Lesões e Doenças do Joelho

Tendinite Pata de Ganso: Causas, Sintomas e Como Tratar

Saiba o que pode causar, sinais de alerta, fatores de risco e tratamentos para tendinite pata de ganso.

A tendinite pata de ganso provoca dor na parte de dentro do joelho, um pouco abaixo da linha da articulação, mas nem sempre o problema fica restrito aos tendões.

Em muitos pacientes, a bursa localizada nessa região também fica irritada, o que pode aumentar a sensibilidade e o incômodo ao caminhar, subir escadas ou levantar da cadeira.

Por isso, é comum encontrar nomes como bursite da pata de ganso ou síndrome da pata de ganso para falar do mesmo problema.

O mais importante é reconhecer o padrão da dor, entender o que está sobrecarregando o joelho e tratar a causa.

Quando o quadro é identificado cedo, a recuperação é boa e, quase sempre, acontece sem cirurgia.

O que é a pata de ganso

A pata de ganso fica na parte interna da tíbia, logo abaixo do joelho. Ela recebe esse nome porque reúne três tendões nessa região.

Esses tendões participam de movimentos importantes, como dobrar o joelho, girar a perna para dentro e dar estabilidade ao membro durante atividades simples do dia a dia, como caminhar, correr e subir escadas.

Bem perto deles existe uma pequena bolsa com líquido, chamada bursa, que reduz o atrito.

Quando tendões e bursa ficam irritados, a dor aparece na face interna do joelho e tende a piorar com esforço repetitivo.

Principais causas e fatores de risco

Na maioria das vezes, a tendinite pata de ganso aparece por sobrecarga. O joelho até aguenta bem por um tempo, mas repetições demais, técnica ruim ou recuperação insuficiente começam a irritar a região.

Os fatores que mais influenciam são:

  • Corrida, caminhada em subida, escada e agachamentos repetidos;
  • Aumento rápido de treino ou impacto;
  • Sobrepeso;
  • Joelho em valgo, que é o joelho em “X”;
  • Pé chato ou outras alterações de alinhamento;
  • Fraqueza de quadril, coxa e core;
  • Artrose do joelho;
  • Diabetes e outras condições inflamatórias;
  • Trauma direto na parte interna do joelho.

Ela também é vista com frequência em mulheres de meia-idade, em pessoas com artrose e em praticantes de esportes com mudança de direção.

Corredores, jogadores de futebol e quem treina sem progressão adequada entram bastante nesse grupo.

Sintomas da tendinite pata de ganso

O sintoma central é a dor localizada na parte interna do joelho, abaixo da articulação. Em algumas pessoas, a região também fica sensível ao toque, levemente inchada e mais irritada após esforço.

Os sinais mais comuns são:

  • Dor ao subir ou descer escadas;
  • Desconforto para levantar da cadeira;
  • Piora ao agachar ou caminhar por mais tempo;
  • Dor depois de corrida, treino ou subida;
  • Sensibilidade na face interna da tíbia;
  • Sensação de fisgada no começo do movimento;
  • Desconforto ao cruzar as pernas ou dobrar muito o joelho.

Nem todo mundo vai sentir todos esses sintomas. O que chama atenção é o conjunto, dor interna, ponto doloroso bem localizado e piora com carga repetitiva.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico começa pela conversa com o ortopedista e pelo exame físico.

Saber onde dói, há quanto tempo, o que piora, se houve aumento de treino, trauma ou limitação na rotina já aponta bastante o caminho.

Depois disso, o médico examina o joelho, procura o ponto exato de dor, avalia força, mobilidade, alinhamento e faz testes para descartar menisco, ligamentos e outras lesões.

Em muitos casos, essa etapa já é suficiente para suspeitar fortemente do problema.

Quando exames de imagem entram na investigação

O exame de imagem é solicitado quando há dúvida diagnóstica, suspeita de lesão associada, trauma, evolução arrastada ou pouca melhora com o tratamento inicial.

Quando necessário, os exames mais usados são:

  • Radiografia, para avaliar osso e sinais de artrose;
  • Ultrassonografia, útil em alterações mais superficiais;
  • Ressonância magnética, quando é preciso olhar melhor tendões, bursa, menisco e outras estruturas.

O ponto principal é simples, exame ajuda, mas não substitui história e exame físico.

Como tratar

O tratamento geralmente é conservador, cujo foco é reduzir a irritação da região primeiro e, depois, corrigir o que favoreceu a sobrecarga.

Tratar só a dor, sem se aprofundar na causa, aumenta a chance de a crise voltar.

O que ajuda na fase inicial

Nos primeiros dias ou nas fases mais irritadas, algumas medidas simples aliviam bastante. O objetivo não é zerar movimento, e sim reduzir o que piora a inflamação.

As medidas mais usadas são:

  • Repouso relativo, sem insistir nas atividades que agravam a dor;
  • Gelo por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia;
  • Ajuste temporário de corrida, escada, salto e agachamento profundo;
  • Analgésicos ou anti-inflamatórios, quando indicados pelo médico;
  • Retorno gradual às atividades, em vez de parar e voltar de uma vez.

Repouso relativo não é ficar totalmente parado. É escolher cargas que o joelho consegue tolerar enquanto a região desinflama.

Por que a fisioterapia é a parte mais importante

A fisioterapia não serve só para “soltar” o joelho. Ela ajuda a melhorar a força, o controle do movimento e a distribuição da carga entre joelho, quadril e tronco.

Durante a reabilitação, é comum trabalhar:

  • Alongamento de posteriores da coxa e panturrilha;
  • Fortalecimento de quadríceps, glúteos e adutores;
  • Controle do valgo do joelho;
  • Mobilidade de quadril e tornozelo;
  • Correção de marcha, corrida ou gesto esportivo;
  • Progressão segura de retorno ao treino.

Essa etapa é a que mais reduz recaídas. Muitos pacientes melhoram da dor com gelo e remédio, mas voltam a ter o mesmo problema porque não corrigiram a sobrecarga que estava por trás.

Infiltração e cirurgia

Infiltração pode ser considerada em casos selecionados, principalmente quando a dor persiste apesar do tratamento conservador ou quando a inflamação está impedindo a reabilitação.

Cirurgia é rara. Em geral, ela fica reservada para situações excepcionais, como falha prolongada do tratamento, infecção ou outro problema associado que mude completamente o caso.

Quanto tempo leva para melhorar

Não existe um prazo igual para todos. Casos leves podem melhorar em poucas semanas, enquanto quadros mais arrastados ou mantidos por meses exigem mais tempo de reabilitação.

O que mais influencia a recuperação é:

Quando a pessoa melhora, mas volta cedo demais para o impacto, a dor pode reaparecer.

Como evitar novas crises

Depois que a dor alivia, a prevenção se torna a parte mais importante. O objetivo não é prometer risco zero, e sim deixar o joelho menos vulnerável à mesma sobrecarga.

Hábitos que ajudam de verdade:

  1. Aumentar treino e impacto aos poucos.
  2. Fortalecer coxa, quadril e tronco com regularidade.
  3. Usar calçado adequado para a atividade.
  4. Corrigir técnica quando o movimento estiver desalinhado.
  5. Respeitar dor persistente, em vez de insistir por semanas.
  6. Controlar o peso, quando isso faz parte da sobrecarga.
  7. Alternar dias de esforço com recuperação suficiente.

Prevenção funciona melhor com constância do que com soluções rápidas.

Quando procurar ajuda rápido

Nem toda dor na pata de ganso é urgente, mas alguns sinais pedem avaliação sem demora, pois podem indicar lesão mais importante, inflamação intensa ou até infecção.

Procure um ortopedista especialista em joelho para analisar seu quadro se houver:

  • Joelho muito inchado, quente ou avermelhado;
  • Febre ou mal-estar junto com a dor;
  • Incapacidade de apoiar o peso na perna;
  • Joelho travado, sem conseguir esticar;
  • Deformidade ou dor forte após queda ou torção;
  • Sensação de falseio frequente, a ponto de cair.

Também vale marcar consulta se a dor durar mais de alguns dias, voltar sempre ou começar a limitar escada, caminhada, treino e trabalho.

Perguntas frequentes

Tendinite pata de ganso é grave?

Na maioria dos casos, não é grave. O quadro está ligado à sobrecarga dos tendões e da bursa na parte interna do joelho. Mesmo assim, a dor não deve ser ignorada quando persiste, piora ao subir escadas ou limita caminhada, treino e tarefas do dia a dia.

Onde dói na tendinite pata de ganso?

A dor aparece na parte interna do joelho, um pouco abaixo da linha da articulação. Muitas pessoas sentem um ponto dolorido ao toque, cerca de alguns centímetros abaixo do joelho, principalmente após caminhada, corrida, escada ou agachamento.

O que causa tendinite da pata de ganso?

A causa mais comum é a sobrecarga, que pode acontecer por aumento rápido de treino, corrida, escadas, agachamentos repetidos, fraqueza muscular, desalinhamento do joelho ou excesso de impacto. Pessoas com artrose, sobrepeso, pé chato ou joelho em “X” também podem ter maior risco.

Como tratar?

O tratamento costuma envolver ajuste das atividades, gelo, controle da dor e fisioterapia. A fisioterapia tem papel importante porque ajuda a fortalecer coxa, quadril e tronco, melhora o controle do movimento e reduz o risco de a dor voltar.

Quando procurar um ortopedista?

Procure um ortopedista se a dor durar vários dias, voltar com frequência ou atrapalhar caminhada, escadas, treino ou trabalho. Dor forte após trauma, joelho inchado, quente, travado, falseio ou dificuldade para apoiar o peso na perna também pedem avaliação rápida.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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