Lesões e Doenças do Joelho

Lipedema no Joelho: O Que É e Como Tratar

Um guia completo sobre lipedema no joelho, desde o que pode causar, fatores de risco, até os tratamentos mais avançados.

Quando a região do joelho fica aumentada, dolorida e desproporcional ao resto da perna, muitas pessoas pensam primeiro em retenção de líquido, ganho de peso ou problema articular. Só que nem sempre é isso.

Em alguns pacientes, o aumento de volume perto do joelho não tem ligação apenas com ganho de peso ou desgaste da articulação. Pode ser lipedema.

O problema é que lipedema no joelho ainda passa despercebido em muitos casos. Não raro, a pessoa recebe explicações como obesidade, retenção de líquido, artrose, mesmo quando os sinais apontam para outro caminho.

Com isso, o diagnóstico demora. A dor continua, as pernas ficam pesadas, o desconforto atrapalha a rotina e o lado emocional também sente o impacto.

O que é lipedema no joelho

O lipedema altera a distribuição da gordura no corpo. O acúmulo aparece de forma desproporcional, principalmente nas pernas, e também pode atingir os braços.

Quando essa gordura se concentra perto do joelho, a região pode ficar mais marcada, com aumento de volume, sensibilidade e dor ao toque.

Não se trata apenas de “gordura localizada”. O quadro pode vir acompanhado de dor, sensação de peso, inchaço ao longo do dia e facilidade para formar hematomas.

Além disso, o tecido fica mais sensível, o que interfere na rotina, no uso de roupas e até em movimentos simples, como subir escadas, agachar ou permanecer muito tempo em pé.

Como diferenciar lipedema de obesidade e linfedema

Essa é uma das maiores dúvidas, e também uma das principais causas de erro no diagnóstico.

Lipedema não é a mesma coisa que obesidade

Na obesidade, o aumento de gordura tende a ser mais geral, já no lipedema, a distribuição é desproporcional, com acúmulo mais evidente nas pernas e ao redor dos joelhos, enquanto o tronco pode parecer mais fino.

Outra diferença importante é que o lipedema costuma causar dor, sensibilidade e hematomas com facilidade.

A perda de peso pode melhorar a sobrecarga e parte dos sintomas, mas não elimina sozinha o padrão de gordura típico da doença.

Lipedema não é a mesma coisa que linfedema

No linfedema, o problema principal envolve acúmulo de líquido e, muitas vezes, os pés também ficam inchados.

No lipedema, o padrão é mais simétrico, doloroso e geralmente poupa os pés.

Principais sintomas

Nem toda gordura no joelho é lipedema. O que faz suspeitar da condição é o conjunto de sinais.

Os sintomas mais comuns são:

  • Aumento de volume ao redor dos joelhos e das pernas, de forma parecida dos dois lados;
  • Dor ao toque ou sensação de perna sempre dolorida;
  • Peso, cansaço e desconforto no fim do dia;
  • Facilidade para ter hematomas, mesmo com pequenos impactos;
  • Inchaço que piora com calor, longos períodos em pé ou pouca movimentação;
  • Dificuldade para agachar, ajoelhar ou caminhar com conforto;
  • Sensação de que a perna “não acompanha” o resto do corpo.

Em fases mais avançadas, esse volume pode alterar a marcha, aumentar a sobrecarga nas articulações e atrapalhar bastante a mobilidade.

O que pode causar ou piorar o quadro

A causa exata do lipedema no joelho ainda não é totalmente esclarecida, mas há dois fatores que aparecem com frequência: predisposição genética e influência hormonal.

Por isso, o problema pode surgir ou piorar em fases como:

  • Puberdade;
  • Gravidez;
  • Menopausa;
  • Períodos de ganho de peso;
  • Fases de maior inflamação e sedentarismo.

Também é comum haver outras pessoas da família com pernas desproporcionais, doloridas ou com histórico de diagnóstico semelhante.

Como o lipedema afeta o joelho e a mobilidade

Quando há acúmulo de tecido ao redor do joelho, a articulação passa a trabalhar sob mais carga, que pode causar dor para se mover, sensação de rigidez e piora em atividades do dia a dia.

Nem toda dor no joelho em quem tem lipedema vem da articulação em si. Às vezes, o incômodo está mais relacionado à sensibilidade do tecido, ao peso sobre a perna, ao atrito e à limitação de movimento.

Isso é importante porque algumas pessoas tratam o joelho por muito tempo como se o problema fosse apenas ortopédico, quando o lipedema também faz parte do quadro.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do lipedema é principalmente clínico, ou seja, a consulta e o exame físico são fundamentais.

O médico avalia:

  • Onde está o aumento de volume;
  • Se o padrão é simétrico;
  • Presença de dor e sensibilidade;
  • Facilidade para hematomas;
  • Impacto na mobilidade;
  • Relação dos sintomas com fases hormonais e histórico familiar.

Exames de imagem podem ser pedidos para complementar a avaliação e descartar outras causas, como problemas venosos, linfáticos ou articulares.

No caso do joelho, exames como ultrassom, Doppler ou ressonância podem ajudar quando existe dúvida diagnóstica ou suspeita de lesões associadas.

O ponto principal é: não existe um único exame que, sozinho, resolva tudo. O diagnóstico depende da história da paciente, do exame físico e da análise do conjunto dos sinais.

Tratamento

O tratamento de lipedema não deve focar só na aparência da perna. O objetivo é reduzir a dor, melhorar a mobilidade, controlar o inchaço, preservar a função do joelho e melhorar a qualidade de vida.

Na prática, a abordagem começa pelo tratamento conservador.

Medidas que podem ajudar

As estratégias mais usadas envolvem:

  • Compressão, quando bem indicada e ajustada;
  • Fisioterapia e terapia física descongestionante;
  • Exercícios de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica, bicicleta e atividades aquáticas;
  • Fortalecimento muscular, especialmente para melhorar estabilidade e movimento;
  • Acompanhamento nutricional;
  • Controle do peso, quando há sobrepeso ou obesidade associados;
  • Cuidados com dor e inflamação;
  • Apoio psicológico, quando o quadro afeta autoestima, rotina e saúde mental.

Exercício físico ajuda mesmo?

Ajuda, mas com a expectativa certa.

Exercício não elimina o padrão de gordura do lipedema, porém, melhora circulação, mobilidade, força muscular, condicionamento e sobrecarga articular.

Em geral, os exercícios mais bem tolerados são os de baixo impacto. Atividades muito intensas, com dor persistente durante ou depois, precisam ser revistas.

Alimentação faz diferença?

Faz, principalmente no controle da inflamação, do peso corporal e do bem-estar geral.

É importante entender que lipedema não se resume a excesso de peso. Mesmo assim, quando há obesidade associada, os sintomas podem piorar.

Por isso, uma alimentação equilibrada e acompanhamento individualizado ajudam no controle do quadro.

Quando a cirurgia pode ser considerada

Em alguns casos, a cirurgia pode entrar no tratamento, principalmente quando há limitação importante, dor persistente e falha das medidas conservadoras bem conduzidas.

Mas esse passo não deve ser banalizado. Hoje, o entendimento mais aceito é que o tratamento clínico vem primeiro, e a cirurgia precisa ser muito bem indicada, com avaliação individual e seguimento adequado.

Ou seja: cirurgia pode ser opção, mas não deve ser tratada como solução automática para todo mundo.

Qual médico procurar

Como o lipedema pode ser confundido com várias condições, o ideal é buscar avaliação com profissional que conheça bem a doença. Muitas vezes, o cuidado envolve mais de uma área.

Dependendo do caso, podem participar do tratamento:

Essa visão multidisciplinar traz resultados melhores do que tentar resolver tudo de forma isolada.

Quando procurar avaliação médica

Vale marcar uma consulta se você notar um ou mais destes sinais:

  1. Joelhos e pernas maiores de forma desproporcional;
  2. Dor frequente ao toque;
  3. Hematomas fáceis;
  4. Sensação de peso constante;
  5. Piora do inchaço no fim do dia;
  6. Desconforto para caminhar, subir escadas ou agachar;
  7. Histórico familiar parecido.

Quanto mais cedo o quadro é reconhecido, maiores as chances de controlar os sintomas antes que eles limitem ainda mais a rotina.

Perguntas frequentes

Lipedema no joelho dói?

Pode doer, sim. Dor, sensibilidade ao toque e sensação de peso estão entre os sintomas mais comuns.

Lipedema aparece só no joelho?

Não. O joelho pode ser uma das áreas mais chamativas, mas o padrão pode envolver outras regiões das pernas, e em alguns casos também os braços.

Emagrecer resolve o problema?

Emagrecer pode ajudar na sobrecarga, no inchaço e na qualidade de vida, mas normalmente não elimina sozinho a distribuição típica do lipedema.

Toda pessoa com joelho volumoso tem lipedema?

Não. O aumento de volume nessa região também pode acontecer por gordura comum, edema, alterações posturais, problemas venosos ou doenças do próprio joelho.

O lipedema tem cura?

O mais importante é saber que existe tratamento para controlar sintomas, melhorar a função e reduzir o impacto no dia a dia. O plano ideal depende da fase da doença e das queixas de cada paciente.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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