Tratamentos e Procedimentos

Medicina Regenerativa no Joelho: Indicações

Conheça os tratamentos de medicina regenerativa no joelho, o que funciona, benefícios e limites.

A medicina regenerativa no joelho reúne tratamentos biológicos que tentam melhorar o ambiente da articulação. O objetivo é reduzir a dor, controlar a inflamação e favorecer a função, mas isso não significa reconstruir toda a cartilagem perdida.

O termo “regenerativo” aparece em anúncios e pode criar expectativas exageradas. Hoje, o plasma rico em plaquetas tem respaldo maior para casos selecionados de artrose, enquanto terapias celulares apresentam resultados menos consistentes.

O que é medicina regenerativa no joelho

Na ortopedia, o termo medicina regenerativa reúne procedimentos que utilizam componentes biológicos para interferir nos processos de inflamação e recuperação dos tecidos, onde parte desses materiais pode ser obtida do próprio organismo do paciente.

No joelho, as principais pesquisas envolvem quadros de osteoartrite, danos na cartilagem e algumas lesões meniscais.

Na prática, o efeito mais bem demonstrado é a melhora da dor e da função. A regeneração completa de cartilagem, porém, não está garantida e não deve ser prometida como resultado certo.

Cartilagem, osso, meniscos, ligamentos, músculos e alinhamento das pernas influenciam o resultado. Por isso, uma infiltração isolada raramente resolve todos os fatores envolvidos.

Quais são os principais tratamentos biológicos

As técnicas agrupadas sob o mesmo nome não são iguais. Elas usam materiais diferentes, seguem regras próprias e apresentam níveis distintos de evidência científica.

Plasma rico em plaquetas, o PRP

O PRP é preparado com o sangue do paciente. Após a coleta, o material passa por centrifugação para concentrar plaquetas, que liberam fatores de crescimento e proteínas envolvidas na resposta de reparo.

Em julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina regulamentou o PRP como procedimento médico adjuvante para osteoartrite do joelho e reparo meniscal.

A norma também esclarece que ele não substitui fisioterapia, tratamento clínico ou cirurgia quando essas medidas são necessárias.

Estudos recentes indicam melhora de dor e função, sobretudo nos quadros leves ou moderados de artrose. Mesmo assim, os protocolos variam bastante, e nem todos respondem da mesma forma.

Concentrado de medula óssea, o BMAC

O BMAC é obtido por aspiração da medula óssea, geralmente na região da pelve. O material contém diferentes células e mediadores biológicos, incluindo células com propriedades mesenquimais.

Alguns estudos mostram melhora por curto ou médio prazo, mas há diferenças importantes entre técnicas e doses. Não existe comprovação sólida de que o BMAC regenere a cartilagem ou evite uma prótese.

Produtos derivados do tecido adiposo

A gordura pode ser coletada e processada para produzir tecido adiposo microfragmentado ou fração vascular estromal. Essas opções não são equivalentes ao PRP e exigem avaliação regulatória própria.

A resolução atual do CFM proíbe misturar ao PRP células-tronco, BMAC, gordura microfragmentada ou outros produtos celulares, salvo em pesquisa aprovada ou regulamentação específica.

Ácido hialurônico não é terapia regenerativa

O ácido hialurônico é usado na viscossuplementação para melhorar a lubrificação e tentar reduzir a dor. Ele não contém células nem plaquetas e, por isso, não deve ser chamado de tratamento regenerativo.

Quem pode se beneficiar

A indicação depende da causa da dor, do grau de desgaste e dos tratamentos já realizados. Em geral, o PRP pode ser considerado como apoio em pacientes com artrose leve ou moderada que continuam sintomáticos após medidas conservadoras.

Antes de indicar o procedimento, o ortopedista de joelho especialista em procedimentos avançados avalia:

  • Intensidade da dor e limitação nas atividades;
  • Força muscular e qualidade da reabilitação;
  • Alinhamento e estabilidade do joelho;
  • Grau de artrose nos exames;
  • Peso corporal, doenças associadas e medicamentos;
  • Objetivos e expectativas do paciente.

Pessoas com artrose avançada, deformidade importante, instabilidade ligamentar ou bloqueio mecânico podem ter pouco benefício. Nesses casos, corrigir a causa estrutural pode ser mais importante do que aplicar um produto biológico.

Resultados esperados e tempo de melhora

Quando há resposta, a melhora surge gradualmente nas primeiras semanas. O resultado é avaliado pela redução da dor, ganho de movimento e retorno mais seguro às atividades.

Revisões mostram benefício clínico do PRP por alguns meses, com resultados relatados até cerca de um ano em grupos selecionados, mas isso não significa cura da artrose, nem garante a mesma duração para todas as pessoas.

A fisioterapia continua sendo parte central do tratamento. Fortalecimento, ajuste de carga e controle do peso ajudam a proteger a articulação e podem influenciar mais o resultado do que repetir infiltrações sem corrigir a sobrecarga.

Riscos, contraindicações e cuidados

Os efeitos adversos mais comuns são dor, inchaço, hematoma e piora temporária dos sintomas. Também podem ocorrer sangramento, infecção, lesão de estruturas próximas ou ausência de benefício.

Segundo o CFM, o PRP não deve ser usado em infecção ativa no local, neoplasia ativa, plaquetopenia relevante, coagulopatia não corrigida ou condição hematológica incompatível.

O consentimento deve explicar benefícios esperados, limitações, alternativas e possibilidade de falha.

Serviços sem controle sanitário, material sem origem rastreável e promessas de regeneração garantida são sinais de alerta. A Anvisa orienta que o preparo siga boas práticas e que o paciente procure profissionais habilitados e estabelecimentos licenciados.

Medicina regenerativa substitui cirurgia?

Não existe uma resposta única, porque o tratamento depende do problema encontrado. Em alguns pacientes, o controle dos sintomas pode adiar uma cirurgia, mas isso não transforma o procedimento em substituto universal.

Quando há artrose muito avançada, deformidade, instabilidade ou lesão que exige correção mecânica, insistir apenas em infiltrações pode atrasar o cuidado adequado. A decisão deve comparar benefícios, riscos e alternativas de forma clara.

Perguntas frequentes

O PRP regenera a cartilagem do joelho?

O PRP pode melhorar a dor e função em pacientes selecionados, principalmente na artrose leve ou moderada. Entretanto, não existe garantia de reconstrução da cartilagem, e o CFM proíbe promessas de regeneração assegurada. O tratamento deve ser entendido como apoio dentro de um plano que inclui reabilitação, controle de carga e acompanhamento médico.

Qual é a diferença entre PRP e células-tronco?

O PRP vem do sangue e concentra plaquetas e proteínas sinalizadoras. As terapias celulares usam materiais obtidos da medula óssea, gordura ou outras fontes. Elas não são o mesmo procedimento, não podem ser misturadas livremente e possuem evidências, riscos e regras diferentes, por isso a indicação precisa ser explicada com clareza.

Quanto tempo leva para perceber melhora?

Algumas pessoas percebem mudanças nas primeiras semanas, enquanto outras precisam de dois ou três meses para avaliar melhor a resposta com segurança. O tempo depende do diagnóstico, da gravidade, do protocolo usado e da qualidade da reabilitação. Também existe a possibilidade de a melhora ser pequena, tardia ou não ocorrer.

Quem tem artrose avançada pode fazer medicina regenerativa?

Pode existir avaliação individual, mas o benefício tende a ser mais limitado quando há perda extensa de cartilagem, deformidade ou grande limitação funcional. Nesses casos, o ortopedista deve verificar se uma correção mecânica ou cirurgia oferece uma solução mais adequada, previsível e compatível com os objetivos, a rotina e a saúde do paciente.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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