Lesões e Doenças do Joelho

Lesão no joelho: causas, diagnósticos, sintomas e tratamentos

Entenda os diversos tipos de lesão no joelho, seus sinais característicos e a importância de um diagnóstico preciso para um tratamento eficaz.

Como participa de ações simples do dia a dia, o joelho recebe carga constante.

Com isso, a lesão no joelho pode aparecer depois de uma torção, uma queda, uma pancada, sobrecarga repetida ou pelo desgaste que se acumula com o tempo.

Nem toda dor no joelho significa uma lesão grave, mas dor persistente, inchaço, travamento e sensação de falseio merecem atenção.

Entender a causa do problema ajuda a buscar o tratamento certo e evita piora da articulação.

O que é uma lesão no joelho

Lesão no joelho é uma expressão usada para quadros que afetam diferentes partes da articulação. Nessa região, o problema pode atingir ligamentos, meniscos, cartilagem, tendões, ossos ou a patela.

O joelho precisa reunir estabilidade e mobilidade para acompanhar os movimentos com segurança.

Quando esse funcionamento se altera, a articulação pode doer, inchar, perder parte do movimento e ficar menos confiável para sustentar o peso do corpo.

Em certos quadros, a lesão no joelho aparece logo após uma torção, queda ou pancada. Em outros, o problema começa de forma discreta e vai ganhando intensidade com o passar do tempo.

Principais causas e tipos de lesões no joelho

O joelho pode se lesionar por diferentes motivos, e por isso o diagnóstico não deve ser feito só pelo sintoma. Duas pessoas com a mesma dor podem ter problemas bem diferentes.

As causas mais comuns são:

  • Torção com o pé preso no chão;
  • Impacto direto, queda ou acidente;
  • Excesso de treino ou movimento repetitivo;
  • Sobrepeso e sobrecarga articular;
  • Desalinhamento do membro inferior;
  • Desgaste progressivo da articulação.

Lesões ligamentares

Os ligamentos ajudam a manter o joelho firme. Quando há entorse mais forte, podem acontecer estiramentos ou rupturas, como no ligamento cruzado anterior, no cruzado posterior ou nos colaterais.

Nesses casos, é comum haver dor, inchaço, insegurança para pisar e sensação de que o joelho sai do lugar. Em algumas lesões, a pessoa relata um estalo no momento do trauma.

Lesão meniscal

Os meniscos funcionam como amortecedores entre os ossos do joelho. Eles ajudam a distribuir carga, dar estabilidade e proteger a cartilagem articular.

A lesão meniscal pode surgir após torção ou por desgaste com o passar dos anos.

Entre os sinais mais comuns estão dor na linha do joelho, inchaço, travamento e dificuldade para dobrar ou esticar completamente a perna.

Lesão da cartilagem articular

A cartilagem articular reveste a extremidade dos ossos e reduz o atrito dentro da articulação. Quando ela sofre dano, o joelho pode ficar dolorido, rígido e com estalos, principalmente durante esforço.

Esse tipo de lesão pode estar ligado a trauma, desalinhamento, excesso de impacto e desgaste natural. Como a cartilagem tem baixa capacidade de cicatrização, o tratamento precisa ser bem planejado.

Patela, tendões, luxações e fraturas

Nem toda lesão no joelho está no menisco ou no ligamento. Também podem ocorrer tendinites, ruptura de tendão, luxação da patela, contusões e fraturas.

Esses quadros variam bastante, mas podem causar dor localizada, inchaço, dificuldade para andar e piora ao subir escadas, agachar ou levantar da cadeira.

Em fraturas e luxações, a limitação é ainda mais importante e exige avaliação rápida.

Sintomas mais comuns

Os sintomas mudam conforme a estrutura machucada, a intensidade do trauma e o tempo de evolução. Mesmo assim, alguns sinais aparecem com bastante frequência.

Fique atento principalmente a estes sintomas:

Também pode haver calor local, sensibilidade ao toque e perda de confiança para caminhar. Quando esses sintomas duram mais que alguns dias ou pioram, vale procurar um ortopedista.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história do problema. O médico precisa saber como a dor começou, se houve torção ou impacto, onde dói, se há inchaço, travamento e quais movimentos pioram o quadro.

Depois vem o exame físico, que costuma ser decisivo.

Nessa etapa, o ortopedista avalia alinhamento, amplitude de movimento, pontos de dor, estabilidade dos ligamentos e sinais típicos de menisco, patela e cartilagem.

Os exames de imagem podem complementar a avaliação:

  • Radiografia, mais útil para ossos, fraturas e sinais de desgaste;
  • Ressonância magnética, melhor para menisco, ligamentos, tendões e cartilagem;
  • Tomografia, usada em situações específicas, sobretudo ósseas;
  • Ultrassom, que pode ajudar em alguns tecidos superficiais.

Nem toda dor no joelho precisa de ressonância magnética logo de início. Em muitos casos, o exame físico bem feito já orienta o caminho, e os exames entram para confirmar a hipótese e planejar o tratamento.

Tratamentos para lesões no joelho

O tratamento depende do tipo de lesão, da idade, do nível de atividade física, da gravidade e do impacto na rotina. O objetivo é controlar a dor, recuperar a função e proteger a articulação de novos danos.

Muitas lesões no joelho melhoram sem cirurgia, principalmente quando o paciente recebe orientação correta desde o começo.

Em outros casos, o tratamento cirúrgico é a melhor opção para restaurar a estabilidade ou reparar estruturas importantes.

Tratamento conservador

Na fase inicial, é comum orientar repouso relativo, gelo, compressão, elevação da perna e redução temporária do impacto.

Em alguns casos, também podem ser indicados órteses, muletas e medicamentos, sempre com orientação médica.

A fisioterapia é parte central da recuperação, pois ajuda a reduzir a dor e inchaço, recuperar movimento, fortalecer quadríceps e glúteos, melhorar equilíbrio e devolver segurança para andar, trabalhar e praticar esporte.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia entra em cena quando a lesão causa bloqueio mecânico, instabilidade importante, ruptura relevante ou falha do tratamento conservador.

Isso pode acontecer, por exemplo, em alguns casos de menisco, lesão ligamentar, luxação recorrente da patela e defeitos maiores da cartilagem.

A artroscopia é um procedimento comum no joelho e pode ser usada para tratar menisco, cartilagem e outras lesões intra articulares.

Já reconstruções ligamentares e outras técnicas são indicadas conforme a estrutura afetada e o objetivo funcional do paciente.

O que fazer logo após machucar o joelho

Nas primeiras horas, a ideia é proteger a articulação e evitar agravar o problema, mas isso não substitui a consulta.

As medidas mais úteis são simples:

  1. Interromper corrida, salto e agachamento profundo.
  2. Aplicar gelo por 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia.
  3. Manter a perna elevada quando possível.
  4. Evitar testar o joelho repetidamente.
  5. Usar apoio para andar se houver dor ao pisar.
  6. Procurar avaliação se o inchaço for importante.

Também é importante evitar automedicação sem orientação, principalmente se houver suspeita de fratura, derrame articular importante ou necessidade de cirurgia.

O joelho pode parecer melhor no dia seguinte e ainda assim estar instável por dentro.

Quando procurar um ortopedista com urgência

Alguns sinais merecem atenção rápida, porque podem indicar lesão no joelho mais importante, infecção ou complicação vascular.

A orientação é consultar um ortopedista qualificado em lesões no joelho para investigar os sintomas, pois quanto mais cedo o problema é avaliado, maior a chance de evitar sequelas.

Procure atendimento sem demora se houver:

  • Incapacidade de apoiar o peso;
  • Deformidade visível após trauma;
  • Inchaço súbito e importante;
  • Travamento que impede o movimento;
  • Febre, vermelhidão intensa ou calor excessivo;
  • Dor na panturrilha com inchaço importante.

Também vale acelerar a avaliação quando o joelho falseia, perde força ou continua piorando ao longo dos dias, que é ainda mais importante em quem pratica esporte, trabalha em pé ou já teve lesão anterior no mesmo lado.

Como prevenir novas lesões no joelho

Nem toda lesão pode ser evitada, mas alguns hábitos reduzem bastante o risco. A prevenção depende mais de constância do que de medidas complexas.

Na prática, vale manter estes cuidados:

  • Aquecer antes do treino;
  • Fortalecer pernas e quadril com regularidade;
  • Corrigir movimentos mal executados;
  • Usar calçado adequado para a atividade;
  • Evitar aumento brusco de carga;
  • Respeitar dor persistente e sinais de sobrecarga.

Perguntas frequentes

Lesão no joelho sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitas lesões no joelho melhoram com tratamento conservador, especialmente quando incluem fisioterapia, controle da carga e acompanhamento médico. A cirurgia fica reservada para casos com instabilidade importante, bloqueio da articulação, ruptura relevante ou falha do tratamento inicial.

Qual exame costuma mostrar melhor a lesão?

Depende da suspeita clínica. A radiografia é mais útil para avaliar osso, fratura e desgaste, enquanto a ressonância magnética mostra melhor menisco, ligamentos, tendões e cartilagem. O ponto principal é que o exame deve ser escolhido a partir da consulta, e não isoladamente.

Quanto tempo leva para melhorar uma lesão no joelho?

O tempo varia muito. Quadros leves por sobrecarga podem melhorar em dias ou poucas semanas, enquanto lesões meniscais, ligamentares e condrais podem exigir meses de reabilitação. O que define a evolução não é só o calendário, mas a combinação entre dor controlada, movimento, força e estabilidade.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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