Cirurgia do Joelho

Cirurgia de ligamento do joelho: saiba mais!

Compreenda a cirurgia de ligamento do joelho, procedimento para reparar ou reconstruir os ligamentos lesionados e restaurar a estabilidade articular.

Nem toda ruptura ligamentar no joelho termina em cirurgia. Esse é um ponto que costuma gerar confusão no consultório.

Há lesões que respondem bem à fisioterapia, controle do inchaço, fortalecimento e ajuste da rotina.

Em outros casos, o joelho perde estabilidade, falha em movimentos simples ou fica inseguro para esporte, trabalho e atividades com mudança de direção.

É nesse cenário que a cirurgia de ligamento do joelho passa a ser considerada.

Qual é a função dos ligamentos do joelho

Os ligamentos funcionam como estabilizadores da articulação.

Eles limitam os movimentos que não deveriam acontecer em excesso e ajudam o joelho a trabalhar com controle durante a marcha, as mudanças de direção, os giros e os movimentos de aceleração e frenagem.

Os quatro principais são:

  1. Ligamento cruzado anterior ajuda a controlar a rotação e impede o deslizamento anterior da tíbia.
  2. Cruzado posterior segura o deslocamento para trás.
  3. Já os colaterais estabilizam as laterais do joelho, cada um de um lado.

Quando uma dessas estruturas rompe, o paciente pode sentir dor, inchaço, falseio e perda de confiança para apoiar a perna.

Quando a cirurgia de ligamento do joelho pode ser indicada

A cirurgia de ligamento do joelho aparece com mais força quando:

  • O joelho segue instável;
  • Há ruptura completa;
  • Existe associação com outras lesões;
  • A pessoa quer voltar com segurança a atividades que exigem pivô, salto, desaceleração brusca e contato físico.

No LCA, esse raciocínio é muito comum. No LCP e nos ligamentos colaterais, parte dos casos pode seguir por tratamento conservador, desde que o joelho mantenha estabilidade e boa função.

Quando existe dúvida sobre o melhor caminho, vale ser avaliado por um ortopedista com especialização em cirurgias de joelho para definir a melhor conduta.

Esse cuidado é importante porque nem sempre a imagem sozinha mostra o impacto real da lesão na função do joelho.

A história clínica, o exame físico e o objetivo do paciente mudam bastante a indicação.

Quais lesões mais levam à cirurgia

Lesão do LCA

A ruptura do LCA está entre as lesões mais conhecidas do joelho, sobretudo em quem pratica esporte com mudança rápida de direção, salto ou contato.

Nem todo caso precisa operar, só que a reconstrução é bastante considerada quando o joelho perde firmeza e passa a falhar em movimentos do dia a dia ou do esporte.

Um joelho instável tende a se expor mais a novas lesões meniscais e condrais ao longo do tempo.

Lesão do LCP

O LCP costuma se machucar em traumas mais intensos, como impacto no joelho dobrado, acidente automobilístico ou queda com carga importante sobre a articulação.

Muitas lesões do LCP isoladas podem cicatrizar com tratamento sem cirurgia, mas a reconstrução entra no radar quando persistem dor, frouxidão ou associação com outros ligamentos.

Lesão do LCM

No ligamento colateral medial, a evolução sem operação é frequente.

A cirurgia tende a ficar reservada para casos mais instáveis, arrancamentos, má cicatrização ou situações em que o LCM vem lesionado junto de outras estruturas.

Lesão do LCL

O ligamento colateral lateral merece atenção porque pode vir acompanhado de lesões complexas na região posterolateral do joelho.

Quando isso acontece, cresce a chance de indicação cirúrgica, já que esse conjunto de estruturas participa de forma importante da estabilidade.

Como a cirurgia é feita

Boa parte das reconstruções dos ligamentos cruzados é realizada por artroscopia, com pequenas incisões e uso de câmera.

Em vez de apenas suturar o ligamento rompido, o que se faz com maior frequência é uma reconstrução com enxerto, que pode vir do próprio paciente, como tendões flexores, tendão patelar ou quadríceps, ou de doador em situações selecionadas.

Já em algumas lesões colaterais ou combinadas, a técnica pode exigir abordagem aberta ou uma combinação de métodos, de acordo com o padrão da lesão.

Quando existe rigidez, muito inchaço ou perda de movimento antes da cirurgia, é melhor preparar o joelho com fisioterapia antes do procedimento, pois um joelho menos inflamado e com mobilidade melhor tende a entrar na reabilitação em condição mais favorável.

Como funciona a recuperação

A recuperação de cirurgia ligamentar não é corrida curta. Ela anda por fases.

  1. No começo, a meta principal é controlar dor e edema, proteger a articulação, recuperar extensão e iniciar o movimento dentro do que o procedimento permite.
  2. Dependendo da cirurgia, o uso de muletas aparece logo no pós-operatório, com progressão de carga definida pelo cirurgião e pela fisioterapia.
  3. Depois dessa etapa, o foco sai do inchaço e vai para força muscular, controle neuromuscular, equilíbrio, marcha e confiança para usar a perna.
  4. Mais adiante entram corrida, exercícios funcionais, mudança de direção e testes para retorno esportivo.

O ponto central é este: liberação não depende só do calendário. Dor controlada, bom movimento, força recuperada e estabilidade contam muito mais.

De forma geral, atividades leves do cotidiano melhoram nas primeiras semanas.

O retorno ao trabalho muda bastante de acordo com a função exercida. Já a volta ao esporte pode exigir vários meses de reabilitação.

Em reconstruções do LCA, muitos protocolos trabalham com algo perto de seis meses ou mais para retorno pleno, sempre com variação individual.

Riscos e sinais de alerta

Como qualquer operação, a cirurgia de ligamento do joelho tem riscos.

Entre eles estão: infecção, rigidez, trombose, persistência de instabilidade, falha do enxerto e complicações ligadas ao procedimento, mas isso não quer dizer que o resultado costuma seja ruim.

Na maioria dos pacientes bem indicados, com técnica adequada e reabilitação levada a sério, a evolução tende a ser favorável

Alguns sinais merecem contato rápido com a equipe médica:

  • Febre;
  • Saída de secreção pela ferida;
  • Vermelhidão que aumenta;
  • Dor fora do padrão esperado;
  • Panturrilha inchada e dolorosa;
  • Alteração de cor ou temperatura no pé.

Perguntas frequentes

Toda lesão de ligamento do joelho precisa operar?

Não. Parte das lesões do LCM e do LCP pode ser tratada sem cirurgia. O que define o rumo é a estabilidade do joelho, a presença de lesões associadas e o objetivo funcional do paciente.

Quanto tempo leva para voltar a andar?

Muitos pacientes começam a andar com auxílio de muletas logo no início, só que o grau de apoio varia conforme o tipo de cirurgia e o que foi reparado junto. Esse ritmo deve ser individualizado.

Quando o esporte pode ser retomado?

Retorno esportivo pede mais do que vontade e ausência de dor. Ele depende de força, controle, estabilidade, confiança e testes funcionais satisfatórios. Em várias reconstruções, esse processo leva meses.

O que mais influencia no resultado final?

A cirurgia é só uma parte do tratamento. O resultado de longo prazo depende de boa indicação, técnica adequada e reabilitação bem conduzida. Quando o paciente abandona a fisioterapia ou tenta apressar etapas, o risco de rigidez, dor persistente e nova lesão sobe.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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