Lesões e Doenças do Joelho

Lesão do Ligamento Cruzado Posterior: Causas, Sintomas e Tratamentos

Compreenda a Lesão do Ligamento Cruzado Posterior, suas causas, sintomas e tratamentos. Saiba como é feito o diagnóstico e os cuidados para uma recuperação segura.

No consultório, uma dúvida que aparece com frequência é sobre quando suspeitar de lesão do ligamento cruzado posterior.

Esse quadro costuma surgir depois de um trauma no joelho, como uma batida forte, queda ou entorse mais intensa.

É comum ouvir que o joelho passou a doer, inchou depois do trauma e ficou com uma sensação estranha de frouxidão.

Muitos descrevem insegurança para pisar, incômodo ao descer escadas e dificuldade para confiar na perna em movimentos do dia a dia.

Perceber os sinais cedo ajuda a evitar dor persistente, sensação de joelho solto e desgaste ao longo do tempo.

O que é o LCP e qual a sua função no joelho

O LCP, chamado de ligamento cruzado posterior, fica no centro do joelho e conecta o fêmur à tíbia. Ele tem um papel importante para segurar a tíbia no lugar e evitar que ela vá para trás de forma excessiva.

Ele contribui para que o joelho dobre e estique com estabilidade, sem que a tíbia se desloque mais do que deveria durante o movimento.

Quando o LCP está preservado, tarefas simples do dia a dia acontecem com mais firmeza, como sentar, levantar e descer escadas.

Quando existe lesão, o joelho pode perder parte desse controle e transmitir insegurança em movimentos que exigem apoio, força ou mudança de direção.

Como acontece a lesão do ligamento cruzado posterior

A lesão do LCP geralmente acontece após um trauma mais forte, e não por um movimento leve ou um simples tropeço.

O mecanismo clássico é o impacto na parte da frente da tíbia quando o joelho está dobrado, como acontece em batidas de carro ou quedas sobre o joelho flexionado.

Também pode ocorrer em esportes de contato, em movimentos de hiperextensão ou em torções mais intensas.

Não é raro que a lesão do ligamento cruzado posterior venha acompanhada de dano em menisco, cartilagem ou outros ligamentos do joelho.

Principais sintomas da lesão do LCP

Os sintomas variam conforme o grau da lesão e a presença de estruturas associadas machucadas. Em lesões leves, a dor pode parecer suportável no início, o que faz muita gente adiar a avaliação médica.

Nos quadros mais típicos, a pessoa sente dor no joelho, inchaço, rigidez e dificuldade para apoiar a perna.

Também pode surgir a sensação de que o joelho está solto, escapa ou perde força ao descer escadas, frear a caminhada ou mudar de direção.

Alguns sinais merecem atenção especial:

Mesmo quando a dor diminui depois de alguns dias, isso não significa que o ligamento cicatrizou bem.

Em algumas pessoas, o problema continua silencioso e aparece depois como insegurança ao caminhar, queda de rendimento esportivo ou dor recorrente.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história do trauma e pelo exame físico.

Saber como a lesão aconteceu ajuda a levantar a suspeita correta, principalmente quando houve impacto direto, queda sobre o joelho dobrado ou sensação de deslocamento no momento do acidente.

Depois disso, o médico avalia estabilidade, amplitude de movimento, dor e sinais de lesões associadas.

Esse passo é essencial porque a gravidade funcional da lesão nem sempre aparece por completo apenas na ressonância.

Exame físico

O exame físico é a etapa mais importante da avaliação inicial. Entre os testes mais usados estão a gaveta posterior e a observação do chamado afundamento posterior da tíbia, que ajudam a medir a frouxidão do joelho.

Além de confirmar a suspeita, o exame mostra se a lesão parece isolada ou se há chance de comprometimento de outras estruturas, o que muda bastante a decisão entre tratamento conservador e cirurgia.

Exames de imagem

A ressonância magnética é o exame mais usado para confirmar a lesão do LCP e investigar menisco, cartilagem e outros ligamentos.

Já a radiografia pode ser solicitada para afastar fraturas, avulsões ósseas e alterações do alinhamento.

Em alguns casos, radiografias com estresse também ajudam a quantificar a instabilidade. O ponto mais importante é lembrar que a imagem complementa o exame físico, e não substitui a avaliação clínica.

Graus da lesão do LCP

As lesões do LCP são classificadas em grau I, II e III. Essa divisão ajuda a entender o tamanho do dano, a instabilidade do joelho e a melhor estratégia de tratamento.

Grau I

No grau I, existe estiramento ou ruptura parcial pequena do ligamento, com instabilidade discreta. A dor e o inchaço podem existir, mas o joelho ainda mantém boa parte da função.

Grau II

No grau II, a lesão parcial é maior e o joelho pode ficar mais frouxo. A pessoa percebe mais insegurança para caminhar, mudar de direção ou descer escadas, principalmente nas primeiras semanas.

Grau III

No grau III, há ruptura completa do ligamento e instabilidade mais evidente. Esse tipo de lesão pode dificultar a marcha, limitar atividades esportivas e aparecer junto com lesões em outros ligamentos.

Tratamento sem cirurgia para lesão do LCP

O tratamento conservador é a primeira escolha para lesões isoladas e menos graves, especialmente em graus I e parte dos graus II.

O objetivo é proteger o joelho, controlar dor e inchaço e favorecer a cicatrização enquanto a musculatura assume melhor suporte articular.

Os pilares do tratamento sem cirurgia envolvem:

  • Controle de dor e inchaço;
  • Proteção com órtese quando indicada;
  • Redução temporária da carga;
  • Fortalecimento do quadríceps;
  • Treino de equilíbrio e propriocepção;
  • Retorno gradual às atividades.

O quadríceps merece destaque porque seu fortalecimento ajuda a compensar a instabilidade posterior da tíbia.

Já a progressão para corrida, treino funcional e esporte deve respeitar critérios clínicos, e não apenas o calendário.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia de ligamento do joelho não é obrigatória em toda lesão do ligamento cruzado posterior.

Ela é considerada quando existe lesão grave, instabilidade persistente, dor que não melhora com reabilitação ou associação com outros ligamentos lesionados.

Também pode haver indicação cirúrgica em avulsões ósseas e em joelhos que continuam falhando mesmo após tratamento bem conduzido.

Em pacientes com alta demanda esportiva ou profissional, a decisão pode ser mais individualizada.

Como é cirurgia

O procedimento mais comum é a reconstrução do ligamento com enxerto, geralmente feita por artroscopia. A ideia é restaurar a estabilidade do joelho e diminuir o risco de frouxidão crônica.

O tipo de enxerto e a técnica dependem das características do paciente e da lesão. Quando há lesões associadas, o planejamento cirúrgico é mais complexo e exige avaliação especializada.

Como é a reabilitação depois da cirurgia

A recuperação não termina no centro cirúrgico. A reabilitação pós-operatória é parte central do tratamento e já começa nas primeiras semanas, com progressão cuidadosa da mobilidade, do apoio e do fortalecimento.

O retorno completo às atividades pode levar meses, e o tempo varia conforme o procedimento e a resposta individual.

Em muitos casos, a recuperação total fica entre 6 e 12 meses, principalmente quando houve cirurgia e reabilitação mais longa.

Retorno ao esporte e prevenção

Voltar ao esporte cedo demais aumenta o risco de dor persistente, instabilidade e nova lesão.

Por isso, o retorno deve acontecer quando o joelho estiver sem inchaço, com força adequada, bom controle neuromuscular e segurança nos movimentos específicos da modalidade.

Alguns cuidados práticos fazem diferença:

  1. Fortalecer coxa, quadril e core.
  2. Aquecer antes dos treinos.
  3. Corrigir desequilíbrios musculares.
  4. Respeitar dor e inchaço após trauma.
  5. Voltar ao esporte de forma gradual.
  6. Manter acompanhamento quando houver lesão prévia.

Possíveis complicações quando o LCP não é tratado direito

Nem toda lesão mal conduzida gera um problema grave imediato, mas a falta de diagnóstico ou de reabilitação adequada pode deixar o joelho instável com o passar do tempo.

Isso costuma aparecer como insegurança para caminhar, desconforto em escadas e piora do desempenho físico.

Com o tempo, a mecânica alterada do joelho pode sobrecarregar cartilagem, menisco e outras estruturas. Em casos crônicos, aumenta o risco de dor persistente e desgaste articular.

Por isso, em caso de qualquer suspeita de lesão do LCP, o mais recomendado é consultar um ortopedista especialista em lesões no joelho para definir o melhor tratamento.

Perguntas frequentes

Toda lesão do ligamento cruzado posterior precisa de cirurgia?

Não. Muitas lesões isoladas, especialmente as de grau I e parte das de grau II, podem evoluir bem com brace, controle de carga e fisioterapia. A cirurgia é reservada para instabilidade importante, lesões grau III, lesões associadas em outros ligamentos ou casos em que o tratamento conservador não devolve segurança e função ao joelho.

Qual exame confirma a lesão do LCP?

A ressonância magnética é o exame mais usado para confirmar a lesão e identificar danos associados, como menisco ou outros ligamentos. Mesmo assim, o exame físico continua essencial, porque é ele que mostra o quanto o joelho está instável e ajuda a definir a gravidade funcional do quadro.

É possível andar com o ligamento cruzado posterior lesionado?

Sim, em alguns casos a pessoa ainda consegue andar, principalmente quando a lesão é parcial ou inicial. O problema é que isso pode dar a falsa impressão de que não aconteceu nada grave. Se houver dor, inchaço, falseio ou sensação de joelho solto após trauma, o ideal é procurar avaliação ortopédica.

Quanto tempo dura a recuperação da lesão do LCP?

O tempo varia conforme o grau da lesão, a presença de estruturas associadas machucadas e o tipo de tratamento. Em quadros leves, a melhora pode acontecer em semanas. Nos casos cirúrgicos, a recuperação é mais longa, e o retorno completo ao esporte pode levar vários meses.

Quais exercícios ajudam na recuperação?

Os exercícios mais importantes são os que fortalecem o quadríceps, melhoram o controle do joelho e trabalham equilíbrio e propriocepção. O ponto principal não é copiar movimentos da internet, mas seguir uma progressão individualizada. Um exercício adequado no momento errado pode atrasar a recuperação em vez de ajudar.

Quando procurar um ortopedista especialista em joelho?

A avaliação deve ser feita sempre que houver trauma no joelho com inchaço, limitação para andar, sensação de instabilidade ou dor que não melhora nos dias seguintes. Isso é ainda mais importante se o joelho falha ao descer escadas, se existe suspeita de lesão associada ou se a pessoa pretende voltar ao esporte com segurança.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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