Lesões e Doenças do Joelho

Pseudogota No Joelho: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Entenda o que pode causar a pseudogota no joelho, como é uma crise e as opções de tratamento mais eficazes.

Um joelho que incha de uma hora para outra, fica quente e quase não dobra costuma causar preocupação. Uma das possíveis explicações é a pseudogota no joelho, uma crise inflamatória provocada por cristais dentro da articulação.

O quadro pode lembrar gota, artrose inflamada e até uma infecção. Por esse motivo, não é seguro identificar a causa apenas pela aparência do joelho ou por sintomas descritos na internet.

O que é pseudogota no joelho?

Pseudogota é o nome popular da artrite aguda causada por cristais de pirofosfato de cálcio. Hoje, os médicos também usam o termo doença por depósito de pirofosfato de cálcio.

Esses cristais podem se formar na cartilagem, no menisco e em outros tecidos da articulação. Quando entram em contato com as células de defesa, desencadeiam uma inflamação que pode ser intensa.

O joelho está entre os locais mais atingidos. Punhos, tornozelos, cotovelos, ombros e outras articulações também podem apresentar crises.

É importante diferenciar três situações:

  • Depósito de cristais de pirofosfato de cálcio nos tecidos.
  • Condrocalcinose observada em exames de imagem.
  • Crise aguda de artrite, conhecida como pseudogota.
  • Artrite crônica associada ao depósito desses cristais.

Um paciente pode ter condrocalcinose na radiografia e nunca sentir dor. Nesse caso, o exame mostra calcificação, mas não confirma que ela seja a responsável pelos sintomas atuais.

Como é uma crise?

Na maioria das vezes, a dor aparece rapidamente e piora ao longo de poucas horas. O joelho pode ficar tão sensível que até o contato da roupa incomoda.

Os sinais mais comuns são:

  • Dor forte, mesmo em repouso.
  • Aumento visível do volume do joelho.
  • Calor na articulação.
  • Rigidez para dobrar ou esticar a perna.
  • Dificuldade para caminhar ou apoiar o peso.
  • Vermelhidão em alguns casos.

A crise pode durar alguns dias ou persistir por semanas. A intensidade varia bastante, inclusive entre episódios ocorridos na mesma pessoa.

Alguns pacientes também apresentam cansaço, febre baixa e alteração nos exames de inflamação. Esses achados merecem atenção porque também aparecem em infecções articulares.

Quando precisa de atendimento rápido?

Um joelho quente, inchado e doloroso de início súbito deve ser avaliado no mesmo dia, principalmente quando é a primeira crise. O cuidado precisa ser ainda mais rápido se houver febre ou piora do estado geral.

Procure atendimento sem adiar quando houver:

  • Febre, calafrios ou mal-estar importante.
  • Incapacidade de apoiar a perna.
  • Dor que aumenta rapidamente.
  • Ferida, infecção de pele ou secreção próxima ao joelho.
  • Cirurgia, infiltração ou procedimento recente.
  • Uso de medicamentos que diminuem a imunidade.

A principal preocupação é a artrite séptica, uma infecção dentro da articulação. Ela pode causar sintomas muito parecidos e precisa de tratamento urgente.

Por que os cristais aparecem?

Na maior parte dos casos, não existe uma única causa. O envelhecimento da cartilagem e mudanças no metabolismo do pirofosfato favorecem o acúmulo ao longo dos anos.

Por isso, a pseudogota é muito mais comum em pessoas idosas. Em pacientes jovens, o diagnóstico é menos esperado e exige uma investigação mais cuidadosa.

Algumas condições aumentam a chance de depósito dos cristais:

  • Hemocromatose, doença que causa excesso de ferro.
  • Hiperparatireoidismo.
  • Baixo nível de magnésio.
  • Hipofosfatasia, uma alteração metabólica rara.
  • Trauma ou cirurgia anterior na articulação.
  • Histórico familiar de doença por cristais.

Quando a pseudogota aparece antes dos 60 anos, causa crises frequentes ou afeta várias articulações, o médico pode solicitar exames metabólicos. A investigação depende da idade, do histórico familiar e dos demais sintomas.

Pseudogota e gota são a mesma coisa?

As duas doenças provocam inflamação por cristais, mas não são iguais. Na gota, o cristal é formado por urato monossódico, relacionado ao metabolismo do ácido úrico.

Na pseudogota, o cristal é de pirofosfato de cálcio. O joelho e o punho são locais bastante comuns, embora qualquer uma das doenças possa atingir diferentes articulações.

Outra diferença aparece no microscópio. Os cristais de pirofosfato têm formato romboide ou semelhante a pequenos bastões e apresentam birrefringência positiva fraca.

O ácido úrico no sangue não confirma nem descarta pseudogota. Uma pessoa pode ter ácido úrico elevado sem gota e, em situações menos frequentes, apresentar as duas doenças.

Como o diagnóstico é confirmado?

A avaliação começa pela conversa sobre o início da dor, crises anteriores, febre, traumas e doenças já conhecidas. Depois, o médico examina o joelho e procura sinais de derrame no joelho, inflamação ou infecção.

Quando existe líquido dentro da articulação, a punção pode trazer informações muito importantes.

A amostra pode ser usada para procurar cristais, contar células inflamatórias e investigar bactérias. Essa análise ajuda a separar pseudogota, gota e artrite infecciosa.

Radiografia e ultrassom

A radiografia pode mostrar condrocalcinose, geralmente vista como linhas ou pontos de calcificação na cartilagem. Ela também ajuda a avaliar artrose, alinhamento e desgaste articular.

O ultrassom consegue identificar depósitos, inflamação da membrana sinovial e excesso de líquido. Além disso, pode orientar a punção quando o derrame é pequeno ou difícil de alcançar.

A ressonância magnética é necessária?

A ressonância não é o primeiro exame para procurar cristais de pirofosfato. Ela é mais útil quando o médico suspeita de lesão do menisco, cartilagem, ligamentos ou outra causa de dor.

Como é feito o tratamento?

Nem todos os pacientes podem seguir o mesmo tratamento.

O ortopedista especialista em joelho com capacitação em tratamentos de ponta leva em conta o quanto a articulação está inflamada, se o problema atinge uma ou várias regiões e quais cuidados a saúde da pessoa exige.

Quando apenas o joelho está inflamado

Se houver muito líquido, a punção pode aliviar a pressão e diminuir parte do desconforto. Ao mesmo tempo, permite pesquisar cristais e descartar uma infecção.

Depois dessa avaliação, o médico pode considerar uma infiltração com corticoide dentro do joelho. Essa opção funciona bem em crises de uma única articulação, desde que não exista suspeita de infecção.

Medicamentos usados na fase aguda

Anti-inflamatórios não esteroides podem aliviar dor e inchaço, mas nem todos os pacientes podem utilizá-los. O risco deve ser avaliado principalmente em pessoas com problemas renais, cardíacos ou digestivos.

A colchicina em baixa dose é outra possibilidade. Um estudo clínico comparando colchicina e prednisona encontrou alívio semelhante no curto prazo, embora os efeitos adversos tenham sido diferentes entre os grupos.

Corticoides por via oral podem ser escolhidos quando as opções anteriores não são adequadas. A decisão precisa considerar glicose, pressão arterial, risco de infecção e outros problemas de saúde.

Em crises resistentes ou quando os tratamentos habituais são contraindicados, o médico pode avaliar medicamentos que bloqueiam a interleucina 1. A anakinra é uma dessas opções, mas seu uso fica reservado para casos selecionados.

O que fazer em casa enquanto o joelho melhora?

Nas primeiras horas, reduzir a carga pode trazer alívio, mas não significa permanecer imóvel por vários dias, pois o repouso prolongado favorece rigidez e perda de força.

Algumas medidas simples podem ajudar:

  1. Aplicar uma bolsa fria protegida por um pano.
  2. Elevar a perna quando houver muito inchaço.
  3. Evitar agachamentos, escadas e longas caminhadas.
  4. Usar apoio para caminhar, quando houver orientação.
  5. Retomar os movimentos de forma gradual.
  6. Observar febre ou piora dos sintomas.

Não massageie com força uma articulação quente e muito dolorosa. Também não use medicamentos guardados de crises anteriores sem confirmar que o quadro atual tem a mesma causa.

É possível prevenir novos episódios?

Nem sempre é possível evitar outra crise. Quando os episódios são frequentes, o médico pode considerar colchicina em baixa dose como prevenção, após avaliar riscos e interações.

Também faz sentido investigar e tratar doenças associadas, como hemocromatose, hiperparatireoidismo ou deficiência de magnésio. Corrigir essas condições é importante para a saúde geral, embora nem sempre remova cristais já formados.

Não existe uma dieta específica com efeito comprovado semelhante à dieta usada no controle da gota. Reduzir alimentos ricos em purinas, por exemplo, não dissolve cristais de pirofosfato.

Manter um peso adequado, dormir bem e controlar doenças crônicas ajuda o joelho como um todo. Esses hábitos melhoram a função, mas não garantem que uma nova crise não ocorrerá.

Perguntas frequentes

Pseudogota no joelho tem cura?

Ainda não existe um tratamento capaz de retirar todos os cristais já depositados na articulação. Mesmo assim, a inflamação pode ser controlada e muitas pessoas permanecem longos períodos sem novas crises. O acompanhamento busca aliviar os episódios, investigar condições associadas e preservar movimento, força e independência nas atividades do dia a dia.

Qual exame confirma a pseudogota?

A identificação de cristais de pirofosfato de cálcio no líquido sinovial é o achado mais direto. A punção também permite pesquisar bactérias, algo essencial quando existe suspeita de infecção. Radiografia e ultrassom ajudam a localizar depósitos e avaliar o joelho, mas nenhum exame deve ser interpretado sem considerar os sintomas e o exame físico.

A pseudogota pode causar febre?

Uma crise intensa pode causar febre baixa, cansaço e aumento dos marcadores inflamatórios. O problema é que uma infecção no joelho também pode provocar esses sinais e não deve ser confundida com pseudogota. Febre acompanhada de articulação quente, inchada e muito dolorosa exige avaliação rápida, especialmente após cirurgia, infiltração ou infecção recente.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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