região medial do fêmur à patela e limita seu deslocamento para o lado externo.

Toda luxação da patela rompe o LPFM?

A maioria das luxações laterais causa algum grau de lesão do ligamento, mas o padrão varia. Ele pode sofrer estiramento, ruptura parcial ou ruptura completa em diferentes pontos. A ressonância ajuda a identificar o local da lesão e possíveis danos associados. Porém, a imagem precisa ser analisada junto dos sintomas, do exame físico e da anatomia do joelho.

Uma lesão do LPFM sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitos primeiros episódios com baixo risco e sem lesões osteocondrais podem ser tratados com proteção inicial e reabilitação. A cirurgia ganha importância quando há instabilidade recorrente, fragmentos soltos, danos relevantes à cartilagem ou vários fatores de risco. A escolha atual é individualizada, pois nem o tratamento conservador nem a cirurgia servem para todos.

É possível praticar esporte depois da reconstrução?

Sim, muitos pacientes voltam ao esporte após a reconstrução e a reabilitação completa. Entretanto, retornar não significa necessariamente recuperar imediatamente o mesmo nível anterior. Força, agilidade, resistência e confiança precisam ser reconstruídas. Esportes com saltos e giros exigem testes mais rigorosos, e a liberação pode acontecer entre seis e nove meses ou mais.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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