Cirurgia do Joelho

Cirurgia para Cartilagem do Joelho: Quando Pode ser Necessária

Conheça as técnicas de cirurgia para cartilagem do joelho, os objetivos e para quem cada procedimento é indicado.

A cirurgia para cartilagem do joelho nem sempre é o caminho inicial.

Muitas dores no joelho melhoram com fisioterapia, ajuste nas atividades, fortalecimento muscular, controle do peso corporal quando necessário e medicamentos em fases de crise.

Só que, alguns casos não evoluem bem com esse cuidado inicial.

Quando a dor persiste, o inchaço volta com frequência e a limitação começa a atrapalhar trabalho, caminhada, treino ou tarefas simples, a cirurgia pode ser considerada.

Nessa fase, faz sentido consultar um ortopedista especialista em joelho para avaliar a necessidade de cirurgia, entender o tipo da lesão e definir se há chance real de melhora com um procedimento.

O que é a cartilagem do joelho?

A cartilagem é uma camada lisa que recobre as pontas dos ossos dentro da articulação.

Ela permite que o joelho deslize com menos atrito durante o movimento. Também ajuda a distribuir melhor o peso do corpo em atividades como caminhar, subir escadas, correr, agachar ou mudar de direção.

Quando essa camada sofre uma fissura, amolecimento, desgaste ou perda de espessura, o joelho pode começar a reclamar.

A pessoa sente dor, percebe estalos, nota inchaço depois de esforço e, em alguns casos, perde segurança para apoiar a perna.

Nem toda alteração na cartilagem tem a mesma gravidade. Algumas lesões são pequenas e localizadas, enquanto outras fazem parte de um desgaste mais amplo, como ocorre na artrose do joelho.

Essa diferença muda bastante o tratamento.

Sintomas de lesão na cartilagem do joelho

Os sintomas podem variar conforme o tamanho da lesão, a região atingida e a presença de outros problemas no joelho.

Os sinais mais comuns são:

  • Dor ao caminhar, subir escadas ou agachar;
  • Inchaço depois de esforço;
  • Rigidez ao levantar depois de ficar sentado;
  • Sensação de atrito ou rangido;
  • Estalos acompanhados de dor;
  • Dificuldade para dobrar ou esticar o joelho;
  • Sensação de travamento;
  • Insegurança para apoiar a perna.

Um detalhe importante: exame alterado não significa, sozinho, indicação de cirurgia. A decisão precisa cruzar imagem, exame físico, dor real do paciente e impacto na rotina.

Quando a cirurgia para cartilagem do joelho é indicada?

A cirurgia passa a ser considerada quando existe uma lesão compatível com os sintomas e o tratamento sem cirurgia não trouxe o resultado esperado.

Isso vale, principalmente, quando a dor limita a vida do paciente.

Não faz muito sentido operar apenas porque a ressonância mostrou uma alteração. O joelho precisa ser avaliado como um todo.

O médico observa pontos como:

  • Tamanho da lesão;
  • Profundidade do dano na cartilagem;
  • Presença de inchaço recorrente;
  • Idade e nível de atividade do paciente;
  • Alinhamento da perna;
  • Lesões associadas no menisco ou ligamentos;
  • Presença de artrose;
  • Resposta à fisioterapia e aos demais tratamentos.

Em lesões focais, principalmente em pessoas jovens e ativas, algumas cirurgias buscam reparar ou restaurar a área danificada.

Quando o desgaste é mais espalhado, a lógica muda. Nesses casos, osteotomia ou prótese de joelho podem ser discutidas, a depender da gravidade.

Situações que pedem avaliação mais cuidadosa

Alguns quadros merecem investigação com mais atenção:

  • Dor que não melhora com tratamento bem conduzido;
  • Inchaço que retorna sempre após esforço;
  • Perda de mobilidade do joelho;
  • Travamento;
  • Corpo solto dentro da articulação;
  • Lesão profunda com acometimento do osso abaixo da cartilagem;
  • Desgaste ligado a desalinhamento da perna;
  • Joelho com instabilidade;
  • Piora progressiva da função.

Quando esses sinais aparecem, insistir apenas em repouso e analgésico pode atrasar o diagnóstico correto.

Exames usados para avaliar a cartilagem

O raio X ajuda a observar o alinhamento da perna, o espaço entre os ossos e sinais de artrose.

A ressonância magnética mostra melhor a cartilagem, o menisco, os ligamentos, o osso abaixo da lesão e possíveis áreas de edema.

Mesmo com bons exames, a conversa com o paciente continua sendo parte central da avaliação.

Há pessoas com imagem bem alterada e pouca dor. Outras têm lesões menores, mas sofrem muito na rotina, onde o tratamento precisa respeitar essa diferença.

Tipos de cirurgia

Existem várias técnicas. Nenhuma serve para todos os casos.

A escolha depende do tipo de lesão, tamanho, profundidade, idade do paciente, alinhamento do joelho, presença de artrose e expectativa de retorno às atividades.

Condroplastia

A condroplastia é feita por artroscopia.

O cirurgião usa pequenas incisões e instrumentos específicos para regularizar áreas irregulares da cartilagem e remover fragmentos soltos.

Ela não cria uma cartilagem nova. A intenção é diminuir os sintomas mecânicos, melhorar o deslizamento da articulação e deixar o joelho em melhor condição para a reabilitação.

Microfraturas

Nas microfraturas, o cirurgião faz pequenas perfurações no osso que fica abaixo da cartilagem lesionada.

Essa técnica estimula uma cicatrização local e forma um tecido de reparo chamado fibrocartilagem, que não é igual à cartilagem original.

Mesmo assim, pode ajudar em lesões pequenas, bem localizadas e em joelhos sem desgaste avançado.

Em lesões maiores ou em pacientes com alta demanda esportiva, a durabilidade pode ser menor.

Mosaicoplastia ou OATS

Na mosaicoplastia, pequenos cilindros de osso e cartilagem são retirados de uma área menos exigida do próprio joelho. Depois, esses enxertos são colocados na região lesionada.

A técnica pode ser usada em falhas localizadas, quando existe indicação para preencher o defeito com tecido osteocondral.

Como a área doadora é limitada, ela tende a ser indicada para defeitos menores.

Transplante osteocondral com doador

Em lesões maiores, uma possibilidade é o uso de enxerto osteocondral de banco de tecidos. Nesse procedimento, cartilagem e osso são transplantados para cobrir defeitos mais extensos.

É uma cirurgia mais específica, exigindo boa indicação, estrutura adequada e reabilitação cuidadosa, e não é uma solução para qualquer desgaste de cartilagem.

Implante autólogo de condrócitos

Técnicas como ACI ou MACI usam células da própria cartilagem do paciente. O processo envolve coleta dessas células, multiplicação em laboratório e implantação posterior na região danificada.

É uma opção para casos selecionados, geralmente em lesões focais importantes.

O melhor cenário é o de pacientes jovens, com bom alinhamento do joelho e sem artrose avançada.

Osteotomia

A osteotomia pode ser indicada quando existe desalinhamento da perna e sobrecarga em uma região específica do joelho.

O objetivo não é criar cartilagem nova, e sim redistribuir a carga para aliviar a área mais desgastada. Em alguns casos, pode ser combinada com outro procedimento na cartilagem.

Prótese de joelho

Quando o desgaste é avançado e atinge uma área grande da articulação, a restauração da cartilagem pode não ser suficiente.

Nessas situações, a prótese parcial ou total do joelho pode ser considerada.

A indicação depende da dor, limitação funcional, idade, exames, expectativa do paciente e falha dos tratamentos anteriores.

Como é a recuperação?

A recuperação muda bastante de uma cirurgia para outra.

Uma artroscopia simples tende a ter evolução mais rápida. Já procedimentos como microfraturas, mosaicoplastia, transplantes e implantes celulares exigem mais proteção.

Nos primeiros dias, o foco fica em controlar dor e inchaço, proteger a área operada e recuperar a mobilidade inicial.

Com o avanço da reabilitação, entram exercícios para ganho de movimento, fortalecimento, treino de marcha e retorno gradual às atividades.

Atividades de impacto não voltam logo. Corrida, saltos, giros e esportes com mudança rápida de direção precisam de liberação médica e fisioterápica.

Cuidados que ajudam no pós-operatório

Alguns pontos fazem diferença na recuperação:

  • Respeitar o limite de carga na perna operada;
  • Usar muletas pelo tempo orientado;
  • Fazer fisioterapia com regularidade;
  • Controlar o inchaço desde o início;
  • Não antecipar retorno ao esporte;
  • Seguir as revisões médicas;
  • Fortalecer quadríceps, glúteos e musculatura do quadril;
  • Respeitar o tempo biológico de cicatrização.

Um erro comum é comparar a própria recuperação com a de outra pessoa, pois mesmo cirurgias parecidas podem ter prazos diferentes.

Riscos e limitações da cirurgia

Toda cirurgia tem riscos.

Entre eles estão infecção, trombose, rigidez, dor persistente, falha do reparo, falha do enxerto e necessidade de nova cirurgia.

Também existe uma limitação importante: nem sempre o tecido formado depois do procedimento é igual à cartilagem original, o que pode influenciar a resistência ao impacto, a durabilidade do resultado e o retorno a esportes mais intensos.

Por esse motivo, a indicação precisa ser muito bem feita.

O melhor procedimento é aquele que faz sentido para o tipo de lesão, o joelho do paciente e a rotina que ele pretende retomar.

Quando procurar um especialista em joelho?

Vale procurar avaliação quando a dor não melhora, o joelho incha com frequência ou a limitação começa a atrapalhar o dia a dia.

Travamento, falseio, perda de movimento e piora progressiva também merecem atenção.

A consulta ajuda a diferenciar lesão focal de cartilagem, artrose, lesão meniscal, desalinhamento e instabilidade, pois cada uma dessas condições pode exigir um caminho diferente.

Perguntas frequentes

Toda lesão de cartilagem precisa de cirurgia?

Não. Muitas lesões melhoram com fisioterapia, ajuste de carga, fortalecimento e controle da dor. A cirurgia entra na análise quando os sintomas persistem e a lesão tem perfil compatível com tratamento cirúrgico.

A cirurgia para cartilagem do joelho cura a artrose?

Nem sempre. Em lesões localizadas, algumas técnicas podem melhorar a área danificada. Na artrose avançada, o desgaste costuma envolver uma parte maior da articulação, o que muda a escolha do tratamento.

Quanto tempo demora a recuperação?

Depende da técnica usada. Artroscopias simples podem ter recuperação mais rápida. Procedimentos de restauração da cartilagem podem exigir meses de reabilitação e retorno gradual às atividades.

Dá para voltar ao esporte depois da cirurgia?

Em muitos casos, sim. O retorno depende do tipo de cirurgia, cicatrização, força muscular, controle do movimento e ausência de dor ou inchaço. Esportes de impacto exigem mais cautela.

Qual é a melhor cirurgia para cartilagem do joelho?

Não existe uma única melhor opção. A escolha depende do tamanho da lesão, profundidade, presença de artrose, alinhamento da perna, idade, rotina e expectativa do paciente.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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