Lesões e Doenças do Joelho

Instabilidade Patelofemoral: Causas e Tratamentos

Saiba o que pode causar, sinais de alerta e como tratar a instabilidade patelofemoral para estabilizar a articulação.

A instabilidade patelofemoral acontece quando a patela, também chamada de rótula, não acompanha bem o trilho natural do fêmur durante o movimento do joelho.

Nessa situação, ela deixa de deslizar bem centralizada e pode escapar um pouco da posição, o que recebe o nome de subluxação.

Mas quando a patela sai totalmente do lugar, o quadro é chamado de luxação patelar.

Na prática, aparece como dor na frente do joelho, sensação de falseio e medo de que a rótula “escape” em movimentos simples, como agachar, subir escadas ou mudar de direção.

Quando o problema se repete, o risco de lesão da cartilagem aumenta, por isso, o ideal é consultar um ortopedista qualificado em joelho para confirmar o diagnóstico.

O que é instabilidade patelofemoral

Na frente do joelho existe uma área de contato entre a patela e o fêmur. É ali que a rótula corre enquanto a perna dobra e estica.

Essa engrenagem ajuda o músculo da coxa a ganhar força no movimento e aparece em tarefas bem comuns: subir escada, levantar da cadeira, agachar, caminhar mais rápido, correr ou saltar.

Quando há instabilidade, a patela perde parte desse controle durante o movimento, que pode acontecer depois de um trauma, por características anatômicas do joelho ou pela soma de fatores, como ligamentos mais frouxos e fraqueza muscular.

Também é importante separar instabilidade de dor na frente do joelho.

A instabilidade patelofemoral envolve um deslocamento anormal da patela. Já quadros como síndrome da dor patelofemoral, tendinite ou bursite podem causar dor parecida, mas sem luxação.

Subluxação e luxação não são a mesma coisa

Na subluxação, a patela sai parcialmente do trilho e volta. A pessoa relata uma sensação de escapada, travamento ou insegurança, mesmo sem ver a rótula totalmente fora do lugar.

Na luxação, a patela desloca de forma mais evidente, quase sempre para o lado de fora do joelho.

Em alguns casos, ela volta sozinha antes da avaliação, mas ainda assim pode deixar inchaço, dor forte e lesão associada.

Principais causas e fatores de risco

A instabilidade patelofemoral é multifatorial, ou seja, raramente existe uma única causa, e o mais comum é encontrar a soma de trauma, anatomia e controle muscular deficiente.

Os fatores mais ligados ao problema são:

  • Torção do joelho, pivô, queda ou impacto direto na rótula;
  • Tróclea femoral rasa ou displásica, que segura menos a patela;
  • Patela alta, que favorece o deslocamento;
  • Frouxidão ligamentar ou hipermobilidade;
  • Desalinhamentos do membro inferior e alterações de rotação;
  • Fraqueza ou desequilíbrio do quadríceps e da musculatura do quadril;
  • Histórico prévio de luxação ou subluxação.

Em adolescentes, jovens ativos e atletas, o quadro pode surgir após uma entorse durante esporte.

Já em pessoas com predisposição anatômica, às vezes a rótula sai do lugar com um movimento relativamente simples.

Sintomas

Os sintomas variam conforme a gravidade e se houve um episódio único ou recorrente. Em alguns casos, o principal incômodo é a dor; em outros, o que assusta é a sensação clara de deslocamento.

Os sinais mais comuns são estes:

  • Dor na frente do joelho;
  • Inchaço após torção ou esforço;
  • Sensação de que a patela vai sair do lugar;
  • Falseio ou sensação de joelho frouxo;
  • Estalo na hora do episódio;
  • Dificuldade para dobrar ou estender o joelho;
  • Medo de correr, saltar ou mudar de direção;
  • Piora ao subir escadas, agachar ou ficar muito tempo sentado.

Quando a luxação é mais aguda, o joelho pode ficar deformado, muito doloroso e difícil de apoiar.

Mesmo quando a patela volta sozinha, a pessoa pode ficar com edema, sensibilidade ao redor da rótula e perda temporária de confiança no movimento.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história clínica. Saber como a dor começou, se houve torção, queda, sensação de deslocamento e episódios anteriores muda bastante a suspeita e a conduta.

Depois vem o exame físico, que avalia alinhamento, mobilidade da patela, presença de dor, inchaço, frouxidão, padrão de marcha e força muscular.

Em muitos casos, o exame já mostra sinais típicos de instabilidade, como apreensão ao tentar deslocar a patela lateralmente.

Exames que podem ser pedidos

Os exames de imagem ajudam a confirmar o quadro e, principalmente, a entender a causa. Nem todo paciente precisa de tudo, mas os mais usados são:

  • Radiografia, para avaliar posição da patela, fraturas e alterações ósseas;
  • Ressonância magnética, para ver cartilagem, ligamentos e lesões associadas;
  • Tomografia, quando é preciso medir alinhamento e estudar melhor a anatomia.

Essa etapa faz diferença porque o tratamento da primeira luxação simples não é o mesmo de uma instabilidade recorrente com lesão de cartilagem ou desalinhamento importante.

Tratamento

O tratamento da instabilidade patelofemoral depende do tipo de episódio, da idade, do esporte praticado, da anatomia do joelho e da presença de lesões associadas.

Se a patela ainda estiver fora do lugar, a prioridade é a redução, que deve ser feita em ambiente adequado.

Depois disso, o plano pode por um de dois caminhos: tratamento conservador ou cirurgia.

Quando o tratamento sem cirurgia funciona

Em um primeiro episódio, sem fragmentos soltos, sem grande lesão óssea e sem instabilidade persistente, o tratamento não cirúrgico é a escolha inicial.

O foco é controlar a dor e edema, proteger o joelho e recuperar a estabilidade dinâmica.

Essa abordagem pode incluir:

  • Imobilizador ou brace por um período curto;
  • Uso de muletas nos primeiros dias, se houver dor para apoiar;
  • Gelo, repouso relativo e ajuste das atividades;
  • Fisioterapia para recuperar o movimento;
  • Fortalecimento de quadríceps, glúteos e controle do membro inferior;
  • Retorno progressivo ao esporte.

A recuperação não depende apenas de “parar de doer”. Voltar cedo demais aumenta o risco de novo episódio, especialmente se o joelho ainda estiver inchado, fraco ou inseguro.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia entra na conversa quando há luxações repetidas, falha do tratamento conservador, lesão osteocondral, patela muito mal alinhada durante o movimento ou alterações anatômicas que favorecem nova luxação.

Nesses casos, operar pode reduzir a recorrência e proteger melhor a articulação.

Os procedimentos variam de acordo com o problema encontrado.

Entre as opções mais conhecidas estão reconstrução do ligamento patelofemoral medial, correções de alinhamento ósseo e, em situações selecionadas, procedimentos sobre a tróclea.

O tratamento moderno é mais individualizado e guiado pela causa do deslocamento, não apenas pelo nome do diagnóstico.

Recuperação e prevenção de nova luxação

A reabilitação é uma parte central do tratamento, com ou sem cirurgia. Ela trabalha movimento, controle do inchaço, força, equilíbrio, confiança e retorno progressivo à carga.

Em geral, os pilares da prevenção são:

  1. Recuperar amplitude completa do joelho.
  2. Fortalecer quadríceps e musculatura do quadril.
  3. Corrigir padrões de movimento que empurram a patela para fora.
  4. Voltar ao esporte em etapas.
  5. Manter treino de controle neuromuscular mesmo após melhora.

Ciclismo e exercícios orientados aparecem com frequência na reabilitação porque ajudam a ganhar movimento e força com menos impacto.

Ainda assim, o programa precisa ser ajustado ao estágio da lesão e ao perfil do paciente.

Quando procurar atendimento com mais urgência

Alguns sinais merecem avaliação rápida, especialmente após uma torção ou queda, que vale tanto para adultos quanto para adolescentes que praticam esporte.

Procure atendimento sem demora se houver:

  • Joelho visivelmente deformado;
  • Incapacidade de apoiar o peso;
  • Dor muito intensa e inchaço rápido;
  • Travamento importante;
  • Suspeita de que a patela saiu do lugar;
  • Perda de movimento que não melhora;
  • Novo episódio em um joelho que já luxou antes.

Mesmo quando a patela aparentemente volta sozinha, ainda pode existir lesão de cartilagem, osso ou ligamento. Por isso, não é uma boa ideia tratar tudo como “só uma torção”.

Perguntas frequentes

Instabilidade patelofemoral e síndrome da dor patelofemoral são a mesma coisa?

Não. A síndrome da dor patelofemoral é uma causa comum de dor na frente do joelho, mas não significa, por si só, que a patela esteja luxando. Já a instabilidade patelofemoral envolve deslocamento anormal da rótula, com sensação de escape, subluxação ou luxação. As duas condições podem se parecer no começo, por isso o exame clínico é tão importante.

Quem tem instabilidade patelofemoral sempre precisa operar?

Não. Muitos casos, principalmente no primeiro episódio e sem lesões associadas importantes, melhoram com proteção inicial, fisioterapia e fortalecimento progressivo. A cirurgia é considerada quando há recorrência, falha do tratamento conservador, fragmentos osteocondrais ou alterações anatômicas relevantes. A decisão depende mais da causa e da repetição do problema do que do diagnóstico isolado.

O que é o ligamento patelofemoral medial?

O ligamento patelofemoral medial, conhecido como MPFL, é uma das principais estruturas que impedem a patela de escapar para fora logo no início da flexão do joelho. Quando acontece uma luxação lateral, ele pode sofrer estiramento ou ruptura. Em casos recorrentes, a reconstrução desse ligamento é uma das cirurgias mais usadas para restaurar estabilidade.

É possível voltar ao esporte depois de uma luxação da patela?

Na maioria dos casos, sim, mas o retorno precisa respeitar critérios, e não só o calendário. O ideal é voltar quando o joelho tiver boa mobilidade, força próxima do normal, pouco ou nenhum inchaço e confiança para correr, frear e mudar de direção. Quando isso é ignorado, a chance de nova luxação ou dor persistente sobe bastante.

A instabilidade pode acontecer nos dois joelhos?

Pode, sendo mais provável quando existe frouxidão ligamentar, hipermobilidade ou alterações anatômicas que afetam os dois lados. Nesses pacientes, às vezes um joelho luxa primeiro, mas o outro já mostra sensação de falseio, insegurança ou dor anterior. Nessa situação, vale avaliar o alinhamento global e não apenas tratar o lado que está mais doloroso.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho Goiânia. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia). [CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240].

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