Lesões e Doenças do Joelho

Sintomas de Joelho Quebrado: Veja Sinais e Cuidados

Identifique os primeiros sintomas de joelho quebrado e quando buscar atendimento com urgência.

Nem todo joelho que dói depois de um tombo está quebrado. Ainda assim, quando a dor vem forte, o inchaço cresce rápido e fica difícil apoiar a perna, a suspeita de fratura precisa ser considerada.

No dia a dia, muitas pessoas chamam de joelho quebrado a fratura que acontece na patela, no platô tibial ou na parte distal do fêmur, que é a região óssea perto da articulação.

O ponto mais importante é reconhecer os sintomas de joelho quebrado cedo e não insistir em andar ou “testar” o joelho machucado.

O que é considerado joelho quebrado?

Quando há fratura em um dos ossos que formam ou cercam a articulação, estamos diante de um joelho quebrado.

Pode acontecer depois de queda, acidente de trânsito, pancada direta no joelho ou trauma esportivo.

As fraturas mais comuns nessa região envolvem a patela, que é a rótula, o platô tibial e a parte final do fêmur.

Algumas são estáveis e sem desvio, enquanto outras mudam o alinhamento da articulação e exigem atendimento rápido.

Quais são os principais sintomas de joelho quebrado?

Os sintomas de joelho quebrado aparecem logo após o trauma, e os que mais chamam atenção são:

  • Dor forte logo após a pancada ou queda;
  • Inchaço rápido na região;
  • Hematoma ou pele arroxeada;
  • Dificuldade para apoiar o peso no chão;
  • Limitação para dobrar ou esticar a perna;
  • Deformidade ou desalinhamento visível.

Em fraturas da patela, um sinal bem sugestivo é a dificuldade para manter a perna estendida ou levantar a perna reta.

Algumas pessoas também relatam sensação de crepitação, como se algo raspasse ou estalasse ao tentar mexer.

Nem sempre a dor, sozinha, confirma a fratura, pois menisco, ligamentos e luxações também podem causar dor intensa.

O que aumenta a suspeita é a combinação entre trauma, inchaço rápido, perda de função e incapacidade de sustentar o peso.

Quando procurar atendimento com urgência?

Depois de um trauma no joelho, alguns sinais não combinam com observação em casa. Eles pedem avaliação médica sem demora, de preferência em pronto atendimento ou emergência.

Procure ajuda rápida se houver:

  • Joelho visivelmente torto ou fora do lugar;
  • Osso exposto ou ferida aberta na região;
  • Pé frio, pálido, dormente ou com formigamento;
  • Incapacidade total de andar ou mexer a perna;
  • Dor intensa com inchaço importante logo após o trauma.

Esses achados podem indicar fratura com desvio, lesão vascular, comprometimento neurológico ou fratura exposta. Nesses casos, tentar “colocar no lugar” ou forçar o movimento só aumenta o risco.

O que fazer logo após a lesão?

Os primeiros cuidados fazem diferença até a avaliação médica. O objetivo não é tratar em casa, e sim evitar a piora e chegar com mais segurança ao atendimento.

De forma geral, vale seguir estes passos:

  1. Interrompa a atividade e não tente continuar andando.
  2. Mantenha a perna o mais imóvel possível.
  3. Aplique gelo envolvido em pano por 15 a 20 minutos.
  4. Eleve a perna, se isso não aumentar a dor.
  5. Procure avaliação médica o quanto antes.

Também é bom evitar massagem, calor local e movimentos forçados para “ver se volta ao normal”. Se houver deformidade, não tente alinhar o joelho por conta própria.

Como o diagnóstico é confirmado?

O diagnóstico começa pela história do trauma e pelo exame físico.

O médico observa dor, edema, deformidade, capacidade de movimento, extensão ativa do joelho e sinais de lesão em nervos ou circulação.

Depois disso, os exames de imagem ajudam a confirmar o tipo de fratura e a gravidade do caso.

  • Radiografia: é o primeiro exame. Ela mostra se existe fratura, se há desvio dos fragmentos e qual osso foi atingido.
  • Tomografia: é solicitada quando a fratura é articular, tem múltiplos fragmentos ou precisa de planejamento cirúrgico mais preciso, especialmente útil nas fraturas do platô tibial e em lesões com maior complexidade.
  • Ressonância: é usada quando existe suspeita de fratura oculta ou lesões associadas, como dano em meniscos, ligamentos e cartilagem.

Como é o tratamento do joelho quebrado?

O tratamento depende de três pontos: qual osso quebrou, se houve desvio e se a articulação ficou estável. Por isso, não existe uma resposta única para todo caso.

Em linhas gerais, o plano pode ser conservador ou cirúrgico.

Quando pode ser tratado sem cirurgia

Fraturas estáveis, sem desvio importante e com bom alinhamento podem ser tratadas com imobilização, controle da dor e restrição de carga por um período.

Mesmo nesses casos, o acompanhamento precisa ser cuidadoso. O joelho não deve ser liberado cedo demais, porque uma fratura que parecia simples pode perder alinhamento durante a recuperação.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia é mais comum quando há desvio, fragmentação, fratura exposta ou comprometimento da superfície articular. O objetivo é restaurar o alinhamento, dar estabilidade e reduzir o risco de sequelas.

Dependendo do tipo de fratura, podem ser usados parafusos, fios, placas ou outros implantes. A decisão varia conforme o exame físico e os achados das imagens.

A fisioterapia faz parte da recuperação

Seja com cirurgia ou sem cirurgia, a reabilitação pesa muito no resultado final. Depois de um tempo de imobilização, é comum o joelho ficar rígido e a coxa perder força.

A fisioterapia ajuda a recuperar mobilidade, força muscular, controle do movimento e confiança para voltar a andar.

Quanto tempo leva para melhorar?

A consolidação óssea costuma levar em torno de 6 semanas em muitos casos, mas não significa volta completa à rotina nesse prazo. Melhorar da fratura e recuperar a função do joelho são etapas diferentes.

Atividades simples podem voltar antes. Já corrida, esporte, agachamento profundo e esforço maior podem exigir vários meses.

Em parte dos pacientes, o retorno completo acontece entre 6 meses e 1 ano, dependendo da gravidade da lesão, da idade e da resposta à reabilitação.

O que pode acontecer se não tratar direito?

Uma fratura mal avaliada ou mal tratada pode deixar marcas no joelho. O problema não é só a dor do começo, mas o risco de a articulação cicatrizar fora do alinhamento.

Entre as complicações possíveis, estão:

  • Consolidação em posição ruim;
  • Rigidez e perda de movimento;
  • Perda de força para estender o joelho;
  • Dor persistente ao andar ou subir escadas;
  • Artrose pós-traumática mais cedo.

Por isso, a orientação é consultar um ortopedista de joelho com experiência em lesões e reabilitação, pois quanto antes o diagnóstico for fechado, melhor tende a ser a recuperação.

Perguntas frequentes

Dá para andar com joelho quebrado?

Às vezes, a pessoa até consegue dar alguns passos, principalmente em fraturas menos desviadas. Mesmo assim, não afasta a possibilidade de fratura. Se houve trauma e o joelho ficou muito dolorido, inchado ou difícil de apoiar, o mais seguro é evitar carga até ser examinado.

Toda fratura no joelho precisa de cirurgia?

Não. Fraturas estáveis e sem desvio podem ser tratadas sem operação em casos selecionados. A cirurgia é indicada quando existe desalinhamento, fragmentação, fratura exposta ou prejuízo importante da articulação e do mecanismo de extensão do joelho.

Como saber se é fratura ou apenas uma entorse forte?

Sem exame físico e imagem, nem sempre dá para diferenciar com segurança. A suspeita de fratura cresce quando aparecem dor intensa logo após o trauma, inchaço rápido, hematoma, deformidade, incapacidade de apoiar o peso ou dificuldade importante para esticar a perna.

Qual é o primeiro exame que é pedido?

Na maioria dos casos, a radiografia é o primeiro exame. Ela mostra se houve quebra do osso e se os fragmentos saíram do lugar. Tomografia e ressonância entram depois, quando é preciso detalhar melhor a fratura ou investigar lesões associadas.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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