Lesões e Doenças do Joelho

Ligamento do Joelho Rompido se Regenera? Saiba Tudo Aqui!

Entenda se realmente o ligamento do joelho rompido se regenera, os fatores que influenciam a cicatrização e quando a cirurgia é necessária.

A resposta mais honesta é: depende do ligamento, do tipo de lesão e do grau de instabilidade do joelho.

Muita gente usa a palavra regenerar como sinônimo de “voltar ao normal”. Na prática, não é bem assim.

Em medicina, existe diferença entre cicatrização, reparo e reconstrução.

Alguns ligamentos do joelho podem cicatrizar bem com proteção e fisioterapia. Outros, principalmente quando sofrem ruptura completa, não recuperar a mesma estabilidade sozinhos.

Por isso, a pergunta certa não é só se o ligamento do joelho rompido se regenera. O mais importante é entender qual ligamento foi lesionado, se a ruptura foi parcial ou completa e se o joelho ficou instável.

Ligamento do joelho rompido se regenera?

Na maioria das vezes, a resposta não é um simples “sim” ou “não”.

De forma geral, ligamentos colaterais, especialmente o ligamento colateral medial, têm chance melhor de cicatrização com tratamento conservador.

Já o ligamento cruzado anterior, o LCA, é o que mais gera dúvida porque, nas rupturas completas, geralmente não volta ao normal.

Isso não quer dizer que a cirurgia será necessária em todos os casos, mas também não quer dizer que toda lesão parcial vai sarar sem problema.

O ponto principal é que a recuperação do joelho não depende só da imagem do exame. Ela depende da função da articulação no dia a dia.

O que significa “regenerar” de verdade

Quando alguém rompe um ligamento, três cenários são considerados:

Cicatrização

É quando o corpo forma tecido de reparo na área lesionada. Esse tecido pode ajudar bastante, mas nem sempre fica igual ao ligamento original.

Reparo

É quando o médico tenta preservar e fixar o ligamento lesionado em situações bem selecionadas, geralmente lesões agudas e com características favoráveis.

Reconstrução

É a técnica mais conhecida no caso do LCA. Em vez de “colar” o ligamento rompido, o cirurgião reconstrói a função dele com enxerto, para devolver estabilidade ao joelho.

Na prática, portanto, dizer que o ligamento “se regenera” pode simplificar demais uma situação que é mais complexa.

Quais ligamentos podem cicatrizar melhor

Ligamento colateral medial

O ligamento colateral medial, que fica na parte de dentro do joelho, responde bem ao tratamento conservador em muitos casos.

Brace, controle da carga, fisioterapia e tempo funcionam quando a lesão é isolada.

Ligamento cruzado anterior

Aqui está a maior parte das dúvidas. O LCA tem baixa chance de recuperar estabilidade normal sozinho quando sofre ruptura completa.

Estudos recentes mostraram sinais de cicatrização em parte dos pacientes tratados com protocolos específicos de imobilização e reabilitação.

Mesmo assim, ainda não significa que todo LCA rompido vai se regenerar, nem que essa seja a solução padrão para todos.

Ligamento colateral lateral e ligamento cruzado posterior

Esses ligamentos também podem ter comportamento diferente conforme o mecanismo da lesão, o grau do dano e a presença de outras estruturas machucadas.

Em lesões combinadas, a chance de precisar de cirurgia sobe bastante.

Sinais de que pode haver rompimento de ligamento no joelho

Nem toda torção rompe ligamento, mas alguns sinais chamam atenção:

  • Estalo ou sensação de “pop” no momento da lesão;
  • Inchaço rápido, às vezes em poucas horas;
  • Dor importante;
  • Dificuldade para apoiar o peso;
  • Sensação de falseio ou joelho “solto”;
  • Perda de movimento para dobrar ou esticar;
  • Insegurança para girar, frear ou mudar de direção.

No caso do LCA, é comum a dor mais forte melhorar depois de alguns dias, que pode dar a falsa impressão de que está tudo bem, mesmo quando o joelho ainda continua instável.

O que fazer nas primeiras 48 a 72 horas

Nos primeiros dias, o objetivo é proteger o joelho e controlar o inchaço.

Em geral, as medidas iniciais incluem repouso relativo, gelo por 15 a 20 minutos de cada vez, compressão quando orientada e elevação da perna.

Também vale evitar esporte, corrida, saltos e movimentos de giro até avaliação médica.

Tentar “testar para ver se aguenta” pode piorar a situação. Um joelho instável pode sofrer nova torção e acabar lesionando menisco, cartilagem ou outros ligamentos.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico não começa pela ressonância. Ele começa pela história da lesão e pelo exame físico.

O ortopedista vai perguntar como aconteceu o trauma, se houve estalo, se o joelho inchou rápido, se você conseguiu continuar andando e quais movimentos dão a sensação de falha.

Depois disso, o exame físico ajuda a avaliar a estabilidade da articulação, pontos de dor, inchaço, amplitude de movimento e sinais de lesão.

Quando necessário, entram os exames de imagem:

  • Radiografia: Ajuda a afastar fratura e pode mostrar lesões por arrancamento ósseo;
  • Ressonância: É o exame mais útil para avaliar ligamentos, meniscos, cartilagem e outras estruturas moles do joelho.

Quando o tratamento sem cirurgia pode funcionar

Nem toda lesão ligamentar precisa de operação.

O tratamento conservador é uma possibilidade quando há;

  • Ruptura parcial;
  • Ausência de instabilidade importante;
  • Menor exigência esportiva;
  • Lesões isoladas que têm boa chance de cicatrização.

Nessas situações, o plano consiste em:

  • Controle da dor e do inchaço;
  • Brace, quando indicado;
  • Fisioterapia;
  • Fortalecimento muscular;
  • Treino de equilíbrio e controle do movimento;
  • Retorno progressivo às atividades.

O ponto central é que o joelho precisa ficar funcional e estável, não apenas menos dolorido.

Quando a cirurgia passa a ser mais provável

A cirurgia entra mais forte na conversa quando o joelho fica instável, quando a pessoa quer voltar a esportes com giro e mudança de direção ou quando existem lesões associadas.

Isso é mais comum em situações como:

Também existem casos agudos e bem selecionados em que o reparo do ligamento pode ser considerado.

Mas isso não vale para qualquer ruptura, e os resultados de longo prazo ainda não sustentam essa estratégia para todos.

Em quanto tempo o joelho melhora

O tempo de recuperação varia muito. Depende do ligamento atingido, do grau da lesão, do tratamento escolhido e da presença de lesões associadas.

De forma geral:

  • Lesões leves podem melhorar em semanas;
  • Lesões colaterais isoladas costumam evoluir bem com reabilitação;
  • Lesões do LCA exigem recuperação mais longa;
  • Após cirurgia de LCA, o retorno ao esporte pode levar meses, muitas vezes entre 6 e 12 meses.

No dia a dia, algumas pessoas voltam a andar melhor bem antes disso. Só que andar sem muita dor não é o mesmo que estar pronto para correr, girar ou jogar.

Quando procurar atendimento com mais urgência

Alguns sinais pedem consulta com ortopedista de joelho especialista em ortopedia clínica e cirúrgica:

  • Incapacidade de apoiar o peso;
  • Deformidade no joelho;
  • Inchaço muito rápido e importante;
  • Travamento;
  • Dormência, formigamento ou mudança de cor no pé;
  • Joelho muito quente, vermelho ou com febre;
  • Dor intensa que não melhora.

Se a lesão aconteceu durante esporte, queda ou torção e o joelho ficou inseguro, também não vale adiar muito a consulta.

Perguntas frequentes

Dá para andar com ligamento rompido?

Em alguns casos, sim. Mas conseguir andar não exclui uma lesão importante. Muita gente com LCA rompido consegue caminhar em linha reta e ainda assim apresenta falseio ao girar ou tentar voltar ao esporte.

O ligamento do joelho rompido pode cicatrizar sozinho?

Alguns podem. Lesões colaterais e rupturas parciais têm chance melhor de cicatrização com tratamento conservador. Já rupturas completas do LCA, na maioria das vezes, não recuperam estabilidade suficiente sozinhas.

Fisioterapia resolve?

Ela é parte essencial do tratamento, com ou sem cirurgia. Em alguns casos, a fisioterapia pode ser o tratamento principal. Em outros, ela prepara para a cirurgia e acelera a recuperação depois.

Existe tratamento biológico que faça o ligamento do joelho rompido se regenerar?

Ainda não existe uma solução definitiva e comprovada para todos os casos. Técnicas com biológicos e protocolos específicos seguem em estudo e não substituem a avaliação individual.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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