Tratamentos e Procedimentos

Tratamento de Bursite no Joelho: Como Aliviar a Dor

Conheça as opções de tratamento de bursite no joelho, desde repouso e medicação até procedimentos para alívio da dor e inflamação.

O tratamento de bursite no joelho geralmente começa com redução da sobrecarga, gelo, controle da dor e fisioterapia. A maioria dos casos melhora sem cirurgia, mas a conduta muda quando existe infecção, trauma importante ou outra doença associada.

O ponto central é descobrir qual bursa está inflamada e o que provocou o problema. Tratar apenas a dor pode trazer alívio curto e favorecer novas crises.

O que é bursite no joelho?

As bursas são pequenas bolsas com líquido que reduzem o atrito entre pele, ossos, músculos e tendões. Quando sofrem pressão repetida, trauma, irritação química ou infecção, podem inchar e ficar doloridas.

As formas mais comuns são:

  • Pré-patelar, na frente da patela, frequente em quem trabalha ajoelhado.
  • Infrapatelar, abaixo da patela, também ligada à pressão repetida.
  • Anserina, na parte interna, alguns centímetros abaixo da articulação.
  • Bursites laterais ou posteriores, menos comuns e muitas vezes associadas a estruturas próximas.

Quais são os sintomas?

Os sinais variam conforme a bursa afetada, e o incômodo geralmente aparece em uma região específica do joelho. Tocar o local, apoiar o peso ao ajoelhar, agachar, correr ou subir escadas pode deixar a dor mais intensa.

O quadro também pode provocar aumento de volume, sensibilidade ao toque, aquecimento da pele, vermelhidão e dificuldade para flexionar o joelho..

Na bursite pré-patelar, o volume aparece sobre a patela, já na anserina, a dor é na parte interna e abaixo da linha articular.

Quando procurar atendimento rapidamente?

Alguns sinais sugerem bursite infecciosa, também chamada de bursite séptica. Esse quadro pode exigir coleta do líquido, antibióticos e drenagem, por isso, não deve ser tratado apenas em casa.

Procure atendimento sem demora diante de:

  • Febre, calafrios ou mal-estar;
  • Joelho muito quente, vermelho ou rapidamente inchado;
  • Ferida, corte ou secreção perto da área dolorida;
  • Dor intensa e progressiva;
  • Dificuldade importante para apoiar a perna;
  • Baixa imunidade ou diabetes descompensado.

Vermelhidão intensa, calor e inchaço após uma lesão na pele também merecem avaliação rápida.

O que causa bursite no joelho?

A pressão repetida é uma das causas mais comuns, como ajoelhar por muito tempo, aumentar o treino rapidamente ou repetir movimentos sem descanso pode irritar a bursa.

A inflamação das bursas do joelho também pode surgir após impactos, quedas ou movimentos repetidos, como correr e saltar, assim como alterações no alinhamento das pernas, pouca força muscular e excesso de peso aumentam a sobrecarga na região.

Artrose, gota e artrite reumatoide também favorecem o problema. Quando há cortes ou feridas perto da articulação, existe ainda o risco de bactérias alcançarem a bursa e provocarem uma infecção.

Quando existe uma causa associada, ela precisa entrar no tratamento. Caso contrário, a inflamação pode voltar mesmo após a melhora inicial.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a conversa sobre os sintomas e o exame físico. O médico avalia o local do inchaço, a temperatura da pele, a mobilidade e os movimentos que provocam dor.

Nem toda paciente precisa de ressonância. A ultrassonografia pode mostrar líquido na bursa, enquanto a radiografia ajuda após traumas ou quando há suspeita de alteração óssea.

A ressonância fica reservada para dúvidas ou investigação de outras estruturas. Se houver suspeita de infecção ou gota, a aspiração do líquido pode ser necessária para análise.

Também é importante diferenciar bursite de lesão meniscal, tendinopatia, artrose, lesão ligamentar e artrite séptica. Essas condições podem parecer semelhantes, mas não recebem o mesmo tratamento.

Como funciona o tratamento de bursite no joelho?

O tratamento depende da localização, da intensidade e da causa. Nos quadros não infecciosos, a primeira escolha é conservadora e busca reduzir a irritação sem imobilizar totalmente a perna.

Redução da sobrecarga e gelo

Repouso relativo significa evitar temporariamente o movimento que piora a dor. Caminhadas curtas podem continuar quando não aumentam o inchaço nem fazem a pessoa mancar.

O gelo pode ser aplicado por 15 a 20 minutos, com um tecido protegendo a pele, algumas vezes ao dia. Compressão leve e elevação da perna também podem ajudar quando existe edema.

Medicamentos para dor

Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser indicados após avaliação. Anti-inflamatórios exigem cautela em pessoas com doença renal, gastrite, úlcera, risco cardiovascular ou uso de anticoagulantes.

Pomadas podem aliviar quadros superficiais, mas não corrigem a causa. Evite automedicação, principalmente se o joelho estiver vermelho, muito quente ou acompanhado de febre.

Fisioterapia e retorno às atividades

A fisioterapia ajuda a recuperar movimento, força e controle. O programa pode trabalhar quadríceps, glúteos, adutores, posteriores da coxa e panturrilhas, conforme a bursa envolvida.

O retorno ao esporte deve ser gradual. Antes de aumentar corrida, carga ou agachamentos, a pessoa deve conseguir caminhar, subir degraus e fazer exercícios básicos sem piora importante no mesmo dia ou no seguinte.

Bandagens, ultrassom terapêutico e ondas de choque podem ser usados em casos selecionados, no entanto, não substituem o ajuste da carga e os exercícios, que formam a base da reabilitação.

Aspiração, infiltração e cirurgia

A aspiração pode aliviar uma bursa muito distendida e permitir a análise do líquido. O procedimento deve ser feito com técnica adequada, pois há risco de infecção, sangramento e novo acúmulo.

A infiltração com corticoide pode ser considerada quando a dor persiste. Antes dela, é essencial excluir infecção e avaliar riscos para a pele, o tecido subcutâneo e estruturas próximas.

A cirurgia é rara. Ela pode ser indicada em bursites crônicas recorrentes, aumento persistente da bursa ou infecção que não melhora com antibióticos e drenagem.

Quanto tempo leva para melhorar?

O prazo varia conforme a causa, a bursa atingida e a presença de outras doenças. Casos leves podem melhorar em algumas semanas, enquanto quadros crônicos ou associados à artrose podem demorar mais.

Na bursite anserina, muitos pacientes evoluem bem ao longo de seis a oito semanas com ajuste de carga e fisioterapia. Esse prazo não é uma garantia, pois cada caso responde de modo diferente.

Se a dor permanece igual, volta com frequência ou limita tarefas simples, a recomendação é consultar um ortopedista de joelho para revisar o diagnóstico e o plano de tratamento.

Como prevenir novas crises?

A prevenção depende do fator que iniciou a inflamação.

  1. Quem trabalha ajoelhado deve usar proteção acolchoada, alternar posições e fazer pausas.
  2. Também ajuda aumentar treinos de forma gradual, fortalecer pernas e quadril e corrigir a técnica.
  3. Tratar artrose, gota ou doenças inflamatórias.
  4. Voltar cedo demais à atividade causadora aumenta o risco de recorrência.

Perguntas frequentes

Bursite no joelho tem cura?

Na maioria dos casos, sim. A inflamação pode regredir quando a sobrecarga é reduzida e a causa é tratada. Porém, ela pode voltar se a pessoa retomar rapidamente o movimento responsável, mantiver pressão frequente sobre o joelho ou não controlar problemas associados, como artrose, gota, excesso de peso e fraqueza muscular.

Pode caminhar com bursite no joelho?

Pode, desde que a caminhada não aumente claramente a dor, o inchaço ou a dificuldade para se mover. Durante a fase dolorosa, reduza distância, velocidade e inclinações. Se houver mancar, piora no dia seguinte ou incapacidade de apoiar a perna, interrompa a atividade e procure avaliação.

Gelo ou calor, qual é melhor?

O gelo é mais útil quando existe inchaço, calor local ou dor após esforço. A aplicação deve durar de 15 a 20 minutos, sempre com proteção para a pele. O calor pode aliviar rigidez em alguns quadros crônicos, mas não deve ser usado sobre uma área muito vermelha, quente ou com suspeita de infecção.

Bursite no joelho precisa de cirurgia?

Quase nunca. A maior parte dos casos melhora com ajuste de atividades, controle da dor e fisioterapia. A cirurgia fica reservada para bursites persistentes, recorrentes ou muito aumentadas, além de infecções que não respondem à drenagem e aos antibióticos. A decisão depende da causa, dos exames e da limitação funcional.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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