Lesões e Doenças do Joelho

Luxação de Patela: Causas, Sintomas e Tratamentos

Entenda o que é a Luxação de Patela, quando a rótula sai completamente do lugar. Conheça as causas, primeiros socorros e opções de tratamento.

A luxação de patela acontece quando a rótula sai do lugar e perde o encaixe normal no sulco do fêmur.

É uma lesão que costuma causar dor intensa, inchaço rápido e sensação de que o joelho falhou ou ficou fora do lugar.

Em muitos casos, a patela volta sozinha para a posição. Mesmo assim, o joelho precisa ser avaliado, porque podem existir lesões nos ligamentos, na cartilagem ou pequenos fragmentos ósseos associados.

O que é luxação de patela

Para entender essa lesão, vale lembrar o básico da anatomia. A patela fica na parte da frente do joelho e desliza em um trilho natural enquanto a perna dobra e estica.

Quando esse deslizamento sai do eixo e a patela desloca para fora do sulco, ocorre a luxação.

Se acontece uma única vez, é chamada de primeira luxação. Quando volta a ocorrer, o quadro passa a ser visto como instabilidade ou luxação recorrente da patela.

Principais sintomas

Os sinais normalmente aparecem logo após uma torção, mudança brusca de direção ou impacto no joelho.

Em alguns pacientes, a deformidade é evidente. Em outros, a patela já voltou para o lugar quando a pessoa procura ajuda.

Os sintomas mais comuns são:

Também pode haver estalo, bloqueio do movimento e sensibilidade na face interna do joelho.

Quando a luxação reduz sozinha, o quadro pode parecer “apenas” uma entorse, o que aumenta a chance de subestimar a lesão.

Por que a patela sai do lugar

A luxação pode acontecer por trauma direto, mas muitas vezes surge em um movimento de torção com o pé preso no chão, comum em esportes com mudança rápida de direção, como futebol, basquete, vôlei e dança.

Além do mecanismo da lesão, alguns fatores aumentam o risco de novo episódio.

Entre eles estão patela alta, tróclea rasa, frouxidão ligamentar, desequilíbrio muscular e alterações no alinhamento do membro inferior.

Fatores que favorecem a recorrência

Depois do primeiro episódio, o joelho pode ficar mais vulnerável, que ocorre porque a luxação pode lesar estruturas estabilizadoras, principalmente o ligamento patelofemoral medial.

O risco de repetição é maior em adolescentes, pessoas com instabilidade prévia e pacientes com alterações anatômicas importantes.

Por isso, o tratamento não deve focar só na dor, mas também na causa do deslocamento.

O que fazer na hora da lesão

A prioridade é proteger o joelho e evitar piora da lesão. Tentar forçar a articulação ou continuar a atividade pode aumentar o dano.

Na prática, faça o seguinte:

  • Interrompa a atividade imediatamente;
  • Mantenha o joelho parado e apoiado;
  • Use gelo por 10 a 15 minutos, com pano entre o gelo e a pele;
  • Evite caminhar ou colocar peso na perna;
  • Não tente recolocar a patela no lugar sozinho;
  • Procure avaliação médica com urgência.

Se o joelho mudou de forma, inchou muito rápido, houve estalo forte ou a dor impede qualquer apoio, a avaliação deve ser imediata, pois esses sinais podem indicar lesões associadas que mudam a conduta.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história do trauma e pelo exame físico. O médico observa dor, edema, sensação de apreensão, alinhamento da patela e limitação para estender o joelho.

Mesmo quando a patela já voltou ao lugar, ainda é possível suspeitar da luxação. Nesses casos, o inchaço, a dor localizada e o relato de que o joelho “saiu e voltou” ajudam bastante.

A radiografia é o primeiro exame pedido, porque ajuda a confirmar o alinhamento e excluir fraturas.

A ressonância magnética é muito útil para avaliar lesões de cartilagem, contusões ósseas, ligamentos e corpos livres dentro da articulação.

Em situações específicas, a tomografia também pode ser solicitada. Ela ajuda a estudar melhor a anatomia óssea e o alinhamento do joelho, principalmente quando existe instabilidade recorrente.

Tratamento sem cirurgia

O tratamento depende do tipo de lesão, da idade do paciente, das alterações anatômicas e da presença ou não de danos associados.

Na primeira luxação, sem fratura ou grande lesão osteocondral, a abordagem costuma ser conservadora.

Quando a patela ainda está fora do lugar, o primeiro passo é a redução, feita por profissional de saúde.

Depois disso, o joelho pode precisar de imobilização temporária, órtese estabilizadora, analgésicos e, em alguns casos, muletas por alguns dias.

A fisioterapia é uma parte central da recuperação, ajudando a recuperar movimento, controlar o inchaço e fortalecer quadríceps, glúteos e demais músculos que contribuem para a estabilidade patelar.

Em muitos pacientes, esse caminho funciona bem. Ainda assim, o retorno ao esporte não deve ser apressado, porque dor, insegurança e fraqueza muscular aumentam o risco de nova luxação.

Quando a cirurgia pode ser indicada

Nem toda luxação de patela precisa de operação, o que torna fundamental procurar um ortopedista com especialização em joelho para avaliar a necessidade de cirurgia.

De forma geral, ela pode ser indicada em casos como:

  • Luxações recorrentes;
  • Fratura ou lesão osteocondral associada;
  • Instabilidade persistente após tratamento conservador;
  • Desalinhamento importante da patela durante o movimento;
  • Alterações anatômicas relevantes, avaliadas caso a caso.

O procedimento varia conforme a causa do problema.

Em muitos pacientes, a reconstrução do ligamento patelofemoral medial faz parte do tratamento, já em outros, pode ser necessário corrigir o alinhamento ósseo ou tratar alterações do sulco troclear.

A decisão é individualizada. O melhor plano cirúrgico não é o mesmo para todos, porque a instabilidade patelar tem várias causas possíveis e, muitas vezes, mais de um fator contribui para o deslocamento.

Como é a recuperação

A recuperação combina proteção inicial e progressão gradual da carga. O objetivo é devolver movimento, força e confiança sem colocar o joelho em risco cedo demais.

Nas primeiras semanas, o foco é controlar dor e edema, recuperar a extensão completa e reativar a musculatura.

Depois, entram exercícios de fortalecimento, equilíbrio, controle neuromuscular e treino funcional.

Muitas pessoas voltam a andar logo após a fase inicial do tratamento. Já o retorno ao esporte exige mais tempo, porque depende da recuperação da força, da estabilidade e da segurança nos movimentos de giro e mudança de direção.

Como prevenir novas luxações

A prevenção começa com reabilitação bem feita. Quando o paciente melhora a dor, mas não corrige fraqueza, rigidez ou desalinhamento funcional, o joelho pode continuar instável.

Algumas medidas ajudam bastante:

  1. Fortalecer coxa, quadril e core.
  2. Corrigir padrões de movimento no agachamento e na corrida.
  3. Respeitar o tempo de retorno ao esporte.
  4. Usar órtese quando houver indicação médica.
  5. Manter acompanhamento se houver sensação de falseio.

Quem já teve um episódio não deve ignorar sensação de insegurança na patela. Esse desconforto é um sinal clínico importante e merece reavaliação, mesmo sem nova luxação completa.

Perguntas frequentes

Luxação de patela pode voltar a acontecer?

Sim, pode. O risco é maior quando existem alterações anatômicas, frouxidão ligamentar, lesão do ligamento patelofemoral medial ou retorno precoce ao esporte. Por isso, a melhora da dor não basta. O joelho precisa recuperar mobilidade, força e estabilidade, e alguns pacientes ainda precisam de investigação mais detalhada para definir o risco de recorrência.

Toda luxação de patela precisa de cirurgia?

Não. Muitos casos de primeira luxação, sem fratura e sem grande lesão de cartilagem, respondem bem ao tratamento conservador com redução, proteção, órtese e fisioterapia. A cirurgia é mais considerada quando a luxação se repete, quando há instabilidade persistente ou quando exames mostram lesões associadas que mudam a conduta.

Qual exame mostra melhor a lesão?

A radiografia é muito importante no começo, porque ajuda a ver alinhamento e descartar fraturas. Já a ressonância magnética é o exame que melhor detalha ligamentos, cartilagem, contusões ósseas e corpos livres dentro do joelho. Em casos de instabilidade recorrente, a tomografia também pode ser útil para estudar melhor a anatomia óssea.

Quem teve luxação de patela pode voltar ao esporte?

Na maioria das vezes, sim. O retorno depende de alguns critérios, como ausência de dor importante, bom controle do inchaço, recuperação da força, mobilidade adequada e confiança para correr, frear e mudar de direção. Voltar antes da hora aumenta o risco de novo episódio, então a progressão precisa ser guiada pelo médico e pela fisioterapia.

Quando devo procurar urgência?

Procure atendimento imediato se o joelho mudou de formato, inchou muito rápido, houve estalo importante, a dor impede apoiar o pé no chão ou você não consegue estender a perna. Mesmo quando a patela parece ter voltado sozinha, a avaliação continua necessária, porque podem existir lesões internas que não aparecem só pela observação.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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